Lojas e marcas

Quem disse que os bouquets têm de ter flores frescas? A Mosqueteiras fá-los em croché

A marca aposta em flores decorativas, com possibilidade de personalizar as peças. E ainda inclui ramos verdadeiros de eucalipto.

Um novelo azul, comprado pela mãe numa altura em que Daniela Esther Sentinella se sentia desanimada, acabou por dar origem a um negócio onde as flores são eternas. A brasileira começou por aprender macramé para fazer porta-chaves, mas acabou por encontrar no croché uma nova forma de dar asas à criatividade. Hoje, transforma linhas em ramos de lavandas, girassóis, cravos e outras flores que ganham um detalhe inesperado: são presas a ramos verdadeiros de eucalipto.

É essa combinação entre o trabalho manual e os materiais recolhidos na natureza que distingue a Mosqueteiras, nome dado ao projeto criado por Daniela em 2022. Cada peça é feita à mão e passa por um processo que pode demorar menos de uma hora ou ocupar praticamente um dia inteiro de trabalho.

Natural do interior de São Paulo, no Brasil, Daniela mudou-se para Portugal em 2018, depois de terminar a formação em Comunicação Visual, com especialização em Marketing. Já no nosso País, continuou a estudar Design e entrou no mercado de trabalho em Leiria, onde ainda vive.

A criatividade sempre fez parte da sua vida. Desde os 12 anos que fazia cursos ligados ao design, passando pelo webdesign e pela fotografia. No entanto, depois de vários anos a trabalhar numa empresa, começou a sentir a necessidade de criar algo próprio. 

Daniela, de 29 anos, começou a desenvolver trabalhos manuais através do novelo de macramé dado pela mãe e as propostas estavam ainda longe de ser ramos de flores. “Eu queria fazer chaveiros [porta-chaves]. Era só isso que eu queria fazer”. Assim, nasceu o nome Mosqueteiras, porque, para criar um porta-chaves é necessário um mosquetão, isto é, um gancho metálico. 

Das experiências em macramé às flores que nunca morrem

Nos primeiros tempos, Daniela experimentou diferentes possibilidades. Fez carteiras, suportes para plantas e outras peças em macramé e croché. A marca ainda estava a descobrir o seu caminho. “No começo das Mosqueteiras ainda estávamos a descobrir o que queríamos fazer”.

Até que, numa das primeiras feiras onde participou, decidiu levar algumas flores feitas em croché. Criou um pequeno estendal colorido na banca e reservou-lhes um espaço especial. “Não vendemos nenhuma flor, mesmo assim pensei que seria algo diferente para apostar”, conta à NiT. 

Daniela sempre gostou de flores, mas nunca comprava porque morriam. As versões em croché permitiram decorar e colorir a casa durante mais tempo, por isso  tornou-se a oferta criativa das Mosqueteiras, recorrendo às habilidades para criar bouquets memoráveis.

Atualmente, Daniela observa flores verdadeiras para perceber como pode recriá-las com linha e agulha. Algumas são estudadas pétala a pétala. Quando quis desenvolver uma íris, por exemplo, tentou “ler” a flor: colocou-a sobre uma mesa de luz, cobriu-a com papel vegetal e começou a desenhar o percurso dos pontos.

Segue-se uma fase de testes, erros e adaptações até chegar ao resultado pretendido. Daniela regista num caderno os processos necessários para criar cada flor.

O conhecimento também tem influências familiares. Quando era criança, observava a avó a fazer croché e chegou a experimentar alguns pontos. Mais tarde, foi a tia quem lhe voltou a ensinar a técnica com mais calma. “Foi ela que teve a paciência de dizer: Isto é uma correntinha, isto é um ponto alto.” A tia continua ligada ao projeto e ajuda tanto na produção como nas feiras. “É a minha fiel parceira, a minha fiel escudeira”.

O ramo de eucalipto é o detalhe que faz a diferença

A fundadora percebeu que precisava de encontrar uma forma de se distinguir. Nas feiras, via muitas propostas semelhantes, normalmente construídas com arame ou hastes artificiais. Queria que quem olhasse para uma flor percebesse que há uma identidade própria.

A resposta acabou por surgir de forma natural. Em vez de utilizar os habituais caules de arame, Daniela começou a integrar ramos verdadeiros de eucalipto nas peças. No início, recolhia galhos que encontrava perto do Mosteiro de Alcobaça, onde vive. “Eu dizia: Estes galhos têm história, porque são ali do mosteiro’”.

Com o crescimento do projeto, passou a procurar mais material nas zonas próximas da Nazaré, onde existem várias áreas com eucaliptos. Os ramos são recolhidos do chão, sem cortar árvores, e depois passam por uma seleção cuidadosa. Nem todos servem. Daniela recolhe os que estão secos e que não vão comprometer a estrutura ao ser cortados. “Não posso fazer com galho molhado, porque pode apodrecer. Não pode ser um galho tão fino, porque pode quebrar”. Depois de escolhidos, remove espinhos, pequenas imperfeições e tudo o que possa tornar a textura desagradável ao toque. 

A intenção é manter a madeira o mais natural possível. O resultado junta dois universos aparentemente opostos: a delicadeza das pétalas feitas em crochê e o aspeto mais rústico e irregular do eucalipto.

Cada flor exige um tempo diferente de trabalho e é também por isso que os preços variam. A lavanda é uma das mais procuradas e acessível. Custa 5€ euros e demora cerca de 45 minutos a ser feita. Há ainda begónias por 7,50€, cravos por 12€. Por ouro lado, o girassol é mais demorado. Só a parte em crochê pesa cerca de 85 gramas e a criação pode demorar mais de seis horas de trabalho. O preço é de 37€.

As flores podem ser compradas individualmente, mas uma das propostas mais especiais das Mosqueteiras são os bouquets personalizados. O processo começa com um formulário onde a pessoa explica para quem é o presente e o que pretende dizer. A partir daí, Daniela ajuda a construir uma composição com diferentes flores e significados.

Este serviço permite refletir no bouquet a história que o cliente quer contar. Os acabamentos necessários, além da escolha das flores, têm o valor adicional de 3€.

Entre as opções da marca há, por exemplo, um bouquet chamado “Você me irrita, mas eu te amo”, acompanhado por uma história pensada para tornar o presente ainda mais pessoal. É também essa possibilidade de contar histórias que Daniela quer continuar a explorar.

A Mosqueteiras tem flores para oferecer, decorar a casa ou assinalar uma ocasião especial, mas o objetivo é que cada ramo possa significar algo para quem o recebe. Cada pedido é feito através da página de Instagram, onde estão os diferentes formulários: flores para casamentos, flores para eventos ou empresas e os bouquets personalizados

Carregue na galeria e descubra as peças que Daniela já desenvolveu e pode se inspirar para uma possível compra. 

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