Sara Salvador ouviu falar de biquínis menstruais, pela primeira vez, no final de 2022. Preparava-se para viajar com uma amiga que vivia no Dubai, Tânia Santos Silva, quando ela a aconselhou a inclui um conjunto absorvente na mala. Nesse momento, percebeu que o conceito ainda não tinha chegado a Portugal.
“Andávamos a discutir o que podíamos fazer, porque somos amigas e trabalhamos juntas [na área da comunicação] há muitos anos”, conta a jovem, de 34 anos, à NiT. “Tínhamos decidido que só avançaríamos com algo se fizesse realmente sentido no mercado.”
Ao regressarem a Portugal, uniram-se a Mariana Santos Silva, de 32 anos, para desenvolver os primeiros protótipos da Maiswim — que surgiu de “my swimwear”. Lançada a 5 de maio, a marca de swimwear menstrual pretende ser inovadora e afastar-se do conservadorismo associado a estas propostas.
Uma das primeiras criações foi um fato de banho de mangas longas, pensado para a prática de desportos aquáticos. “É importante que as mulheres participem neste tipo de atividades sem preocupações sobre a menstruação”, acrescenta.
A maioria das sugestões seguiu o percurso oposto com cortes contemporâneos, cores neutras e um estilo simplista. “Queremos que [as peças] assentem bem, sejam sensuais e elegantes. Têm de funcionar no guarda-roupa de todas as mulheres, quer tenham 20 ou 50 anos.”
Todos os modelos são criados a partir de Econyl, uma fibra feita a partir de resíduos como redes de pesca, plásticos ou sobras de tecidos. Além de ser reciclável, absorve odores e sangramentos leves a moderados, sendo a opção perfeita para peças adaptadas ao período menstrual.
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As peças são compostas por quatro camadas. A primeira é uma superfície externa altamente resistente, a segunda é intermediária e muito fina, a terceira é interna e absorvente e, por último, há um revestimento com forro feito de materiais suaves e respiráveis, garantindo conforto e evitando irritações.
Sara destaca que enquanto procuravam por parceiros para desenhar as peças, optaram por trabalhar com pessoas que partilhassem dos seus valores e métodos de trabalho. “Até ao momento, esta é a opção mais sustentável que existe, mas já estão a ser desenvolvidas novas alternativas e estamos a estudá-las.”
A Maiswim opta por não produzir grandes quantidades de stock, sendo que a fabricação é feita completamente em Portugal. Desde as matérias-primas até à produção, tudo é realizado em unidades fabris localizadas no centro do País.
Ainda há preconceitos
Segundo a fundadora, algumas mulheres têm perceções erradas sobre a utilização deste tipo de modelos. “Na realidade, trata-se de um biquíni perfeitamente normal, adequado a todas as mulheres, podendo ser usado em qualquer altura do ciclo. A maioria utiliza-o quando não está menstruada.”
Outra confusão está relacionada com o uso de tampões e pensos higiénicos. O objetivo dos modelos é eliminar esta necessidade, uma vez que as cuecas absorvem a mesma quantidade que dois tampões — cerca de 18 mililitros — e podem ser utilizadas na água sem restrições de tempo. Após um mergulho, o tecido seca rapidamente.
Para garantir a durabilidade das peças, é essencial adotar algumas precauções. Antes de o usar, é recomendável lavá-lo para ativar o reforço. Deve enxaguar o biquíni em água fria (inferior a 30 graus) após cada utilização e evitar deixá-lo de molho. Quando precisar de uma lavagem mais profunda, opte por um ciclo a baixas temperaturas.

Todos os modelos têm as mesmas vantagens, mas há dois que se têm destacado. Os bestsellers são o fato de banho Shadow Wave, um modelo preto só com uma alça, e o biquíni Sand Stone, com um corte alto e uma modelagem mais justa para maior suporte ao peito.
“Inicialmente, pensámos em criar swimwear para uma mulher entre os 18 e 50 anos. Porém, com o passar do tempo, percebemos que não fazia sentido limitar. Temos várias clientes que não menstruam e que compram os nossos produtos.”
Um dos principais objetivos da marca passa por alargar o catálogo. Este verão estão a colaborar com uma marca de slow fashion, a Odara, para criar uma coleção com roupa de verão e para festivais, feita apenas com excedentes de stock. Tudo é feito a pedido para não haver sobras.
E há mais lançamentos a caminho, como um biquíni para meninas. “É um público que tem muita dificuldade em ir à praia nestes dias, porque não usam tampões”, conclui. Em breve, poderá ser comprado em espaços físicos em Lisboa e no Porto, embora o local ainda não esteja definido.
Os modelos da Maiswim estão disponíveis no site da marca entre os 50€ e os 160€.
Carregue na galeria para conhecer alguns dos modelos.

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