Lojas e marcas

RE.para: o novo projeto onde pode vender a sua roupa usada

A ideia é promover a sustentabilidade da moda e a circulação das peças.
Para comprar ou vender

Aquilo que é lixo para uns pode ser um tesouro para outros. Quantas vezes já ouvimos esta ideia? A verdade é que isso realmente acontece e o mundo da moda sabe disso.

Muitas vezes temos no armário peças que já não nos servem, que deixaram de se enquadrar no nosso estilo ou que passaram de moda. Ocupam espaço e o melhor é desfazermo-nos delas. Foi o que muita gente fez, por exemplo, no início do primeiro confinamento, em 2020.

Uma vez que vamos retirar da nossa coleção essas peças, porque não vendê-las, dar-lhes uma nova vida e ainda por cima ganhar algum dinheiro com isso? Este é mais ou menos o conceito da RE.para, uma nova loja online onde pode vender a roupa que já não quer.

O projeto começou a ser pensado há alguns meses, foi lançado no início de fevereiro e a 12 do mesmo mês ficou pronto o site. Por trás de toda esta ideia estão Mariana Costa, de 24 anos, e Alisha Madatali, de 23 anos. As duas amigas de Lisboa são formadas em Gestão e especializadas em Empreendedorismo.

Percebe-se. Mariana trabalha numa empresa de tecnologia e Alisha numa empresa de consultoria. Em conversa surgiu a ideia de criarem o próprio negócio, que para já funciona apenas em paralelo com os seus empregos principais.

“A RE.para surgiu durante uma conversa de almoço sobre ideias de negócio e sobre os problemas inerentes à indústria da moda (uma área que já interessava a ambas) – poluição, consumismo desmesurado, problemas sociais e económicos nos países em que as roupas são produzidas, entre muitos outros”, explicam à NiT.

Esta é uma área pela qual Mariana se interessa há algum tempo, comprando vários artigos em segunda mão e apoiando as marcas mais pequenas. Por seu turno, Alisha começou mais recentemente a preocupar-se com o impacto do seu consumo. Juntas, tentam agora mudar padrões de consumo e criar hábitos mais amigos do ambiente.

O projeto RE.para distingue-se então pelo foco na qualidade das peças e na sua possível vida útil. O que fazem é uma espécie de curadoria e seleção das melhores peças para vender no site, sempre a um preço justo e com a maior comissão da venda para o vendedor. Ao mesmo tempo, fazem toda a recuperação das peças que seja necessária, como por exemplo tirar borbotos, coser botões, arranjar o salto de um sapato ou o que seja preciso.

“Não queremos só que as pessoas comprem por comprar, queremos que parem para pensar porque o estão a fazer. Muitas vezes compramos por ser barato e não pensamos no porquê: será que precisávamos realmente disto? Através da RE.para, queremos que as pessoas compreendam que comprar em segunda mão é, de facto, um dos passos no caminho da mudança e que não, não é um bicho de sete cabeças. Há artigos praticamente novos que podemos adquirir em segunda mão.”

O processo de venda é simples: basta preencher o formulário disponível no site com os detalhes das peças que quer vender. Depois, é agendada a recolha dos artigos que vão para avaliação. Quando esta está feita, o vendedor recebe o orçamento onde fica a saber o valor de cada peça e a sua comissão. Se aceitar, as peças são fotografadas e colocadas à venda.

Para quem quiser comprar, o processo é semelhante ao de uma qualquer loja online. Só precisa de selecionar os artigos que pretende, indicar os dados necessários e pagar. O envio demora entre dois a cinco dias úteis e esse é um dos pontos que pretendem acelerar, porque “ninguém é fã do tempo de espera entre efetuar uma encomenda e receber a mesma em casa”.

Embora o conceito seja simples e a forma de trabalho também, não se pense que criar este projeto em plena pandemia não foi desafiante. Porque foi.

“Muitos processos não foram tão diretos ou claros como quando está tudo “normal”. Tivemos alguns atrasos relacionados com a pandemia, mas nada que não se consiga dar a volta. A grande vantagem de ter um pequeno negócio online é que não é necessária uma grande estrutura física – basta um ponto para armazenar a roupa, os nossos portáteis e uma grande vontade de fazer acontecer. Por outro lado, vemos a pandemia como uma oportunidade.”

Ainda assim, acreditam que esta é a altura ideal para lançar a ideia no mercado e para tentar gerar a mudança em relação ao consumo de moda. Para o futuro há já alguns planos mas ainda não foram passados para o papel.

“É o nosso primeiro projeto e sabemos que, ao longo do processo, muitas mudanças vão ocorrer, por isso, além do planeamento necessário, queremos também que as coisas surjam naturalmente. Este também é um dos nossos lemas e formas de estar na vida e que nos permitiu chegar aqui.”

Neste momento, o site do RE.para conta com cerca de 400 peças para a sua primeira coleção. Os preços médios variam entre os 20€ e os 40€ mas, claro, há peças mais baratas e outras mais caras.

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