Lojas e marcas

New Talent: Matilde Horta é a jovem mais talentosa de Portugal

A ilustradora de 26 anos venceu a segunda edição do concurso patrocinado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
O futuro acabou de mudar para Matilde

Da surpresa da nomeação, passou à ação. Agarrou num par de amigos e fez-se às ruas. Mostrou o seu trabalho a desconhecidos, angariou votos, chateou dezenas de velhos amigos e a sua arte deu bons resultados: Matilde Horta é a grande vencedora da segunda edição do concurso New Talent NiT Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cuja eleição foi feita através de uma votação online que decorreu nas duas últimas semanas.

“Estava a passear na rua quando recebi a chamada a dizer que tinha ganho. Quem estava comigo viu a minha cara e perceberam logo o que tinha acontecido. Agora? Agora muda muita coisa”, conta à NiT a ilustradora eleita como a jovem mais talentosa do País com menos de 27 anos.

Se fazer parte dos 50 eleitos já tinha feito de Matilde uma mulher feliz — afinal, explica, “50 pessoas é muito pouca gente” —, chegar à restrita lista de 10 finalistas foi um feito “ainda mais incrível”.

Quando põe a caneta no papel, pode sair qualquer coisa. Um postal pitoresco, um saco de compras original, um calendário divertido. É isto que gosta realmente de fazer a artista de 26 anos formada em design na Universidade de Aveiro e em ilustração na ESAD. Entretanto apostou na carreira de freelancer para fazer o que realmente ama: ilustrar.

Para suportar a paixão, vai aceitando este o aquele trabalho de design. Afinal, “é preciso pagar as contas”. O cenário que se lhe apresenta é, agora, muito graças ao prémio, ligeiramente diferente.

“Eu queria muito agradecer à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa por esta oportunidade, fez uma grande diferença na minha carreira”, explica à NiT. 

E acrescenta: “O prémio vai permitir-me dar um salto muito grande como ilustradora. Vou poder investir em formações que sempre quis fazer, comprar material que sempre quis ter. Vai ser um impulso grande na minha carreira, naquilo que gosto e que quero fazer”.

Os 10 mil euros vão ajudar a fazer uma gestão da carreira “mais impulsiva e natural”. Na cabeça tem já um workshop de cerâmica. Só que agora, em vez de um, vai fazer “uns três ou quatro”.

“Acho que a cerâmica é um bom investimento na minha carreira, mas isto também é algo que quero mesmo fazer. Já não é apenas a parte técnica ou financeira a falar. Tantas vezes deixamos de fazer coisas de que gostamos porque não temos dinheiro ou porque não é prioridade. O prémio deixa-me explorar este lado mais artístico e impulsivo que por vezes me apetece fazer — e que até aqui não fazia.”

Enquanto não põe as mãos nas cerâmicas, o impacto da participação já se fez sentir. O “boom” na conta de Instagram foi quase instantâneo, embora refira que nem tudo é um jogo de números.

“Houve muita gente nova a ver o meu trabalho, mas nem sempre precisamos de muita gente. Basta que surjam pessoas que nós sabemos que fazem a diferença. Basta uma que valorize o trabalho, que goste de arte, para me pedir dois ou três trabalhos, não são precisos mil novos seguidores.”

Algumas das ilustrações de Matilde

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT