Lojas e marcas

Ro Archive: a nova marca de streetwear que nasceu da criatividade de um pintor

Todos os padrões são coloridos à mão e as silhuetas são inovadoras. Cada proposta é uma verdadeira obra de arte.
Fotografia: Elisabete Magalhães

Afirmar que a moda é uma forma de arte ainda suscita discussão. Seja qual for o seu lado da barricada neste debate, a verdade é que existem cada vez mais projetos que trazem novos argumentos para a discussão. Antes de uma peça de roupa estar finalizada, existe um longo processo criativo para a idealizar — e a inspiração pode surgir da pintura, escultura, da literatura ou do cinema.

Para Rodrigo Ramalho, de 26 anos, o vestuário anda de mãos dadas com a arte urbana. O jovem estudou pintura, mas decidiu explorar novas valências e virou-se para a moda. Em menos de um ano, desenvolveu a sua própria marca de streetwear e, no dia 15 de janeiro, a Ro Archive chegou ao mercado nacional.

“Quando comecei a idealizar o projeto, ainda estávamos em pandemia e não sabia o que queria fazer”, conta à NiT. “Não me apetecia continuar com a pintura profissionalmente. A paixão continua comigo, mas precisava de arranjar algo que visse como carreira.”

Decidiu então tirar o curso de Design de Moda na ETIC, em Lisboa, e arranjou logo um estágio com a designer bósnia Lidija Kolovrat. Durante vários meses, trabalhou com um dos nomes mais sonantes da moda nacional. Gostou da experiência, mas queria mais. Um desejo que o levou a criar o seu próprio projeto.

“Percebi que conseguia ter uma visão artística e, ao mesmo tempo, compromete-la em prol de um cliente”, explica. Algo que não sentia em relação à pintura, que considera uma forma de expressão “muito íntima” e muito virada para a introspeção.

Mudou de arte, mas não abandonou o estilo que desenvolveu. As suas pinturas eram muito gráficas, “semelhantes a um cartoon” e as peças que hoje cria também o são. Em todas as propostas brinca com volumes e silhuetas, “que podem parecer estranhas”, com o objetivo de desconstruir um casaco ou um par de calças, por exemplo.

Rodrigo desenha modelos a pensar na faixa etária entre os 25 e os 35 anos para serem usados no dia a dia. Apesar do aspeto inacabado, “que deixa os clientes um pouco inquietos”, as peças são criadas para serem intemporais — sem perderem a ousadia que caracteriza o estilo do jovem designer.

Os estampados, inspirados no mundo do graffiti e da street art, são outro dos destaques. “Todos os padrões são pintados à mão por mim. Não são impressos em máquinas” conta. “Fui buscar ilustrações a alguns trabalhos antigos que voltei a explorar, ou seja, são pinturas realmente únicas.”

Além dos desenhos, também é o fundador da marca que constrói todas as peças no seu atelier. A Ro Archive é, por isso, uma espécie de one man show: “Faço um pouco de tudo porque é um processo muito orgânico. Começo com uma pela com linhas simples e começo a cortar e a coser”.

Até conseguir dominar este método de trabalho, a que chama de “construção pela destruição”, o designer precisou de muitas horas de tentativa e erro. Quando terminou o curso, em 2021, passou logo a trabalhar sozinho e a desbravar possibilidades.

Lançada a marca, e com uma identidade tão vincada, o objetivo é lançar quatro coleções-cápsula por ano. Ao fugir da sazonalidade habitual ligada às estações quente e fria, o designer consegue “contar uma história”. O próximo lançamento está previsto para abril.

A primeira coleção da Ro Archive está disponível no site da marca e os preços variam entre os 45€ e os 360€. Carregue na galeria para conhecer as propostas.

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