Criar uma comunidade artística foi o ponto de partida para a criação de um estúdio onde as tatuagens são apenas uma parte da experiência. Além dos serviços habituais, a Coffee Ink Atelier, inaugurada a 18 de julho, no Parque das Nações, em Lisboa, aposta num atendimento personalizado, na oferta de bebidas durante as sessões e, no futuro, na venda de peças artesanais, exposições e workshops dedicados às artes. Este é o conceito que Juliana Martins, de 25 anos, quis materializar no seu primeiro negócio.
“Queria que as pessoas não fossem apenas fazer uma tatuagem e depois embora. Queria que se sentissem confortáveis, que tivessem vontade de estar ali”, conta a fundadora à NiT. A ideia foi ganhando forma ao longo dos últimos cinco anos, período em que trabalhou como tatuadora em diferentes estúdios. Depois de concluir a formação na área, em 2021, percebeu rapidamente que a aprendizagem não terminava na sala de aula.
“Nunca encarei isto como um hobby. Desde o início pensei: é isto que quero fazer. Quero que seja o meu trabalho”, sublinha. Apesar de reconhecer que todos os espaços por onde passou contribuíram para a sua evolução, havia sempre algo que sentia faltar. Não era a técnica, mas a experiência proporcionada aos clientes.
“Não podia decorar o espaço como queria, nem proporcionar o atendimento que tinha idealizado. Gostava de servir um café às pessoas, criar um ambiente mais acolhedor, mas simplesmente não havia condições”.
O conceito e oferta do estúdio
Foi precisamente dessa necessidade que nasceu o Coffee Ink Atelier. Inspirou-se em alguns estúdios internacionais onde o atendimento era encarado como parte essencial da experiência, mas decidiu adaptar a ideia à sua forma de trabalhar. “Pensei: porque é que também não posso oferecer este serviço? Nunca tinha visto nada assim em Portugal e achei que fazia sentido juntar estas duas experiências”.
Embora a componente de cafetaria ainda esteja em fase de desenvolvimento, o conceito já está presente desde o momento em que os clientes entram no atelier. A identidade foi desenhada ao pormenor pela fundadora, que participou em praticamente todo o processo de construção e decoração. Os tons de verde dominam o espaço, acompanhados por mobiliário vintage, objetos antigos e peças reutilizadas, escolhidas para criar um ambiente diferente daquele que normalmente se associa aos estúdios de tatuagens.
“O verde transmite tranquilidade, confiança e conforto. Mas, acima de tudo, queria que alguém entrasse aqui e percebesse logo que este espaço tinha personalidade”, diz.
O estilo artístico acompanha a estética do atelier, onde a tatuadora se dedica sobretudo ao estilo de fine line, ou seja, traços finos e precisos que dão origem a tatuagens minimalistas e delicadas. A preferência por composições elegantes, inspiradas na natureza, em elementos botânicos ou ilustrações de pequena dimensão reflete a mesma atenção ao detalhe que procurou imprimir na decoração e na experiência proporcionada aos clientes.

Nem sempre foi fácil explicar a ideia. “Houve momentos em que ninguém percebia aquilo que eu estava a tentar fazer. Só quando tudo ficou pronto é que começaram a dizer que o espaço tinha mesmo a minha cara”.
As sessões decorrem sem pressa, existe tempo para conversar sobre cada projeto e até é possível marcar uma reunião gratuita apenas para discutir ideias. Para quem continua indeciso, há ainda um “ensaio de tatuagem”, um serviço de 30€ que permite experimentar o stencil na pele antes da sessão definitiva.
“Eu tento oferecer às pessoas o atendimento que gostava de ter recebido quando fiz as minhas primeiras tatuagens. O mais importante é que sintam que são ouvidas”.
As tatuagens têm um valor mínimo de 100€ e o espaço disponibiliza também um serviço de remoção, realizado por Paulo Mendes, de 29 anos, namorado de Juliana. Depois de acompanhar de perto o crescimento do projeto, decidiu também fazer parte do atelier e concluiu, em 2025, a formação certificada através da plataforma SIGO, passando a assumir esta especialidade. Será igualmente responsável pela componente de cafetaria quando estiver totalmente operacional.
O atelier procura reunir várias expressões artísticas
A intenção também passou por romper com a estética mais industrial que caracteriza muitos estúdios de tatuagens. “Não queria paredes pretas nem um ambiente demasiado pesado. Queria um espaço acolhedor, confortável e onde as pessoas tivessem vontade de permanecer”. A escolha do Parque das Nações também foi estratégica. Além da ligação pessoal à zona, Juliana acreditava que existia espaço para um conceito diferente naquela zona.
“A maior parte dos estúdios tem uma estética muito industrial. Eu queria criar uma alternativa, com uma imagem mais feminina e um ambiente mais próximo”. No entanto, o objetivo nunca foi que o espaço vivesse apenas das tatuagens.
Nos próximos meses, a Coffee Ink Atelier deverá receber uma seleção de pequenos criadores e artistas independentes, que poderão expor e vender os seus trabalhos. A ideia passa por dar palco a peças artesanais como bijuteria, velas, ilustrações, cerâmica, quadros, roupa vintage e outros objetos de autor.
Paralelamente, Juliana pretende organizar workshops de diferentes áreas criativas, desde cerâmica à produção de bijuteria, transformando o atelier num ponto de encontro para quem gosta de arte, independentemente de querer, ou não, fazer uma tatuagem.
“No fundo, todas estas ideias, o café, as artes, os workshops e os produtos, parecem diferentes, mas fazem parte exatamente do mesmo conceito”, diz. “Quero criar uma comunidade. Quero que as pessoas venham cá, conversem, conheçam outras pessoas, descubram novos artistas e sintam que pertencem a este espaço”.
Depois de vários anos a trabalhar sozinha, a fundadora admite que o próximo passo passa por aumentar a equipa e receber mais um tatuador residente, continuando a desenvolver um projeto que pretende afirmar-se como um atelier criativo, onde a tatuagem é apenas o ponto de partida para uma experiência mais ampla. O atendimento funciona por marcação e quando o café estiver oficialmente aberto o horário será das 11 às 18 horas.
Há já uma iniciativa marcada. No próximo dia 2 de agosto, a Coffee Ink Atelier recebe um Flash Day, durante o qual estarão disponíveis apenas os desenhos previamente divulgados nas redes sociais, com preços promocionais.
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