Quando, aos seis anos, Ana Rita Pisco entrou pela primeira vez numa retrosaria, convenceu os pais a comprar uns pedaços de tecido. Mais tarde, nessas férias, ao passar numa loja de brinquedos, levou para casa também uma máquina de costura com a qual começou a fazer as primeiras experiências, como roupa para as bonecas.
“Uns anos depois, por volta dos 10, comecei a fazer peças para mim”, recorda à NiT a jovem, atualmente com 23 anos. “Comecei cedo a pintar, a desenhar e a fazer construções com papel. Tinha interesse no mundo das artes e já apreciava revistas de moda.”
Após anos a adiar o sonho, a designer de moda alentejana lançou, em janeiro, uma marca de acessórios homónima. Com um design autoral, a Pisco destaca-se por uma coleção com carteiras que descreve como “contemporâneas, divertidas e funcionais” e totalmente feitas à mão.
A apresentação aconteceu no desfile que Dino Alves levou para as passarelas durante a 66.ª edição da ModaLisboa. Na penúltima noite do evento, a 14 de março, as criações de Ana Rita brilharam juntamente com o upcycling do criador português, com quem estagiava na altura.
“Convidou-me duas semanas antes do desfile”, conta-nos. “Tinha terminado os estudos e ia fazendo outros projetos. Criei as peças a pensar na minha linha de estreia e, juntamente com ele, vimos quais funcionariam melhor aquela apresentação. Foi muito importante para mim.

Natural de Évora, a jovem licenciou-se em design de moda pela Universidade da Beira Interior, na Covilhã. Seguiu-se o estágio no atelier de Dino Alves, onde se tornou designer assistente.
Para dar início ao projeto, Ana Rita criou três modelos: as mini bags com tecidos acolchoados, os modelos shopper e ainda alternativas mais desportivas. Começou com 25 acessórios e, neste momento, já está a trabalhar numa segunda coleção para lançar na primavera.
“Criei uma estética mais autêntica, mas com um lado divertido. Isso vê-se nas cores e nos materiais com manipulações têxteis”, diz-nos. “Uso algum deadstock, algumas redes desportivas. Apesar de terem esse ar descontraído, a ideia é que contraste com o outfit que a pessoa veste e sejam um destaque.”
As matérias-primas selecionadas por Ana Rita são maioritariamente de origem natural. Algumas são peles genuínas, provenientes do fim do processo da indústria alimentar, outras são em tecido com opções 100 por cento em algodão. Todas elas, porém, são adquiridas no comércio local.

Quanto à produção, é 100 por cento nacional e artesanal. Todo o processo é elaborado pela criativa, desde os esboços iniciais aos últimos pontos de costura, que contam com detalhes diferenciadores como debruados, texturas, fechos laterais ou cordões.
“Vi nos acessórios uma ótima oportunidade, porque realmente há mais marcas de destaque no mundo do vestuário”, esclarece, acrescentando que é, por isso, um caminho mais sustentável “Os acessórios estão um pouco esquecidos em Portugal e, na minha perspectiva, não há um investimento tão grande. Decidi ir nessa direção.”
Desde a apresentação, o projeto cresceu ao ponto de Ana Rita vender mais de metade da peças. O objetivo, agora, é ter uma rede de clientes maior, formar novos contactos na indústria e garantir que as pessoas reconheçam os seus acessórios.
“Futuramente, quero ampliar estes produtos, ter uma loja online e vender para outros espaços”, conclui. E até pondera introduzir peças de vestuário ao seu portefólio, mas através de uma segunda etiqueta. A Pisco será sempre de acessórios, mas já idealiza peças para styling.
Neste momento, todas as peças podem ser compradas através da página de Instagram. Os preços variam entre os 59€ e os 120€.
Carregue na galeria para descobrir algumas das propostas.

LET'S ROCK







