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Na Pura Cerâmica pode pintar cerâmica, aprender a trabalhar o barro e desligar do mundo

Em Alcântara, o estúdio inclui workshops de olaria, modelagem manual e roda de oleiro.

Em Alcântara, Lisboa, existe um estúdio que convida a trocar a pressa por pincéis, barro e algumas horas dedicadas a fazer algo com as próprias mãos. A história da Pura Cerâmica começou em 2022, quando Creici Spanner decidiu trazer para Lisboa um conceito que já conhecia da Alemanha: os estúdios onde qualquer pessoa pode pintar peças de cerâmica já preparadas, sem precisar de experiência anterior. A ligação que encontrou entre Portugal e a cerâmica acabou por reforçar a ideia.

“Chegando aqui a Portugal, descobri que existe uma conexão muito íntima com a cerâmica”, conta Creici, de 52 anos, à NiT. A tradição da olaria, a pintura de azulejos e a presença deste material na cultura portuguesa fizeram-na perceber que havia espaço para explorar uma abordagem mais descontraída.

A ideia era tornar a atividade acessível mesmo para quem nunca tivesse pegado num pincel ou trabalhado com barro. Em vez de começar pela aprendizagem técnica, a pessoa pode simplesmente escolher uma peça, decidir como quer decorá-la e experimentar.

O próprio nome do espaço nasceu dessa primeira fase. Na Pura Cerâmica, as peças utilizadas para pintura já passaram por uma primeira cozedura, ficando numa fase conhecida como chacota ou biscoito. São peças brancas e prontas para receber as cores, mas ainda precisam de passar por uma segunda cozedura para que o trabalho fique finalizado. “É uma cerâmica realmente crua, pura, para vir a ser trabalhada depois na parte decorativa dela”, explica. Depois da pintura, o estúdio trata do vidrado e da cozedura final, transformando o que começou como uma peça branca numa criação pronta a ser utilizada.

O conceito começou pela pintura, mas a curiosidade de Creici pelo processo que acontecia antes de a peça chegar às prateleiras acabou por levar a Pura Cerâmica para outro território. “Fui descobrindo ainda mais o universo da cerâmica”, explica. A vontade de perceber como eram produzidas as peças que chegavam ao estúdio levou-a a aprofundar conhecimentos e a estudar olaria. Foi assim que começaram a surgir novas experiências para os visitantes, desta vez com barro em vez de peças já preparadas.

Atualmente, o espaço tem workshops de modelagem manual e roda de oleiro, além das sessões de pintura. A oferta inclui ainda formatos mais específicos, como aulas contínuas e cursos de várias semanas.

A lógica mantém-se, não é preciso chegar com uma ideia perfeitamente definida nem saber exatamente o que se está a fazer. Nos workshops de modelagem, por exemplo, cada participante pode desenvolver a própria peça com acompanhamento de um professor. “Gostamos de dar a liberdade a cada um, tanto na pintura como na modelagem, de criar aquilo que lhe apetece, o que gosta ou aquilo que está pronto para fazer”, explica Creici. “Na arte não há necessidade de seguir nenhum padrão quando criamos.”

Isso significa que uma sessão pode acabar numa taça, num pequeno objeto decorativo ou numa peça completamente inesperada. A fundadora conta que já apareceram ideias mais divertidas e fora da caixa, como pessoas personalizarem canelas com os próprios traços, além das peças mais tradicionais.

Desde outubro de 2025, quando começaram a apostar nos workshops de modelagem, a variedade tem sido uma das características mais evidentes. Há quem chegue com uma ideia muito concreta e quem simplesmente queira experimentar o material pela primeira vez.

Para quem prefere começar pela pintura, a escolha também é grande. O estúdio disponibiliza mais de 100 peças, entre canecas, taças, pratos, jarras e outros objetos. Depois de escolher a peça, cada pessoa seleciona as cores e cria o próprio desenho. A Pura Cerâmica trata do vidrado e da cozedura, e a criação fica pronta para ser levantada até 15 dias depois.

