Lojas e marcas

Fairly Normal: a marca masculina que quer trazer honestidade ao retalho de luxo

João Berberan e João Leitão despediram-se para lançar o projeto em plena pandemia.
Está tudo à venda na loja online.

A Fairly Normal é mais uma prova de que os falhanços podem mesmo ser oportunidades. No início de 2020, João Morais Leitão, de 25 anos, estava a trabalhar em marketing numa multinacional quando decidiu candidatar-se a uma vaga numa marca portuguesa. A entrevista correu mal, mas o empresário português garante que este acabou por ser um cenário feliz.

João Berberan, também de 25 anos, encontrava-se do outro lado da sala e gostou das ideias apresentadas pelo candidato. À conversa no fim da entrevista, perceberam que estavam em sintonia em relação àquilo que acreditavam ser uma falha no mercado português: não existiam marcas com preocupações ambientais e sociais que tivessem ao mesmo tempo “uma voz e uma identidade forte”, além de produzirem roupas para quem se quer vestir bem.

Foi assim que se decidiram despedir-se os dois para lançarem um projeto próprio, uma marca portuguesa de roupa masculina na categoria de affordable luxury — isto é, luxo acessível. A Fairly Normal chegou oficialmente ao mercado português a 18 de janeiro com T-shirts, camisolas, casacos e calças inspirados nas contraculturas do surf e do skate, mas também por “uma série de referências multigeracionais”, como descrevem os amigos.

“Apesar da decisão ir um pouco contra o caminho que já tinha vindo a traçar com o curso, mestrado e multinacional, senti que tínhamos as ferramentas certas para criar algo com qualidade. O João Berberan já tinha experiência na indústria a trabalhar para marcas com renome no panorama nacional e isso também nos deu confiança para avançarmos”, conta João Morais Leitão.

A ideia da Fairly Normal é “elevar as roupas do dia-a-dia” introduzindo materiais de qualidade, um design minimalista, elegante e uma atenção especial aos detalhes. Para o fazerem, trabalham com algumas das melhores fábricas do nosso País e selecionam os mesmos materiais premium usados por marcas como a Armani ou a Hugo Boss. “Baseado nisto, a marca não tem medo de assumir que vende produtos de luxo a preços acessíveis”, acrescentam.

Os esforços ambientais estão no centro do negócio, mas a Fairly Normal assume uma certa reticência em posicionar-se como sustentável. Prefere, em alternativa, assumir-se como responsável. “Greenwashing deve ser uma ótima tática de marketing, mas a verdade é que marcas de roupa sustentáveis não existem. O facto de usarmos certos materiais ou de produzirmos em Portugal não chega para nos autointitularmos como sustentáveis. No entanto, é um primeiro passo no caminho da responsabilidade”, dizem os amigos.

A primeira coleção de roupa já está à venda na loja online com preços entre os 35€ (no caso das T-shirts) e os 139€ (no caso dos casacos). É produzida maioritariamente com algodão orgânico — mas a Fairly Normal descrimina em todas as peças os detalhes e assume quando o mesmo não acontece. Para eles, o mais importante é “prestar contas” ao público e “trazer a honestidade para cima da mesa”.

Mais do que uma marca de roupa. afirmam que querem tornar-se numa plataforma onde se partilham ideias e projetos que estão a impactar a sociedade de uma forma positiva. “Cada vez mais, o consumidor procura marcas que representam algo além da roupa. São esses os consumidores que procuramos, os que não se conformam e querem questionar a norma. Os que acreditam e se identificam com a nossa voz.” A loja física, adiantam, está nos planos para abrir até ao final de 2021.

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Fairly Normal (@fairlynormal_)

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT