Lojas e marcas

O Projeto Serra é a marca de roupa portuguesa que vai tornar o local em internacional

Uma etiqueta 100 por cento nacional e local, que nasceu de uma paixão comum: as Serras de Portugal.
Imagens das quatro peças principais.

Há muito tempo que, em Portugal, se fala na valorização e investimento de marcas e projetos 100 por cento nacionais — com produção local e materiais feitos cá. Até há data, poucas foram tão longe como o Projeto Serra. A recém-lançada marca de vestuário nacional apoia não só a indústria portuguesa e as comunidades locais mas quer levar além-fronteiras, e através da roupa, a beleza dos nossos parques nacionais. 

Foi das mãos de três primos — Tiago Pinto, Ricardo Amaral, e João Duarte, com idades compreendidas entre os 30 e os 31 anos — que o projeto ganhou vida. “Isto é um negócio familiar” começa por contar à NiT, Tiago Pinto. “Somos três primos que se tornaram escuteiros quando tínhamos seis anos. E conto isto porque esta questão do escutismo está na base do Projeto Serra.  Sempre quisemos fazer algo relacionado com a natureza e que, de facto, tivesse impacto. Depois de termos tentado vários projetos que não nos enchiam as medidas, tivemos, esta ideia em 2020 quando estávamos na Serra da Freita.”

O objetivo inicial era bastante simples: criar algo, à semelhança do que já existe nos Estados Unidos da América, onde existem produtos feitos em homenagem às paisagens naturais. Contudo, e contrariamente ao que se pratica no norte do continente americano, não se limitaram a estampar ou ilustrar umas quantas T-shirts com imagens de cada um dos locais. Foram um pouco mais longe.

A marca tem também estas badeirolas.

Começaram por selecionar cuidadosamente quais seriam as áreas que iriam trabalhar, uma lista que não foi construída de forma aleatória. “A escolha das quatro serras está bastante relacionada com a nossa ligação emocional a cada uma daqueles lugares.” Partindo dessa por base, começaram por desenvolver ideias de como poderia ser cada uma das peças. Contrataram uma designer de moda para dar forma às ideias que tinham — já que todos trabalharam sempre na área da hotelaria e gestão — e foram em busca de uma fábrica que as torna-se realidade. 

Apesar de terem recebido várias propostas bem mais em conta de fabricantes estrangeiros — por menos de um terço do que custaria produzir cá — optaram por escolher uma fábrica na zona de Lousado, no Porto, para confecionar as suas peças. A esta juntaram-se ainda alguns artesãos do País para acrescentar apontamentos nas peças, a que atribuem significados especiais. 

“As camisolas foram trabalhadas com base nas memórias que cada um de nós tem das serras, para as quais tentamos transpor as tradições locais. Na camisola da Serra da Estrela, que foi onde nós na infância passamos muito tempo em família, quisermos ir buscar inspiração às pantufas que toda a gente já teve. Para isso, fomos buscar o mesmo forro e aplicamos na gola pelo de ovelha”, revela Tiago Pinto, um dos proprietários da marca.  

Camisola Freita

“Depois na Serra da Freita, onde surgiu a base do projeto, quisemos homenagear os pastores —porque conhecemos alguns com quem nos cruzamos habitualmente. Então, pegamos nas capuchas de burel que fazem parte das capas que são muito usadas por eles — aplicar aquilo numa camisola foi um grande desafio. O resultado foi uma peça muito delicada, feita em malha polar composta por 55 pura lã, à qual depois aplicamos a capucha de borel.” 

“Em relação ao Pico — que fomos buscar também para incentivar um bocadinho a descentralização e não ser tudo no continente — fizemos uma pesquisa, porque não tínhamos grande conhecimento. Percebemos a tecelagem em algodão e o vime são fortíssimos a nível de artesanato, lá. Então, o bolso da camisola é feito em algodão riscado, inspirado nos tapetes que eles têm, e o vime — depois de muitas tentativas — encontramos um artesão que aceitasse trabalhá-lo em forma de botão — que é algo bastante complicado.”

“Por fim, o Soajo, tem umas senhoras que fazem umas meias com uma lã grossas, mas que é daquela lã que pica — e que por isso não dava para usar — acabamos por ir buscar o amarelo do sol — que é forte naquela zona —  e fizemos o contraste com o burel cinza que é a homenagem à paisagem granítica e aos espigueiros que são muito conhecidos”, conta Tiago num tom entusiasmado. 

Camisola Serra da Estrela

Estas quatro peças, às quais se juntaram uma quinta durante o natal — a camisola Estrela Polar — foram lançadas no início do inverno de 2021. No entanto, não pretendem ficar por aqui. “A ideia é que o Projeto Serra seja associado a uma marca do aconchego. Mas vamos ter agora para o verão uma nova coleção, feita de sweatshirts, camisolas de manga comprida, e uma camisa larga. Além disso, vamos ter também um chapéu, e ainda uma coleção cápsula com a Nomad onde vamos incluir T-shirts.” 

Apesar de jovem, o sucesso da marca está a consolidar-se, e em breve darão o primeiro passo na internacionalização. “Fomos convidados pela ANJE para ser uma das marcas a representar Portugal na semana de moda de Londres“, afirma Tiago Pinto.

Nesta curta — mas aparentemente já longa caminhada — a marca não se esquece também de ajudar também projetos locais. Atualmente, e graças aos embaixadores que tem em cada uma das serras — que lhes dão as indicações—, parte das vendas são direcionadas para as regiões onde se inspiram.

Atualmente, todas as peças da marca — tanto as camisolas como as bandeirolas — podem ser compradas online, mas em breve vão passar a estar disponíveis também num espaço físico, mais concretamente, na The Feeting Room. Carregue na nossa galeria para as conhecer melhor as camisolas do Projecto Serra.

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