Uma das preocupações do espaço desde o início foi afastar a ideia de que é preciso ter talento artístico para participar. A proposta é precisamente experimentar sem a pressão de ter de produzir uma peça perfeita. “Quisemos criar um espaço onde as pessoas possam ter a possibilidade de fazer algo artístico de uma forma mais livre, sem termos de ter grandes aprendizagens”, explica.

Durante uma sessão de barro, por exemplo, há quem se surpreenda com a quantidade de técnica necessária para criar uma peça que, depois de pronta, parece simples. A experiência na roda de oleiro pode ser particularmente reveladora. “Quando se vê uma peça pronta, não se imagina o que é o processo até ela estar nessa posição”, diz. “É uma surpresa saber o que está por trás dessas simples peças que acabamos por ver à nossa frente.”

 
 
 
 
 
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A Pura Cerâmica recebe grupos de amigos, famílias, pessoas que celebram aniversários, despedidas de solteiro e encontros, mas também quem simplesmente decide aparecer sozinho para experimentar uma atividade diferente. “A princípio, o benefício final é sempre o mesmo: sentem-se bem, não veem o tempo passar naquela atividade”, conta Creici.

A ideia de desligar da rotina é uma parte importante da identidade do espaço. Enquanto se pinta ou se trabalha o barro, é preciso prestar atenção ao que está a acontecer naquele momento. As mãos estão ocupadas, o processo exige concentração e o resto pode ficar sem segundo plano durante algumas horas. “É uma forma de nos darmos também alguns momentos de luxo, de podermos ter momentos tão relaxados e desligarmo-nos de tantas outras coisas que nos acompanham diariamente”.

É esse lado da experiência que Creici diz querer preservar. Para ela, a Pura Cerâmica nunca foi pensada apenas como uma forma de vender uma peça ou proporcionar uma atividade diferente durante uma tarde. “A intenção do estúdio nunca foi um produto em si”, afirma. “É justamente termos um espaço onde as pessoas possam realmente sair com a sensação de ter vivido uma experiência que lhes fez bem.”

Além das sessões regulares de pintura e dos workshops de modelagem e roda de oleiro, a programação inclui formatos especiais dedicados a técnicas específicas. Entre as propostas estão workshops de Kintsugi Moderno, inspirados na tradição japonesa de reparar cerâmica partida valorizando as fissuras, e de Nerikomi, uma técnica que permite criar padrões no interior da argila colorida. Também é possível participar num workshop para criar um conjunto japonês para sake, ao longo de três sessões, acompanhando diferentes etapas do processo, da modelagem à esmaltagem.

Os preços variam consoante a experiência. O Workshop de Modelagem Manual custa 40€ e dura duas horas e meia, enquanto o Clay Social Club tem um valor de 30€ por duas horas e inclui até um quilo de barro e a cozedura de uma peça de tamanho regular. A experiência de roda de oleiro para duas pessoas custa 120€ por duas horas e o curso de quatro semanas dedicado à roda tem um preço de 190€.

Há ainda workshops especiais, como o de Kintsugi Moderno, por 65€ durante duas horas e meia, e o de Nerikomi, por 70€ durante três horas.

Para quem prefere começar sem se comprometer com a roda ou com o barro, a pintura continua a ser a porta de entrada mais simples. Não há uma técnica obrigatória nem um resultado esperado. É essa liberdade que a fundadora quer manter no estúdio, mesmo com o crescimento da oferta. “A arte é muito livre, não há necessidade de seguir nenhum padrão quando criamos”, resume.

Carregue na galeria para conhecer o espaço e algumas peças da Pura Cerâmica.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Jau 23 R/c Direito
    1300-311  Lisboa
  • HORÁRIO
  • De quarta a sexta-feira das 13h às 19h e fim de semana das 10h às 16h

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