Sarette Dan não começou a costurar por paixão, mas por necessidade. Estávamos algures em 2014 quando a professora de ioga, que precisava de um saco porta-tapete para as suas aulas, resolveu aventurar-se pela primeira vez. Ficou feliz com o resultado, mas nunca aprofundou muito o hobby.
Só em 2020, na altura da pandemia, é que começou a levar o interesse mais a sério. Filha de mãe filipina e pai iraquiano, viu a loja dos pais fechar. “Não podíamos sair de casa e grande parte da clientela eram pessoas mais velhas. Agarrei na minha máquina e comecei a fazer máscaras para elas e para outros amigos”, recorda à NiT a criativa, de 36 anos.
Desde então, a sua coleção foi expandindo para coletes, bolsas e scrunchies. Lançou a OM Essence e, com o passar do tempo, chegaram também alguns casacos e saias que criam conjuntos completos com os mesmos padrões coloridos, vintage e exclusivos que apaixonam Sarette desde o início.
Toda esta oferta fica agora disponível na nova loja da marca, que abriu na zona da Lapa, em Lisboa, com slow fashion e edições limitadas. Ainda é possível encontrar as propostas em vários mercados espalhados pela capital, mas agora há uma morada que reúne todas elas.
“Queria um espaço que juntasse o meu atelier com uma área de exposição para as peças. Como faço muitas feiras, era uma ideia que estava sempre presente”, confessa. “Um dia, fui almoçar com as minhas amigas com espaços físicos abertos e, no dia seguinte, encontrei o anúncio.”
Com cerca de 25 metros quadrados, o interior do ponto de venda vai buscar a mesma inspiração que as coleções da OM Essene. Ali mistura-se o vintage com apontamentos mais contemporâneos.
Sarette explica que, há cerca de seis anos, viu uma loja de tecidos que vendia peças mais antigas e bom boa qualidade. “Eram os mais bonitos a nível visual e também os que mais condiziam comigo, com o meu estilo. Passei a frequentar também a Feira da Ladra e a procurar aqueles que mais me atraíam.”

Atualmente, todas as peças são feitas a partir de matérias-primas que vão dos anos 40 aos anos 90, com principal foco na década de 80. Quase todos estão nos seus rolos originais e ganham forma através do trabalho artesanal de Sarette, que por vezes conta com ajuda externa de uma costureira para criar artigos em quantidades limitadas.
Por vezes, a inspiração surge de fora. “Sinto-me muito ligada à cultura filipina e trago alguns tecidos de lá, feitos em teares locais”, diz. “Costumo ir de férias para França e também têm feiras onde reutilizo muita coisa. Aproveito cortinados ou colchas para fazer algumas peças, com a devida lavagem.”
Como o stock dos materiais é limitado, muitas vezes a criativa só consegue fazer uma ou duas peças de um determinado desenho. Se for de um fornecedor habitual, consegue alargar o número, “mas acaba sempre por escoar e depois não voltam”, sublinha.
Apesar deste processo, quem visita a OM Essence, encontra carteiras atuais e com moldes contemporâneos. “Quero misturar os dois universos porque eu própria não uso só coisas vintage. Ocasionalmente, gosto de acrescentar um acessório ou uma peça mais sóbria”, acrescenta.
A partir daqui, o objetivo é fazer a equipa crescer. Sarette admite que, no que diz respeito à costura, “é possível agilizar”, mas a demanda já exige mais mãos a ajudá-la. Mas sempre com a mesma proximidade. “Sou ambiciosa, mas quero ter o controlo total e gosto do facto de ser algo local. Quero que continue a ser um projeto em que as pessoas podem falar diretamente comigo.”
Além do espaço físico, as peças da OM Essence estão disponíveis através da página de Instagram com preços a partir dos 25€. Também pode consultar por lá as presenças em mercados.
Carregue na galeria para ver mais alguns exemplos de peças vendidas pela marca.

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