A Rua de São Bento, no centro de Lisboa, acaba de ganhar uma nova loja que reúne diferentes marcas, como Alexandra Höjer, dedicada à moda feminina, e Metro= Handmade Clothing Co., focada no vestuário masculino.
Mais do que um espaço comercial, funciona também como um laboratório criativo, com uma área de trabalho onde os fundadores desenvolvem novas peças sempre que estão na cidade. “Abrimos a loja em outubro de 2025, o nosso objetivo era fazer crescer as nossas marcas e produzir mais roupa”, conta Alexandra Höjer à NiT.
A história da criadora começou longe de Portugal. Natural do norte da Europa, Alexandra, de 45 anos, está sediada na África do Sul, na cidade pela qual se apaixonou depois de viajar por vários países. “Sou sueca e vivo há 20 anos na Cidade do Cabo. Sempre soube que não queria ficar na Suécia”, recorda.
Foi também ali que conheceu Barry Armitage, sul-africano de 60 anos, com quem está casada há 11. Juntos têm uma filha, Flora, de quatro anos. A parceria estende-se à vida profissional.
Alexandra lidera a marca feminina que leva o seu nome, enquanto Barry está à frente da Metro. Apesar de distintas, as duas etiquetas foram pensadas para coexistir e complementar-se. “Ambas as marcas refletem as nossas personalidades e os nossos estilos, respetivamente”, explica, à NiT.

Num mercado dominado pela produção em massa, a filosofia do casal passa por desacelerar. As peças são produzidas em pequenas quantidades, recorrendo a tecidos naturais como linho, seda, lã e pele, e privilegiando a durabilidade. A marca feminina aposta em linhas minimalistas inspiradas pelo design nórdico, enquanto a Metro recupera referências do workwear clássico, com foco na funcionalidade e na resistência.
Mas porquê Portugal? A resposta está na ligação ao trabalho manual e à tradição artesanal. “Escolhemos o vosso País para abrir a nossa primeira loja porque somos apaixonados pela cultura do artesanato. Sentimos uma grande conexão com o sul da Europa e decidimos expandir a nossa marca para Portugal”.
A produção das coleções continua dividida entre a Cidade do Cabo e Lisboa. As peças são desenhadas em colaboração pelo casal e produzidas em pequenas tiragens através de fábricas independentes portuguesas, em articulação com a equipa do estúdio sul-africano.
Apesar da abertura da loja em Lisboa, a base da família mantém-se na Cidade do Cabo. Ainda assim, as viagens para Portugal tornaram-se frequentes. “Vimos com frequência a Lisboa. Eu tenho vindo de seis em seis semanas para ir acompanhando a loja. Sempre que vimos para cá, aproveitamos para fazer uma espécie de residência criativa.”
A adaptação ao mercado europeu tem sido um processo de aprendizagem, mas os resultados deixam os fundadores otimistas. “O negócio está a correr bem. Ainda estamos a aprender a gerir um negócio num continente diferente, mas as pessoas daqui são incríveis”, afirma.
Entre as razões que reforçam a ligação ao País estão alguns dos aspetos mais simples do quotidiano. “Em Portugal, adoramos as pessoas, educadas e pacientes, a comida e o vinho. E o tempo”.
A clientela da loja reflete também a diversidade da capital. “Os nossos clientes são pessoas que vivem em Lisboa: algumas são portuguesas, outras estrangeiros que moram cá, nómadas digitais.”
Para quem procura peças produzidas de forma consciente, com materiais de qualidade e um forte componente autoral, estas duas marcas tornaram-se numa nova morada de referência na cidade. Num espaço onde convivem o minimalismo escandinavo e a robustez do workwear contemporâneo, cada peça é pensada para durar muito para além das tendências da estação.
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