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No novo estúdio de Lisboa, Olesia faz tatuagens desenhadas diretamente no corpo

A ucraniana abriu o Skinlines Art Space, na Pink Street, em maio. O guarda-redes do Benfica, Anatoliy Trubin, já passou por lá.

A primeira vez que Olesia Huliaieva viu o oceano foi em Portugal. Tinha 35 anos e acabava de chegar ao País com a família, em maio de 2023, à procura de uma nova vida. Três anos depois, Lisboa tornou-se também o centro da carreira da tatuadora ucraniana, que entretanto abriu o Skinlines Art Space, na Pink Street, no Cais do Sodré.

O espaço abriu oficialmente a 1 de maio de 2026 e nasceu com uma ideia que vai além da tatuagem. Olesia queria criar um lugar onde pudesse trabalhar, mas também receber artistas e organizar eventos.

O seu percurso profissional ligado à tatuagem começou bastante longe de Lisboa. Olesia nasceu na Ucrânia e viveu durante muitos anos em São Petersburgo, na Rússia, onde a primeira motivação para tatuar não foi propriamente artística. Um familiar tinha uma cicatriz no ombro depois de uma cirurgia e Olesia queria perceber se seria possível torná-la menos visível através de camuflagem. Na altura, não encontrou ninguém que lhe ensinasse a técnica, pelo que começou pela tatuagem artística.

Foi nesse processo que desenvolveu o gosto pelas linhas finas e delicadas. Dois anos mais tarde, encontrou finalmente um mentor especializado em tatuagem paramédica e aprendeu a trabalhar com pigmentos adaptados ao tom de pele, incluindo na camuflagem de cicatrizes e vitiligo. Continua a considerar esta área especialmente importante. “Este tipo de trabalho pode ajudar as pessoas a sentirem-se mais confiantes e a olharem para o próprio corpo de uma forma diferente”, explica.

A ideia para criar um espaço próprio começou a ganhar forma no outono de 2025. Olesia foi convidada pela galeria Stronddo para participar num evento artístico. Primeiro desenhou diretamente no corpo de uma pessoa e depois transformou aquelas linhas numa tatuagem.

A experiência serviu para perceber que havia ali uma ligação que queria explorar. “A pele pode tornar-se uma tela e as linhas passam a fazer parte do corpo, da anatomia e do movimento”, explica. Foi também daí que nasceu o nome Skinlines, uma combinação entre as linhas desenhadas na pele e as próprias linhas do corpo.

Antes de abrir o Skinlines Art Space este ano, Olesia trabalhava noutro estúdio de tatuagens em Lisboa, mas quando os proprietários decidiram mudar de local percebeu que era a altura certa para avançar com o projeto que tinha na cabeça. Não queria criar apenas mais um estúdio. “Sonhava com um lugar que fosse mais do que um estúdio de tatuagens, um espaço que pudesse juntar tatuagem, artistas e diferentes eventos criativos”.

Olesia Huliaieva, fundadora do estúdio.

A tatuagem continua a ser o centro do negócio, mas a programação já começou a ir além das agulhas. O espaço recebe eventos de pintura com acrílico e sessões de sketch club, onde os participantes desenham o corpo humano ao vivo com carvão e lápis. Num desses encontros, a equipa criou pinturas inspiradas no trabalho de “O Gringo”, artista de street art que vive e trabalha em Lisboa e cuja obra também pode ser encontrada na Pink Street.

Para Olesia, esta mistura é precisamente aquilo que torna o projeto diferente. “A experiência pareceu-nos fresca e inesperada e estava exatamente alinhada com a forma como imagino o futuro do Skinlines”, explica. 

Quando se fala das tatuagens, o estilo de Olesia está sobretudo virado para fine line, freehand, minimalismo, abstração e body flow. São trabalhos que procuram seguir a forma natural do corpo em vez de simplesmente colocar uma imagem sobre a pele. “Não quero que uma tatuagem seja apenas uma imagem bonita transferida para a pele. Quero que interaja com o corpo e que se mova com ele. As linhas quase parecem dançar quando a pessoa dança”.

