Durante duas décadas, Hugo Covaneiro transformou as divisões de dezenas de casas em Londres, no Reino Unido, e supervisionou projetos um pouco pelo mundo. Antes de voltar a Portugal, em 2017, o designer de interiores de 43 anos ainda trabalhou na loja da designer Kelly Hoppen — e percebeu que, um dia, queria ter um espaço próprio.
“Fui fazendo outros projetos quando regressei, mas sempre com vontade de criar algo mais”, conta à NiT. Virou-se para as fragrâncias e as velas perfumadas, com misturas que criava, e que se tornaram amplamente elogiadas por quem as usava para dar aroma aos lares.
Dado o sucesso da marca, Hugo entendeu que podia elevar o conceito. Formado em design industrial, já gostava de desenhar peças além de, ao longo dos anos, ter acumulando fornecedores e fábricas com peças únicas. A coleção era vasta e distinta o suficiente para dar o próximo passo.
Entre aromas fortes, objetos de todas as cores e móveis com texturas, Hugo Covaneiro e o sócio Daniel Fonseca, 32, abriram um espaço que é um convite aos cinco sentidos. A Silent Home abriu em maio, no Marquês de Pombal, com uma curadoria de peças de arte, design e decoração escolhidas a dedo.
“Comecei por abrir um showrrom à porta fechada enquanto estava a acabar um apartamento para mim”, acrescenta o fundador. “Quando pareceu que estava a ficar pequeno para o stock que estava a angariar, o espaço físico pareceu uma evolução natural.”
Com cerca de 180 metros quadrados, o ponto de venda “tem um aspeto mais requintado do que o intervalo de preços”, garante. “Decorei o espaço com base no meu gosto, tendo como ponto de partida tudo o que aprendi durante 25 anos de carreira.”
É um espaço que nasce de contrastes — o excesso e o minimalismo convivem em harmonia, assim como as peças de luxo e as propostas mais acessíveis. Há um equilíbrio entre o revestimento branco das paredes e das mesas mais simples que, muitas vezes, chocam com artigos mais fora do comum.
“Mesmo trabalhando no mercado de luxo, acho que existe um limite de preço pelo que se deve pagar. Um sofá maior deve ter um teto de preço. Sempre gostei de desenhar e ter peças bonitas, mas a um preço acessível.”
Numa tentativa de definir esta curadoria, Hugo aponta a inspiração na tendência do luxo silencioso, que tem marcado o compasso na moda, beleza e decoração. O termo que dá nome ao longe não engana: os materiais-nobres e um design mais apurado e menos ostensivo lançam o mote.
“Era impossível manter só uma estética porque, ao longo da minha carreira, nunca me mantive preso a uma estética”, explica Hugo. “O que costumo dizer é que não se decora uma casa nova em Nova Iorque da mesma forma como se vai transformar uma casa no Norte de África.”
Na Silent Home, misturam-se peças de várias geografias. Há tapetes vindos de Marrocos e da Turquia, assim como candeeiros e caixas de seda do Vietname. Em setembro, revela, “vem uma senhora do Líbano com a sua coleção de pratos para uma pop-up”, à qual vão crescer acrescentar louça portuguesa.
Destacam-se também as velas espanholas da marca Cereria Mollá, criada em 1899. Vendidas em frascos de vidro pintados à mão, estas propostas são feitas com cera de soja e pavio de algodão, e levam todos os seus aromas para esta experiência sensorial.
E não há dúvidas. Os clientes preferem as peças fora do vulgar, como as almofadas entrelaçadas, como se fosse um croché gigante, ou as cadeiras com esferas aveludadas em várias cores. O maior bestseller, porém, é o candeeiro de pé que projeta luzes coloridas contra a parede. “Esgotou na primeira semana.”
A dupla está a fazer as peças maiores em fábricas, no norte do País, e têm parcerias com uma fábrica de mármores em Portugal. Outra das confeções inclui uma fábrica no Brasil que faz metais, para peças mais pequenas, “mas é um processo que abrandou nos últimos tempos.”
As fragrâncias em nome próprio não estão esquecidas, aliás, é o próximo passo juntamente à coleção de roupa de cama, que será apresentada com uma festa do pijama. “Depois, quero concentrar-me nas peças criadas em meu nome, porque temos uma indústria de fabrico incrível”, reflete.
A loja arrancou ainda com um projeto-piloto, o Silent For You, no qual os clientes mostram uma divisão da casa e uma equipa dá conselhos sobre possíveis combinações. É “um mini-projeto” gratuito para se aproximarem das pessoas que, no final, mandam fotos com o resultado.
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