Lojas e marcas

Marca portuguesa compra o ouro que já não usa (e paga 20% acima do valor de mercado)

A Wonther quer tornar a indústria da joalharia mais sustentável apelando à comunidade para reciclar as peças que já não têm uso.
Aproveite para fazer dinheiro.

Poucas pessoas sabem de onde é que vem o seu ouro, onde é que é produzido e em que condições. Segundo a Wonther, para poder criar uma simples aliança com este metal precioso, são produzidas em média 20 toneladas de resíduos. Embora a extração industrial possa estar mais regulamentada nos dias que correm, esta ainda é responsável por “grandes desastres ambientais e pela degradação do meio ambiente onde opera”.

Exemplo disso foi o desastre da mina Mount Polley, no Canadá, que aconteceu em 2014 e ainda tem repercussões atualmente devido à desastrosa queda de uma barragem. Dados da UNEP mostram que a pequena extração artesanal recorre essencialmente ao uso de mercúrio, devido à falta de regulamentação. Esta é a indústria mais responsável pela poluição mundial por mercúrio, um elemento extremamente tóxico para os humanos e para o meio-ambiente.

Foi com essa consciência que a marca portuguesa Wonther chegou ao mercado em 2019 e se tornou rapidamente uma das empresas de joalharia sustentável mais proeminentes em todo o mundo — já foi destacada por publicações internacionais como o “The Guardian” ou a “Teen Vogue”.

Além de vender as suas próprias propostas, o projeto quer agora motivar os seus clientes a juntarem-se ao movimento da joalharia reciclada. A 11 de agosto, anunciaram que já estão a sensibilizar a comunidade para que se desapegue dos bens em ouro que não têm uso ou que não estão em bom estado.

Para os adquirir, paga 20 por cento do valor do ouro acima das quotas de mercado. O pagamento é realizado em vouchers online, que podem ser descontados em joias da Wonther. É uma campanha amiga do ambiente que já está a funcionar em agosto e se irá prolongar até ao final do ano. O objetivo é contribuir para a redução da mineração e da poluição mundial.

 
 
 
 
 
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Ainda que a sua cadeia de abastecimento esteja certificada pelo Responsible Jewellery Council, a marca reconhece que não existem metais preciosos 100 por cento sustentáveis, a menos que sejam reciclados. 

Esta campanha chama-se “Love, Give Back, Repeat” e pode ser consultada na loja online do projeto. Para participar, só precisa de preencher um formulário, enviar as peças para a marca e aproveitar os vales para comprar uma peça de joalharia nova, com um design trendy e à qual quererá dar muito uso. Os preços das propostas variam entre os 48€ e os 3.300€.

“O nosso sonho é criar uma economia circular, em que trabalhemos apenas com metais preciosos reciclados, fornecidos pelos nossos próprios clientes ou qualquer pessoa que queira contribuir para um mundo mais sustentável”, explica Olga Kassian, a fundadora. “Esta é uma forma poética dos nossos clientes fornecerem a sua própria matéria-prima. De darem antes de receber.”

Ao longo dos meses de agosto e setembro, vão ainda promover um conjunto de ações online em torno da temática da origem dos metais preciosos que utilizam. 

Olga nasceu na Ucrânia e veio para Portugal com a sua família quando tinha 4 anos. Aos 18, começou a estudar Engenharia e Gestão Industrial na Universidade de Aveiro. Viveu em Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde trabalhou numa loja pop-up da Josefinas e regressou para lançar a sua própria marca aos 22 anos — estávamos em 2019.

Todas as peças da Wonther são certificadas pelo Responsible Jewellery Council, fazendo dela uma das únicas três em Portugal com o selo, que garante a utilização de materiais inteiramente responsáveis, ética e ambientalmente.

Na loja online vai encontrar, por exemplo, a linha em prata 925 natural da Wonther, composta por brincos, colares e pulseiras e com preços a partir de 53€.

A seguir, carregue na galeria para conhecer algumas propostas.

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