Maria Lopes sabe que não é um caso isolado. Todos os anos, pela altura do verão, a jovem de 20 anos tinha dificuldade em encontrar biquínis com os quais se sentisse bem, por ter um corpo que considera “fora do padrão”. A oferta era ainda menor quando tentava encontrar modelos com designs diferentes.
Cansada de pedir mais diversidade, decidiu avançar com a Puani. Lançada a 8 de maio, é a mais recente marca portuguesa de swimwear que, entre cores e padrões, dá resposta a esta lacuna. A primeira coleção conta com vários modelos de fatos de banho e conjuntos completos de biquíni com um espírito tropical.
“Sempre quis ter um projeto meu”, conta à NiT a estudante de direito na Universidade Lusófona, que contou com o apoio da mãe desde o início. “Ela acompanhou o processo todo e foi um apoio enorme.”
Além dos modelos funcionarem tanto em corpos magros como plus size, também contam com sustentação para peitos maiores ou menores. “O objetivo é tentar chegar ao maior número de mulheres possível. Toda a gente devia sentir-se representada, independentemente da sua aparência.”

Quanto à escolha das matérias-primas recicladas, explica, deve-se ao desejo de trabalhar com um lado mais ecológico “e refletir esses valores na nossa marca”, ainda que, numa fase inicial, os tecidos venham de fornecedores internacionais. “Conseguimos implementar esta filosofia desde o primeiro dia.”
Na escolha destes materiais, Maria opta sempre pelo maior número de cores possíveis. “O verão, para mim, está associado a cores e a alegria, mas continua a haver muito mais coleções que apostam em básicos”, continua. “Os padrões tropicais têm a ver com o meu gosto e com a falta no mercado.”
A Puani, cujo nome nome vem da palavra havaiana “pua”, que quer dizer “flor”, destaca-se ainda por ser inteiramente produzida em Portugal, desde a modelagem à confeção final. A fundadora trabalha lado a lado com um atelier em Lisboa, composto por quatro costureiras, que idealizam e ajustam os desenhos.
“Temos tido um feedback positivo”, diz Maria, que recebeu também mensagens de pessoas com deficiência. Tudo porque apostou numa modelo com trissomia 21 para fazer parte da campanha, mostrando que a coleção é mesmo para toda a gente. “Havia muitas mulheres que não se identificavam com o que havia por aí.”
Para chegar a cada vez mais gente, Maria já tem o calendário cheio com mercados de verão, entre junho e agosto, de norte a sul do País. O primeiro acontece já a 6 de junho, em Braga, e depois pretende levar as peças para outras cidades, permitindo a várias mulheres vê-las de perto.
A primeira coleção da Puani está disponível no site da marca. Os preços variam entre os 75€ e os 91€.
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