Lojas e marcas

Shree Scarves: a marca de écharpes originais criadas à mão por artesãos indianos

Lajja Sambhavnath quis trazer para o mercado português um projeto que valoriza o trabalho manual e a sua herança cultural.
Todos os artigos são feitos à mão.

As histórias não se limitam aos livros de ficção ou às fábulas que liamos em criança. Uma simples peça de roupa, das mais complexas aos acessórios mais discretos, tem algo para contar. Na Shree Scarves, a nova marca de écharpes no mercado português, estes contos começam no solo indiano, onde cada peça é feita à mão por artesãos locais dedicados ao seu ofício.

Antes de se apaixonar pelos têxteis, Lajja Sambhavnath, de 46 anos, estava envolvida no mundo da dança clássica. Na Índia, “aprender a dançar é quase uma obrigação”, explica à NiT a fundadora. A par deste talento, graças ao ambiente em que cresceu, desenvolveu uma sensibilidade inata para os têxteis artesanais orgânicos e étnicos que a rodeavam. As peças produzidas com máquinas não tinham o mesmo encanto.

Os anos passaram e a designer formou-se na área da moda e dos têxteis, onde alargou esta visão: “Ao estudar, percebi que é muito importante valorizar a peça feita à mão, porque se trata de património, de salvar o planeta e até da nossa relação com o corpo. É um estilo de vida cíclico, então tornou-se numa obrigação”.

Em 2010, mudou-se para Portugal, mas as raízes continuaram bem firmes na terra que a viu nascer. Mesmo afastada do país, trouxe consigo a herança cultural que a motivou a entrar no mundo da moda e definiu como sua obrigação “apoiar as antigas tradições artesanais com a crença de que são suficientes para se destacarem contra a produção em massa nas fábricas”.

Apesar da Shree estar a dar os primeiros passos no mercado, a ideia começou como uma experiência pessoal de Lajja, em 2018. Na altura, juntou as suas duas paixões e começou a explorar os figurinos das suas performances de dança, que continuava a treinar: “Depois, comecei a desenhar figurinos para produções completas de dança e teatro. Foram inúmeras apresentações solo em todo o mundo”.

Quando eclodiu a pandemia, a situação dos artistas na Índia agravou-se e o negócio foi interrompido. Com este recomeço, tem vindo a perceber que os portugueses não só gostam do resultado final por ser visualmente apelativo, como estavam curiosos em perceber todo o processo. Com uma vocação para o storytelling, a fundadora da marca narrava cada detalhe que faz parte do processo.

“Descobri que os têxteis podiam ser um medium para contar histórias e foi assim que a ideia da Shree surgiu”, acrescenta. “Resolvi fazer écharpes e não roupas, porque não usamos uma máquina. É um drapeado. Quando um cliente compra um lenço, recebe a história da peça porque são produzidas por artistas na Índia que seguem a herança familiar”.

As técnicas utilizadas são transmitidas de geração em geração, já que não é algo que se ensine nas escolas. Dos requintados Ikats, uma técnica de tingimento, aos tecidos feitos à mão, como seda crua e a pashmina, um tecido de lã equivalente à caxemira, a ideia é que sejam todos personalizados. E que durem uma vida inteira no armário, claro. “Ainda tenho écharpes da minha avó”, reforça.

O sucesso não é apenas comercial — já que as peças estão todas à venda — mas tem valor cultural. A Shree tem-se dedicado a exposições em museus, com o Museu do Oriente, com o apoio da Embaixada da Índia. Em dezembro, Lajja está a planear um pequeno desfile de moda que inclui uma apresentação de dança, no mesmo espaço.

“A primeira coisa que fazemos de manhã é decidir o que vamos vestir, mas estamos tão dissociados do processo”, conclui. Seja através de pontos de venda ou de exposições, o objetivo está bem definido: “Queremos estar emocionalmente ligados às roupas e acessórios. É por causa da tradição que estamos onde estamos hoje e não podemos perder isso”.

Além de poder comprar as écharpes da Shree no site da marca, pode entrar em contacto com a marca através da página Instagram.

Carregue na galeria para ver as peças que pode adquirir. Os preços oscilam entre os 25€ e os 400€.

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