Lojas e marcas

Quadrifoliae: as mochilas de lã portuguesas para os amantes de cor

A marca alia a paixão pela natureza e pela portugalidade nos seus produtos, que também incluem T-shirts.
Os produtos têm uma estética jovem e otimista.

O amor à lã, nomeadamente o tradicional burel, tem movido muitos projetos que fazem da cultura portuguesa uma medalha de honra. Este carinho está na base da harmonia geracional notória na Quadrifoliae, a nova marca portuguesa que se distingue pelas mochilas coloridas. Apesar da diferença de idades entre os membros fundadores, as diferentes perspetivas resultam em consonância. Olímpia, Ricardo e Manuel Maria, o elemento mais novo, formam um consórcio em que todos têm direito a fazer ouvir a sua voz.

“Isto nasceu fruto daquela madrinha que nós tivemos e com a qual ainda convivemos, que se chama Covid-19”, começa por contar Olímpia à NiT. Foi essa madrinha universal, como a criativa designa a doença, que fez com que muita gente trocasse de emprego. Foi o que aconteceu com um dos membros da equipa, o Ricardo, que decidiu experimentar fazer aquilo que realmente gosta. “A genialidade que ele tinha no âmbito do desenho, como autodidata, foi posta à prova”, menciona a colega.

A Quadrifoliae arrancou no início de abril, após um ano de pesquisa e de aprendizagem de um léxico completamente novo. “Sabia lá eu o que eram precintas”, brinca. O nome é uma alusão ao trevo de quatro folhas, um símbolo da sorte, que se enquadrou na perfeição na etiqueta bucólica criada pela tríade: “O nome, em latim, agrega várias declinações do adjetivo quadrifolius: o nominativo (do sujeito), o genitivo (da posse), o dativo (complemento indireto) e o vocativo (empregue para chamar ou invocar”, explicam no site.

Uma identidade singular

Inicialmente, a equipa equacionou a possibilidade de incluir mais produtos no seu catálogo. No entanto, tratava-se de “um só, os três não conseguiam navegar” e ficou estabelecido que as mochilas de burel seriam o core do negócio. Com a sua identidade jovial, mas exigente, passaram a trabalhar em desenhos felizes, “que evidenciavam conforto e que davam alguma segurança”.

“Não concorre com as mochilas técnicas, nem as para levar para a escola, é um outro tipo de linguagem”, sublinha Olímpia. A Quadrifoliae baseia-se no uso estratégico da cor e nos materiais — a identidade da marca. “Nós já somos um povo cinzento e quando vemos as pessoas a saírem do comboio vemos uma mancha preta. E não faltam mochilas escuras”, diz. Ao usarem as cores das ovelhas bordeleiras, mais neutras, o objetivo passa por misturar com linhas ou detalhes que funcionem como um ponto de fuga para a tranquilidade ambicionada para o desenho final.

Surgindo sempre em quatro cores distintas — o amarelo, o azul sulfato, o rosa coral e o verde alface — as mochilas apresentam quatro modelos diferentes. Pode escolher entre o Cabreira, o Estrela, o Pastora e o Picota, distinguindo-se pelos detalhes nos fechos, bolsos e botões.

Um dos próximos lançamentos é a “Estrela Quadricolor”, uma mochila que mistura os quatro tons disponibilizados pelo projeto e que, até agora, usavam de forma isolada. As cores misturam-se e o artigo torna-se mais uma prova da paixão a etiqueta nacional pela cor.

O novo modelo ainda não está disponível no site, mas vai fazer furor.

O burel, o tecido artesanal proveniente da Serra da Estrela, é o reflexo do amor dos fundadores pelos animais e pela natureza. No entanto, o cunho nacional não se reduz à lã: “Não usamos só o burel como algo português, também usamos a cortiça no logótipo com a fragilidade que a matéria-prima oferece. A impressão não será igual em todos os logótipos”.   

Para não ficarem limitados a um só produto, acrescentaram as T-shirts ao catálogo. “[Foi] uma oportunidade de mandar cá para fora a paixão que tenho com Voltaire e com Séneca”, esclarece. Em cada uma, ecoam as célebres palavras do iluminista francês: “le paradis terrestre est où je suis”. Devido à portugalidade, um denominador comum entre os três, também Fernando Pessoa e Camões foram uma fonte de inspiração.

Construir um legado através do espírito criativo e do trabalho manual vai muito além do lucro que possam obter com a insígnia. E, desta forma, Olímpia não tem dúvidas da forma como quer que a Quadrifoliae seja lembrada um dia: “Que coisas tão giras. E que gente tão honesta”, responde. “Não temos que passar por cima de ninguém, queremos ajudar os nossos compatriotas e não queremos molestar os animais”.

Carregue na galeria para ver algumas opções presentes no site da marca. O preço das mochilas variam entre os 85€ e os 105€, enquanto a T-shirts podem ser compradas por 30€.

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