Lojas e marcas

Leisu: a marca de joalharia criada por 2 amigas para acompanhar todas as fases da mulher

Entre anéis, brincos, colares, earcuffs, a marca cruza formas orgânicas e elementos da natureza.

Sem saberem o que o futuro lhes reservava, Carolina Piloto e Maria Simões conheceram-se no nono ano de escolaridade, em Sintra, mas seguiram caminhos diferentes. Anos mais tarde, voltaram a encontrar-se através das redes sociais e perceberam que podiam criar um projeto juntas. Assim nasceu a Leisu, uma marca portuguesa de joalharia que procura acompanhar a mulher em diferentes fases da vida, através de peças de inspiração orgânica.

A ideia partiu de Carolina, formada em Design, que há cerca de dois anos sentia vontade de desenvolver um projeto criativo ligado aos acessórios. Entretanto, tinha seguido um percurso profissional relacionado com contexto oncológico, enquanto Maria, licenciada em Marketing, se tornou hospedeira de bordo e manteve em paralelo a paixão pela joalharia. Tinha feito formação na área e desenvolvia peças em casa, partilhando o processo nas redes sociais.

Foi precisamente através de um vídeo no TikTok que Carolina voltou a encontrar Maria, ambas com 27 anos. “Eu já tenho esta ideia há dois anos, porque sentia muito a necessidade de criar alguma coisa minha”, contou Carolina. Ao ver o trabalho da antiga colega, reconheceu nele a linguagem que procurava para concretizar a sua ideia. “Mandei-lhe uma mensagem a dizer que gostava muito de falar com ela porque tinha uma ideia e ela seria a pessoa ideal”, disse a fundadora

Depois de um almoço em que Carolina apresentou o conceito, o projeto avançou de forma rápida e natural. Em menos de um ano, as duas desenvolveram a primeira coleção e abriram a empresa. As competências de cada uma acabaram também por definir os seus papéis dentro da marca: Carolina assume sobretudo a direção criativa, imagem, comunicação, redes sociais e marketing, enquanto Maria está mais ligada ao desenvolvimento e produção das peças, transformando em matéria as ideias que as duas constroem em conjunto.

Da seda à joalharia: uma coleção sobre transformação

O próprio nome Leisu está ligado à origem da primeira coleção. A marca inspira-se em Leizu, a lendária imperatriz chinesa associada à descoberta da seda. A alteração do “z” para o “s” procurou tornar o nome mais abrangente, deixando de representar apenas a figura histórica e passando a traduzir também o universo de acessórios e a ideia de acompanhar diferentes fases da mulher.

 
 
 
 
 
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É desta referência que nasce “O Fio da Origem”, a primeira coleção da marca, lançada em junho deste ano. O universo da coleção parte do bicho-da-seda, do casulo e da borboleta para representar diferentes momentos de um processo de transformação. O bicho-da-seda está associado ao crescimento e ao caminho que antecede a mudança, enquanto a borboleta representa uma nova fase, a liberdade e a confiança para avançar.

“É essa história que queremos contar através das nossas peças: cada fase tem o seu propósito, e cada transformação faz parte de quem somos”, explica Carolina à NiT.

A mesma ideia está presente na apresentação da coleção, que coloca lado a lado duas modelos de gerações diferentes. A escolha pretende mostrar que a Leisu não está associada a uma idade específica e que a joalharia pode acompanhar diferentes momentos da vida. “Queria mesmo que fossem duas modelos, no fundo, perceberem, que a Leisu acompanha a mulher em todas as suas fases”, afirmam as fundadoras.

A coleção traduz essa identidade através de formas orgânicas, naturais e de inspiração rústica, afastando-se de uma abordagem demasiado dependente das tendências. A oferta inclui anéis, brincos, earcuffs e colares, além de peças que levam o universo da marca para além da joalharia tradicional, como as joias orgânicas para o cabelo.

Entre as criações encontram-se referências ao Bichinho da Seda, Casulo, Borboleta, Flor e a Folha Ginkgo, que ganham forma em cada conjunto criado, como elementos que dão continuidade à ligação da Leisu com a natureza.

Carolina Piloto (direita) e Maria Freitas Simões (esquerda).

As peças são produzidas em prata 925 e prata banhada a ouro. Os preços oscilam entre os 60€ e os 210€, segundo as fundadoras. A intenção é manter uma oferta com qualidade e, ao mesmo tempo, acessível a diferentes gerações. “Não queríamos preços assim muito altos, para conseguir também incluir clientes de várias idades”, explica Carolina.

A preocupação com a qualidade passa ainda pela escolha de materiais adequados a diferentes tipos de pele, incluindo pessoas com maior sensibilidade. A proposta é criar peças que possam ser usadas no quotidiano, mantendo uma estética marcada pela simplicidade e por formas que não dependem de uma tendência específica.

Atualmente, a Leisu está disponível exclusivamente online, mas as fundadoras já pensam na expansão da marca para o espaço físico, com o objetivo de chegar a uma loja multimarca nas Amoreiras antes do Natal.

Por detrás das peças existe, contudo, uma dimensão que ultrapassa a estética. Para Maria, responsável pelo desenvolvimento das criações, o processo começa muitas vezes pelo próprio estado de espírito. “Criar uma peça também tem muito a ver com o meu estado de espírito. Há ideias que surgem de forma imediata, em momentos de inspiração, e outras que precisam de tempo para nascer. Gosto de respeitar esse processo, porque acredito que criar é, acima de tudo, sentir”, conta à NiT.

Maria aproveita as folga  para continuar produção, conseguindo fazer entre 20 a 30 peças por dia, dependendo do foco. A designer destacou ainda que a peça favorita são os brincos em forma de asa de borboleta pela dimensão e leveza que os caracteriza, “é uma das peças melhor desenvolvida, e fiz questão que fosse leve para ser prático usar”.

É nessa combinação entre a visão criativa de Carolina e a experiência técnica de Maria que cada criação ganha forma. As duas defendem uma joalharia menos preocupada com a perfeição e mais atenta àquilo que torna cada peça única: as pequenas diferenças, marcas e particularidades que resultam do próprio processo.

O propósito da Leisu passa, por isso, por “sentir, desenhar, produzir e transmitir a parte mais humana da joalharia”. Entre técnica e intuição, rigor e sensibilidade, a marca procura criar sem excessos e valorizar a simplicidade. “Num mundo onde tudo parece querer ser perfeito, queremos lembrar que a imperfeição também pode ser uma das coisas mais bonitas.”

Carregue na galeria para conhecer melhor a marca.

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