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Lojas e marcas

Pop Closet: nova loja de roupa em segunda mão de Lisboa esconde uma galeria de arte

Em plena Rua Garrett, o espaço compra, vende e troca peças. Pode explorar pop ups no interior ou beber um copo na esplanada.

É preciso atravessar um corredor bastante discreto, mas cheio de flores, para encontrar o pequeno largo que se esconde em plena Rua Garrett. Quem entra pelo número 19, onde antigamente funcionava a Casa Jerónimo Martins, encontra agora um ninho ao ar livre para múltiplas marcas de moda.

Foi lá que esta quarta-feira, 5 de novembro, António Branco se instalou com a Pop Closet e a sua curadoria de peças em segunda mão. Após vários anos na zona do Sacramento, o conceito mudou-se para um espaço com 250 metros quadrados e que permite a compra e venda de artigos.

A expansão para este espaço maior surge do “enorme progresso” que o proprietário, de 57 anos, sentiu em relação a este nicho, desde que abriu o primeiro ponto de venda, em 2019. “O facto de termos muito turismo, e de recebermos pessoas habituadas a esta ideia, trouxe uma maior abertura. Com ela, veio também a necessidade de alterações”, explica à NiT.

Agora conta com 260 metros quadrados ao seu dispor, que dividiu em duas categorias de vestuário. Uma parte é sobretudo dedicada a peças de streetwear, geralmente mais acessíveis, enquanto a outra será uma divisão com “produtos diferentes” e geralmente virados para o segmento do luxo.  

“A curadoria vai ser um pouco mais apertada. Vamos restringir o tipo de artigos e apostar mais em peças de autor, de grandes marcas ou com uma qualidade excelente. Queremos trazer novidades que têm algo para dizer aos nossos clientes”, acrescenta António.

Se, por um lado, encontra etiquetas como Chanel, Dior, YSL ou Louis Vuitton, entre outras, a Pop Closet também dá o devido destaque a referências mais emergentes e que fazem sucesso entre diferentes públicos, como a Acne Studios. Desde o início, os olhos estão postos nas marcas mais procuradas.

Para esta curadoria, António conta com uma sólida bagagem. Durante os 20 anos que viveu em Nova Iorque, nos EUA, não deixou nada por viver. Enquanto stylist e consultor de moda, desenvolveu projetos com designers, fotógrafos e produtores de várias partes do mundo. E não deixou as lojas vintage do outro lado do oceano por desbravar, apaixonando-se pelo conceito.

Só saiu de lá para se mudar para o Brasil onde, durante três anos, ocupou o cargo de editor de moda na “GQ”. Assim ficou até que, “como bom português”, acabou por fazer as malas e regressar a Portugal. Já não queria trabalhar em revistas e começou um negócio próprio. 

“Quando vivia em Nova Iorque, era cliente de várias lojas deste género e usava muitas. Na altura, senti que ainda faziam falta em Lisboa”, explica. “Havia algumas, sobretudo vintage, mas não tinham peças contemporâneas. Fazia falta o sustentável, mas mais atual.”

Surgiu então um “projeto pessoal e diferente”, há nove anos, ao qual se seguiu um segundo espaço, há cerca de três anos, mais virado para a curadoria de luxo. “Achámos que os clientes não se misturavam. Aquele que queria as peças acessíveis não era o mesmo que pagava os preços elevados.”

António viveu fora 20 anos.

Ambos fecharam para dar lugar a este novo ponto de venda, onde essa linha é esbatida. Os clientes encontram tudo sob o mesmo teto. Na verdade, encontram bem mais do que roupa. A par de roupa e acessórios, oferecem peças de decoração e coffee table books sobre moda, arte e design, também eles em segunda mão.

O que não mudou é a venda por consignação. Qualquer pessoa pode trazer peças, é oferecido um valor e, no final, pode ser colocada à venda. Mas, calma, há alterações: a partir de agora, a Pop Closet irá também começar a comprar artigos na hora.

A decisão foi natural. “Havia muita gente que nos queria vender e não queria pensar mais naquela peça. Queria desprender-se ela de uma só vez, então achámos que podíamos criar esta situação para trazer mais visibilidade para o negócio”, diz. “Quem quiser, vem até nós e, na hora, fica acordado.”

Um momento para a arte

A nova morada traz várias outras novidades para o universo da Pop Closet. A principal é que haverá um charriot que será alugado, semanalmente, para pop-ups de designers ou artistas que queiram expor excedentes de coleções ou artigos em segunda mão neste espaço. “Estamos a viver uma fase em que é bom apostar em projetos colaborativos, permitir a outras pessoas participar.”

Para aproveitar o pé direito generoso, António decidiu que o novo conceito da marca teria de ir além de uma loja de roupa. Resolveu então criar uma galeria de arte e irá receber várias pop ups de arte com curadoria própria. A primeira será a irmã do fundador, Cat Castelo Branco.

Por um lado, “é um espaço com caráter industrial, em cimento armado, e com um um aspeto ligeiramente acabado”, continua. “Decidimos introduzir peças de mobiliário vintage e especiais, como um balcão de ourivesaria. A visão era uma mistura entre o clássico e o moderno.”

Como, por fora, o edifício “não tinha nada que chamasse à atenção”, decidiram também criar uma fachada marcante, para cativar quem passa na Rua Garrett. Apostaram no mesmo espírito industrial, conseguido através de caixas de luz, e não passa despercebido. Mesmo num pátio fechado.

À entrada da loja, criou-se ainda um espaço que funcionará como esplanada durante a primavera. Mais uma vez, o objetivo é que o bar possa ser alugado em regime temporário para quem quiser fazer o lançamento de alguma bebida ou apresentar um produto.

“Além de uma loja, que seja um espaço de visita. Como estamos no Chiado, vale a pena haver um espaço que as pessoas querem descobrir”, resume António, que não nega a ambição de poder abrir um espaço fora da capital. “Se acontecer, será algo semelhante no Porto.”

 
 
 
 
 
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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Garrett 19
    1200-203  Lisboa

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