Lojas e marcas

A nova loja vintage de Lisboa é um “porão cheio de tesouros escondidos”

A seleção vai dos anos 60 ao 2000 e inclui roupa, acessórios e sapatos. Todas as peças são escolhidas a dedo pela fundadora.
Destacam-se os apontamentos rosa.

A paixão de Sofia Santos por “coisas antigas” vai muito além de um guarda-roupa cheio de relíquias do passado. Durante vários anos, após a formação em conservação e restauro, passou os seus dias a trabalhar e a preservar a integridade de objetos históricos, obras de arte, móveis antigos e outros testemunhos do passado.

O percurso da jovem de 31 anos mudou durante a pandemia. Foi nessa altura que olhou para a grande coleção de roupas vintage que adorava, mas que já não se enquadravam no seu estilo pessoal. “Adorava comprá-las, mas não as usava”, explica à NiT. Então decidiu transformar-se numa espécie de caça-tesouros que dá a conhecer achados de várias décadas passadas.

Após realizar várias feiras e experimentar pop up stores, Sofia sentia vontade de estabelecer a marca no mercado. “Fazer mercados é muito exaustivo, porque tinha de estar sempre a montar e a desmontar tudo. Queria ser levada mais a sério e, para isso, precisava de ter o meu sítio onde as pessoas sabem que me encontram”, acrescentam.

Foi a 6 de abril que se marcou o início de um novo capítulo para a Mess VNTG. Ao som de DJ, na companhia de tatuadores e com cocktails à mistura, abriram-se as portas do primeiro espaço físico da marca, na Rua de São Marçal, em Lisboa. Os antigos e novos clientes da marca começaram a procura pelos “tesouros escondidos” neste “porão cheio de vibes vintage”.

Embora seja um espaço pequeno de 55 metros quadrados, é fácil encontrar todas as peças, garante a fundadora. Num espaço rosa e “muito girly”, com propostas masculinas e femininas, Sofia conseguiu que a vasta oferta, que vai da roupa aos acessórios, fosse organizada de forma que, quem entra, sabe logo onde encontrar aquilo que deseja.

Mess VNTG
A loja é como se fosse o guarda-roupa de Sofia.

Num dos cantos do espaço, o protagonista é o cão de loiça que se tornou na imagem de marca do negócio. Era o companheiro que surgia em todos os mercados onde aparecia e, aos poucos, tornou-se numa das principais formas pelas quais as pessoas reconhecem o projeto, de tal forma que foi gravado no logótipo.

As peças de roupa expostas nos charriots vão dos anos 60 aos 2000. Há ainda acessórios como chapéus, óculos de sol, lenços, carteiras e umas botas que a fundadora não quer vender. “Pus o preço exorbitante de 250€ porque são a coisa mais linda de sempre e tenho receio que alguém as leve. Até pensei em aumentar o preço para ficarem ali.”

“Há muita gente que quer vestir peças em segunda mão e ser mais sustentável, mas muitas das lojas são uma verdadeira confusão. As pessoas não conseguem orientar-se”, acrescenta a jovem, que admite que a parte das vendas é a que menos a entusiasma. Aquilo que a motiva é a procura pelas próximas propostas que vai trazer aos clientes.

Toda as peças são escolhidas a dedo por Sofia, que viaja até armazéns gigantes em Espanha, Itália ou França para fazer a curadoria. Perde horas a procurar nestes espaços “com roupa até ao teto”, mas há muito que estar perdida na confusão se tornou um momento de conforto para a apaixonada pelas pérolas do passado, que muitas vezes acabam esquecidas.

“Trago aquilo que mais gosto. Se não gosto, não compro, mesmo que esteja na moda. Continuo a fazer aquilo que fazia no início”, reforça. “É como se esta loja fosse o meu guarda-roupa em tamanho real. Não consigo definir um estilo, mas é como se ainda estivesse a comprar para mim mesma como sempre adorei fazer.”

A localização no centro de Lisboa tornou-se um chamariz para os turistas, mas alguns lisboetas vão aparecendo e mostrando curiosidade. São os habitantes locais que Sofia mais quer atrair e, acredita, irá acontecer naturalmente sem precisar de grandes estratégias. “Fiz um evento de abertura que correu muito bem.”

Música ao vivo, tatuagens e colaborações com outras marcas de roupa acessórios. Tudo isto está na mira da fundadora para o futuro da loja, que vai contar com convívios mensais. “Temos uma cave bastante espaçosa e quero aproveitá-la para ajudar pequenos negócios”, conclui. “Só quero ter a minha lojinha e não penso em abrir mais nenhuma no futuro.”

Os valores das peças começam a partir dos 25€. Carregue na galeria para ver mais imagens do espaço e conhecer melhor o conceito da Mess VNTG.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua de São Marçal, 103
    1200-424 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado das 11h às 19h

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