Assim que começou a viajar, Inês Prates ficou logo impressionada com as peças vintage que encontrava lá fora, sobretudo nos países nórdicos, onde a cultura já estava enraizada. Entre as peças de roupa únicas ou os móveis em segunda mão, começou a trazer alguns destes achados consigo.
Apesar de ainda estar a estudar geologia, já fazia upcycling, criava as suas peças e adorava coletes. Inês tem uma das maiores coleções do País com mais de 500 modelos únicos que trouxe dos destinos que visitou ao longo dos anos, como Mongólia, Irão, Guatemala ou o Senegal, por exemplo.
À medida que o seu guarda-roupa crescia, havia cada vez mais gente interessada em comprar uma ou outra proposta. Em 2012, de forma orgânica, este gosto transformou-se num negócio: começou a fazer alguns mercados, festivais de música e lançou a loja online, no mesmo ano.
“Fui uma das primeiras pessoas a fazer curadoria de vintage. Já havia muitas lojas, é certo, mas nenhuma trabalhava nessa seleção de forma a seguir um certo estilo ou estética. Hoje em dia é normal, mas na altura não era”, confessa a criativa, de 32 anos, à NiT.
Em 2024, após ter sido mãe, veio a vontade de assentar e abrir a primeira loja física, no o Largo Santo Isidoro, na Ericeira. “Foi onde conheci o meu marido e [a localização] tem muito a ver com a forma como somos e como nos movemos. Adoraria ter um espaço em Lisboa, mas o caos não é tão compatível connosco.”
A verdade é que correu bem e a Nomada Bazaar passou a ter um segundo espaço na cidade. Após dois meses de trabalho, a nova loja da marca abriu portas a 31 de janeiro com uma curadoria ainda mais cuidada de peças que a fundadora descreve como fora do comum.
“Na loja anterior, partilhávamos o espaço com um café. Nós estamos em baixo, o outro negócio em cima. As duas coisas comunicam bem entre si, mas sentimos que gostávamos de ter outro ponto de venda com porta para a rua”, acrescenta. “Acabou por surgir a oportunidade perfeita.”
Como Inês gere o negócio com o marido, o curador de arte uruguaio Carlos Bonasso, podem dividir-se entre os dois pontos. “Quando o conheci, estávamos os dois a usar coletes e foi logo um ponto em comum”, recordou Inês, na primeira entrevista à NiT.
Enquanto, na primeira loja, havia uma oferta mais abrangente, a pensar nas pessoas que procuram acessórios ou as chamadas “peças úteis”, segundo a fundadora, na nova morada há uma “mega seleção” com peças raras, muitas delas feitas à mão dentro e fora do País, e muitos coletes antigos.
A jovem começou a colecionar coletes na adolescência, quando desenvolveu uma afinidade ao movimento hippie que, nos anos 60, recuperaram o colete tradicional. “Via muitas fotos de Jimi Hendrix e dos Beatles a usarem.”

Um “universo boémio e étnico”
A experiência começa pela decoração, inspirada pelo universo boémio e étnico que dá nome ao projeto, Nomada Bazaar. Com uma parede revestida em madeira, conta com várias relíquias a dar vida ao espaço, como inúmeros quadros também escolhidos a dedo. “Há uma certa ordem, o que não é muito característico no mundo vintage. Costuma haver mais confusão.”
Para isso, contribui também a organização do casal. Os primeiros charriots, por exemplo são dedicados apenas às peças de estilo mais western como as botas cowboy, os casacos de franja ou os coletes mais diferenciados. Há muitas coisas a vir dos EUA, onde a Nomada Baazar tem vários fornecedores.
Há outra parte só branded, com peças vintage de marcas como a Ralph Lauren, por exemplo. Outra só tem propostas coloridas e padrões e há ainda um canto dedicado ao denim, onde não calçam pares de calças boho. “Tentamos criar pequenas cápsulas em cada charriot”, refere Inês.
Outro dos elementos que define esta nova loja é a zona na parte de estar, com várias máquinas de costura, onde Inês estará a fazer upcycling ao vivo. A curadora de moda também trabalha com algumas costureiras locais neste ponto que terá, em breve, um sinal em neón que diz “We do upcycling.”
“Quando olho para trás, percebo quão diferente foi a reação que tive dos portugueses. Nem percebiam muito bem o que era o mercado da roupa em segunda mão”, recorda. Agora todos olham para as calças flare ou blusas bordadas à mão que vende hoje em dia com outra perspetiva.
“Na altura, os portugueses ainda mostravam muita resistência em aceitar roupa vintage ou em segunda mão, que nos últimos anos se tornou meio trendy”, continua “E não havia sequer a curadoria das peças, a definição de um estilo, nem se criavam coleções dentro desse universo. Quis fazer isso.”
O próximo passo é o relançamento da loja online, onde tudo começou. Com a abertura do primeiro espaço físico, no ano passado, o site deixou de funcionar. Desde então, Inês não parou de receber mensagens de pessoas interessadas em fazer compras na Nomada Bazaar à distância.
Depois, quer ainda voltar a fazer festivais, dentro e fora de Portugal, e trazer cada vez mais pessoas que trabalham com moda ou com costura para o interior da loja. “Queremos que saibam que podem trabalhar aqui e ter as suas ideias expostas por cá”, conclui.
Leia o artigo da NiT para conhecer a história completa de Inês Prates.
Carregue na galeria para ver algumas imagens da nova loja da Nomada Bazaar.

LET'S ROCK







