Lojas e marcas

A queda de um mito? Os sacos de pano podem não ser assim tão ecológicos

Um novo estudo da Deco prova que mais importante do que o tipo de saco, é a forma como o usamos.
Pense muito bem

As contas de somar e de subtrair da sustentabilidade são sempre complicadas, mas parecia pacífico afirmar que um bom velho trolley bateria qualquer saco de compras. A verdade é que pode não ser bem assim — e que o seu uso só compensará, por exemplo, ao fim de 742 utilizações, mais de dois anos de uso diário.

Esta é apenas um dos dados revelados pelo mais recente estudo da Deco Proteste, que em conjunto com as congéneres belga, italiana e espanhola, procurou avaliar o impacto ambiental dos diferentes sacos de compras. A análise avaliou fatores como os materiais usados, o uso de tinta e corantes ou peso e volume, entre outros.

Ao fim de um teste que pôs à prova 96 amostras de sacos, a Deco tentou avaliar o ciclo de vida de cada um e o seu impacto. Tudo isto para criar uma forma fácil de classificação dos artigos.

Cada um dos sacos, sejam de plástico, pano ou papel, deixam uma pegada, têm um custo ambiental para a sua produção. Portanto, para abater esse custo, cada um deles terá que ser reutilizado as vezes suficientes para o compensar. Isto significa que, no estudo da Deco, quanto maior a pegada, maior o número de reutilizações serão necessárias.

Voltando ao trolley, trata-se de um saco mais robusto, mais complexo de criar e, portanto, exige 742 utilizações até que a sua produção seja compensada. Um saco de algodão biológico exige 149 utilizações — o valor mais elevado de todos os sacos testados, à exceção do trolley, o que o torna na opção com pior pegada.

Por sua vez, um saco de plástico tradicional precisa apenas de uma a duas utilizações para atingir esse fim. Um dado curioso, quando comparado com os sacos de papel, que devem ser usados pelo menos sete a nove vezes. E é aqui que o estudo envolve outros fatores mais humanos, como é o caso, por exemplo, dos nossos hábitos.

É comum que por vezes nos esqueçamos dos sacos reutilizáveis em casa, havendo até quem, em boa consciência, opte por comprar um novo saco de pano, fugindo dos plásticos. Neste caso, contudo, a nível ambiental fará mais sentido trazer excecionalmente um de plástico que, reutilizado mais um par de vezes, levará o saldo a zero. Se acumular sacos de pano que exigem centenas de utilizações para compensarem a sua criação, estará a fazer mais mal do que bem.

O estudo da Deco incide bastante sobre os sacos de algodão biológico, que acusa de serem o mais prejudicial. “Para produzirmos um quilo de algodão orgânico, necessitamos de mais espaço, ou seja, 30 por cento de solo adicional, porque a sua produção não é tão eficiente quanto o do seu congénere. É verdade que não se utilizam pesticidas nem fertilizantes, mas este ganho ambiental não é assim tão significativo quanto se poderia pensar — a utilização do solo tem mais impactos”, nota a Deco.

A lista prossegue com os sacos de algodão regular, que precisam de ser usados 101 vezes; os sacos de juta 37 a 66 vezes; os sacos de ráfia três a quatro vezes; os e poliéster duas a três; e os de plástico no máximo duas.

O truque para uma melhor utilização dos sacos de compras passa por perceber o perfil de cada um. “Escolha o saco mais adequado ao seu perfil, desde que não lhe dê mesmo um só uso. E evite os de algodão e juta.”

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT