Lojas e marcas

MyCloma vende roupa feita com desperdícios pelos alunos da Escola de Moda do Porto

A plataforma portuguesa de vestuário em segunda mão lançou em novembro um novo projeto de upcycling.

A plataforma de venda de roupa em segunda mão MyCloma foi lançada no final de junho por uma equipa de jovens empreendedores portugueses. Depois de um enorme sucesso no arranque, a equipa uniu-se agora à Escola de Moda do Porto (EMP) para desafiar os alunos de moda a criarem peças de upcycling — um processo de transformação de roupa destinada ao lixo em artigos novos.

As alunas do terceiro ano do curso profissional de Design de Moda aceitaram o desafio de trabalhar neste projeto que se quer relacionar com a sustentabilidade no setor da moda. Depois de analisadas as peças antigas, o processo passa pela desmontagem e transformação numa nova peça através do desenho, modelação e confeção de propostas únicas e exclusivas, resultando num trabalho personalizado de autor.

Por fim, as roupas serão vendidas na plataforma MyCloma e toda a receita das vendas será entregue a uma instituição de solidariedade social. 

Matilde Rocha, diretora da Escola de Moda do Porto, disse estar “muito orgulhosa que a EMP tem vindo a trilhar no ensino da moda, não só na dotação dos alunos de uma maior consciência ambiental como também na constante aproximação destes à realidade empresarial que os espera após a conclusão dos seus estudos.”

Durante vários anos, Ana Catarina Monteiro, de 20 anos, tinha por hábito doar a roupa que já não queria, mas cedo percebeu que havia uma falha no mercado: “Podia haver um sítio onde as pessoas pudessem vender a sua roupa para ser usada por outras“, explicou à NiT em julho de 2020. Começou por colocar algumas peças à venda no OLX e noutras plataformas de venda até criar a sua própria página de Instagram, em maio do ano passado, e a procura “foi enorme”.

O seu irmão, Fernando Monteiro, de 33 anos, já tinha alguma experiência na área de gestão e Ana decidiu pedir-lhe ajuda para criar um serviço que pudesse “responder a esta necessidade”. “Ele tem mais experiência e visão de mercado para me ensinar a fazer crescer o negócio”, acrescenta Ana . Juntos, reuniram uma equipa e criaram a plataforma MyCloma.

Quem quiser solicitar uma recolha de roupa usada só tem de ir ao site, selecionar a opção “vender” e pagar os portes de recolha. Mais tarde, a empresa entra em contacto para solicitar as informações importantes para dar continuidade ao processo. Depois de solicitarem as informações e o dia, recolha é feita por uma transportadora que vai a todo o território continental.

Quando a roupa chega até eles, Ana explica que esperam uns dias até abrir as caixas por causa da pandemia. “Primeiro fazemos uma triagem e escolhemos as peças que preenchem e não preenchem os requisitos” — quando se verifica o segundo caso, pode ser feita uma devolução ao cliente ou uma doação a uma ONG.

De seguida, é feita uma valorização das peças com uma nota que indica as marcas de uso para colocar no site, são tiradas fotografias e os produtos ficam disponíveis. Se forem vendidos, a MyCloma oferece uma comissão ao dono da peça, sendo que 2€ por unidade ficam sempre para a plataforma. Se a venda tiver valores até 9,99€, os vendedores recebem 50 por cento; se for entre 10€ e 49,99€, ficam com 25 por cento; e se for superior a 50€, o valor que recebem será de 10 por cento.

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