Lojas e marcas

Santo Infante: a nova loja do Príncipe Real é uma casa à portuguesa com dois andares

O espaço temporário foi inaugurado pela marca de design português a 18 de novembro. As portas estão abertas durante um mês.
Todas as marcas são portuguesas.

No final de 2021, a marca de design português Santo Infante comemorou o Natal com uma loja temporária em Santos. O sucesso da primeira edição, quatro meses depois de terem aberto o primeiro atelier, levou os dois irmãos por trás do projeto a explorarem outro bairro lisboeta. Desta vez, o ponto de venda pop-up irá funcionar no número 23 da Travessa do Monte do Carmo, no Príncipe Real (Lisboa) entre 18 de novembro e 18 de dezembro.

Não foi preciso muito tempo para a dupla se tornar uma referência na capital. A morada permanente da Santo Infante fica numa zona comercial mais pacata, no número 23B da Avenida Infante Santo, em Alcântara. Abriu no verão de 2021 quando os irmãos Paz e Gonçalo Braga, de 41 e 46 anos, se reencontraram em Portugal, após o regresso da arquiteta do Brasil, onde esteve a trabalhar durante 10 anos. No entanto, isso não impediu o sucesso.

Ao perceberem a qualidade das marcas de decoração e mobiliário que estavam a surgir no mercado nacional, os responsáveis decidiram reunir num só espaço uma centena de etiquetas portuguesas, lista que levou mais de um ano a estar concluída. Todas estão inseridas no mesmo setor, mas têm visões muito distintas, seja na área da cerâmica, dos têxteis ou da tapeçaria. Depois de terem assentado, partiram à descoberta da capital.

A ideia [do espaço temporário] surgiu porque muitas pessoas não acreditam que é possível ter um apartamento 100 por cento decorado com marcas portuguesas. Queremos que seja um evento anual”, conta à NiT Paz Braga, uma das fundadoras. “Há pessoas que nos perguntam porque é que não fazemos o mesmo no verão, mas é um programa mais acolhedor e indicado para o clima de inverno.”

Na nova pop-up store, estão presentes 54 etiquetas, com artigos que podem ser comprados, mas que também ajudaram a dar vida ao espaço. Mais do que a venda dos objetos, o conceito pretendia mostrar um apartamento que pudesse ser visitado, com as peças inseridas no contexto do lar, cativando possíveis clientes a descobrirem formas de incluírem cada proposta nos seus espaços.

“O mobiliário não é uma compra impulsiva. No caso de uma cadeira, há sempre muitos clientes que não a conseguem visualizar numa sala de estar sem ser desta forma”, explica a arquiteta. Muitas vezes, as pessoas visitam o apartamento e dirigem-se à loja apenas “porque viram objetos pequenos, que ficam mais apetecíveis”.

Uma vez que a prioridade é “mostrar casas reais para pessoas reais”, a localização foi escolhida de forma estratégica, à semelhança do ano passado. O objetivo é conseguir instalar estas iniciativas em bairros característicos de Lisboa, mas com bastante fluxo e vivência.

Dois andares para explorar

“Este ano, ocupamos dois apartamentos do prédio. Criamos sinergias e vários apoios e em parceria com o atelier Cunha Ferreira Arquitetos, que tinha dois andares livres, decidimos que fazia sentido ocupá-los. Inserimos a pop-up num dos espaços como se fosse um quarto”, explica a arquiteta.

O espaço de habitação é um T2 com um quarto de casal, um quarto de bebé, sala com cozinha incorporada e duas casas de banho, uma tipologia de apartamento comum nas cidades nacionais. Ao subir, no terceiro andar na moradia, encontramos “um espaço mais polivalente”. Nesta área, irá encontrar a loja pop-up onde poderá comprar os presentes de Natal, mas também uma zona em que se destacam pequenas áreas lounge, para organizar workshops, conversas e eventos.

Enquanto as talks são iniciativas importantes para divulgar as marcas, oferecendo um espaço para que possam falar sobre o seu trabalho, os workshops permitem chegar a um público diferente. Nos one-day brands, são convidadas marcas que não estão relacionadas com decoração e o “público que não perderia tempo a visitar a casa” passa para a conhecer.

As peças ganham vida graças à interação umas com as outras.

As motivações para visitar a casa aberta são várias, mas é impossível ficar indiferente ao apelo visual do espaço: “o processo de criação deste espaço é inverso de um projeto normal. Normalmente, vamos falar com o cliente e temos uma tela branca. Aqui, perguntamos as marcas que querem participar, e quando fechamos o leque perguntamos o que têm disponível para utilizamos”.

Como as marcas portuguesas não têm muito stock, usam o que têm disponível. Por isso, o desafio passa por conseguir “juntar as peças num projeto com um conceito forte e que não pareça que foram despejadas aqui”.

A unificação acontece não só através das texturas, mas também à combinação de tonalidades. Paz destaca que tinham peças muito díspares — como a madeira clara e escura — ou muito fortes, como uma escultura em cestaria e lã da artista têxtil Maria Pratas. “Precisávamos de cor. Os tons  terracota e verde ajudaram no andar de baixo, enquanto em cima fomos mais arrojados, com candeeiros e estantes coloridas”, diz.

Todas as peças decorativas são portuguesas. De marcas com história a projetos mais recentes no mercado, como a Héme, o objetivo é misturar negócios que estão há mais tempo no mercado com artistas emergentes. Quadros de Raita Kroh, tapeçaria de Sugo Cork Rugs ou Rita Sevilha e o papel de parede desenhado por Elizabeth Olwen, para o quarto de criança, são alguns dos destaques.

Até ao final de dezembro, pode conhecer esta novidade no número 23 da Travessa do Monte do Carmo, no Príncipe Real, em Lisboa. Também pode dirigir-se ao showroom no 23B da Avenida Infante Santo, em Alcântara ou visitar o site do projeto. Carregue na galeria para ver mais imagens da casa aberta da Santo Infante.

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FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Travessa Monte do Carmo 23, 2ª e 3ª andar
    1200-424 Lisboa
  • HORÁRIO
  • Terça-feira a sábado das 10h às 19h

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