Lojas e marcas

Na nova loja de Lisboa, a roupa irreverente para rapazes é feita à frente dos clientes

Fica no Príncipe Real e é uma junção de forças da YAY e da COST. É parte loja, parte atelier. Tudo aberto ao público.
É tudo assim: giro e colorido

Milena Melo sempre gostou de moda e quando foi mãe pela primeira vez, de um rapaz, sentiu que todas as roupas giras e arrojadas estavam na secção feminina. “Cerca de 70 a 80 por cento do catálogo era para raparigas e o resto, mais sensaborão, para os rapazes”, conta à NiT. Decidiu resolver o assunto pelas próprias mãos.

Formada em jornalismo e sem experiência na área da moda, achou que seria “demasiado ousado” aventurar-se logo pelo vestuário. Imaginou a YAY como uma marca virada só para rapazes e deu os primeiros passos através dos acessórios, lenços, gravatas, suspensórios, gorros. “Tudo o que pudesse dar um toque especial a um look e que não envolvesse muito tecido nem um orçamento muito grande.”

A aventura começou há cinco anos, apenas na venda online, e hoje a marca evoluiu finalmente para a tão desejada loja física, no Príncipe Real, em Lisboa — mas com um conceito diferente do habitual. Já lá vamos.

A aposta seguinte seria o vestuário, formou-se em design de moda , assumiu o papel de diretora criativa e designer e começou a criar coleção atrás de coleção. “Nunca pensei fazer roupas para rapariga porque já havia muita oferta. Para minha surpresa, as coleções de rapaz foram muito bem recebidas, as mães acharam incrível haver uma marca só para os miúdos.”

De início feitas em pequena quantidade pela mão de costureiras, rapidamente a procura obrigou a aumentar a produção e a socorrerem-se das grandes fábricas têxteis. Mas essa evolução trouxe, eventualmente, novos problemas e desafios, sobretudo como marca independente.

“Para uma marca pequena e arrojada como a nossa, produzir em fábricas é sempre muito complicado. As nossas quantidades não são as mesmas das marcas grandes, ficamos sempre para trás nas entregas”, explica a fundadora da marca. “Exigiam-nos pelo menos 200 unidades em cada encomenda, e isso é incompatível com os modelos mais ousados, que queríamos experimentar, mas não o podíamos fazer com tantas unidades.”

Foi necessário operar outra revolução na produção das peças. E ela surgiu com a entrada em cena da COST, um atelier de confeção para pequenas produções e designers independentes. Passaram a ser eles os principais produtores das peças da YAY. A relação funcionou e o casamento consumou-se com a abertura de um espaço conjunto em julho.

As fundadoras da COST e da YAY uniram forças no novo projeto

“Percebemos que havia uma oportunidade interessante, que fazia sentido encontrarmos um espaço central em Lisboa onde fosse possível aproximar os consumidores da produção”, explica Milena, 41. “O afastamento da produção é uma das razões pelas quais nos deixámos levar pela fast fashion e pela roupa descartável. Se conhecermos e virmos todo o trabalho que está por detrás de uma peça, o valor dela muda, a nossa ligação com a peça também.”

Da ideia de abrir um espaço comum de atelier que pudesse ser visitado pelos consumidores, saltou-se para a vontade de criar uma loja aberta ao público. O espaço no Príncipe Real, dividido em dois pisos, oferecia o cenário ideal.

“Era perfeito para um dois em um: num andar um showroom, no outro o atelier aberto ao consumidor”, explica.

É, portanto, ali que irá encontrar todas as peças das coleções da YAY, sempre num estilo “muito urbano, confortável e irreverente”. “Todas as estampas são desenhadas à mão por mim e têm sempre uma história”, explica Milena, que chegou a criar uma coleção focada em Fernando Pessoa. “Brincamos com muitas coisas que não são aposta comum em marcas de crianças.”

Privilegiam materiais como o algodão orgânico e reciclado ou poliéster reciclado, bem como o reaproveitamento têxtil. Uma das novas iniciativas passa pelo upcycling de materiais trazidos pelos consumidores, que podem depois ser transformados em peças únicas e com a assinatura da YAY.

“Podem trazer tecidos que tenham guardados, cortinados, colchas, até um casaco velho do avô, que pode transformar-se numas calças novas. Queremos ajudar as pessoas a reaproveitarem o que têm dentro de casa.”

Há preços e peças para todos os gostos, para miúdos dos zero aos oito anos, entre bibes, calções, casacos, sweatshirts, meias coloridas, com preços dos 7€ aos 80€.

Carregue na galeria para ver mais imagens desta nova loja lisboeta.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua dos Prazeres, 64A
    1250-184 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Segunda a sexta, das 9h às 17h. Sábado das 10h às 13h.

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