É também por isso que o freehand tem um papel tão importante. Em vez de preparar um desenho numa folha, Olesia desenha parte da composição diretamente no corpo, tendo em conta proporções, músculos, anatomia e movimento. “Posso planear o conceito geral antecipadamente, mas as linhas finais surgem enquanto estou a trabalhar com aquela pessoa. Para mim, é um processo muito orgânico e artístico.”

Os pedidos mais comuns passam por tatuagens fine line, pequenos símbolos, lettering, elementos botânicos, desenhos abstratos e criações personalizadas a partir de histórias pessoais. Nos projetos de body flow, a intenção é mais individual, onde as linhas atravessam diferentes zonas do corpo e acompanham a sua forma, pelo que o mesmo desenho não pode ser repetido noutra pessoa.

O espaço onde as tatuagens são feitas.

A relação com os clientes também mudou desde que chegou a Lisboa. No início, Olesia recebia sobretudo pessoas dos Estados Unidos, Ucrânia e Rússia. “Quando cheguei a Portugal, o meu estilo de composições abstratas e linhas fluidas ainda não era muito comum aqui. O público português não estava tão familiarizado com este tipo de tatuagem.”

Hoje, o estúdio tem uma equipa internacional, com tatuadores da Ucrânia, Brasil e Roménia. Cada profissional tem uma especialização diferente, entre realismo, luz e sombra, black and grey e fine line. 

A localização ajuda a criar esse ambiente internacional. O Skinlines fica na zona da Pink Street e recebe tanto pessoas que vivem em Portugal como visitantes. Atualmente, passam pelo estúdio clientes dos Estados Unidos, França, Alemanha, Países Baixos, Suíça, Reino Unido, Ucrânia, Rússia e outros países. “Por vezes, ouvimos várias línguas diferentes no estúdio num só dia. Conhecemos pessoas com origens e histórias completamente diferentes”.

Os trabalhos são feitos sobretudo por marcação. Ao fim de semana, há ocasiões em que o estúdio organiza flash days. Nesses dias, quem passa pela Pink Street pode entrar, escolher um desenho mais pequeno e fazer uma tatuagem a um preço especial. Os preços começam nos 100€ para as tatuagens regulares. Durante os flash days, os desenhos mais pequenos podem custar entre 70€ e 80€. 

O estúdio disponibiliza ainda água, café e pequenos snacks, sobretudo quando as sessões são mais demoradas. “Acredito que uma tatuagem profissional não deve ser avaliada apenas pelo tamanho ou pelo número de minutos que passamos com a máquina. Vai ficar com uma pessoa para toda a vida, por isso a segurança, os materiais de qualidade, a preparação e as competências profissionais do artista são extremamente importantes”.

Um dos momentos marcantes aconteceu com um rosto conhecido. Anatoliy Trubin, guarda-redes do Benfica e da seleção ucraniana de futebol, passou pelo Skinlines durante uma visita de um tatuador convidado de Kiev e fez uma tatuagem no estúdio. Olesia guarda ainda o autógrafo do jogador no espaço. “Estou genuinamente orgulhosa e feliz por ele ter vindo e muito grata pela confiança. Para um espaço criativo tão jovem, foi um momento particularmente importante e simbólico.”

Entre os nomes que gostava de receber está também Teddy Swims. Há cerca de dois anos, o cantor começou a seguir a conta de tatuagem de Olesia e os dois chegaram a trocar mensagens sobre a possibilidade de criar uma tatuagem durante a passagem do artista por Portugal para o NOS Alive.

Por enquanto, o objetivo passa por continuar a fazer crescer o Skinlines Art Space sem perder a ideia que esteve na origem do projeto. Olesia quer receber mais artistas de diferentes países, organizar exposições, performances, sessões de pintura e novos sketch clubs.

Carregue na galeria para conhecer o espaço e algumas tatuagens feitas no Skinlines Art Space.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Rua Nova do Carvalho 66 4.º direito
    1200-019 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda a sexta-feira das 10h às 20h, sábado das 10h às 2h e domingo das 10h à 1h

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