Lojas e marcas

Sul Ceramic: o atelier em Lisboa com workshops que já entrou no roteiro dos turistas

O espaço junta oficinas para iniciantes e avançados, reúne artistas independentes e grupos de miúdos. As reviews elogiam o fundador, Miguel Pedro de Castro.

Depois de 22 anos no mundo corporativo e de uma carreira internacional, Miguel Pedro de Castro regressou a Portugal em 2016 com mais dúvidas do que certezas. Começou a questionar o rumo profissional, acabando por encontrar respostas numa local inesperado: um workshop de cerâmica que fez com o filho.

“Comecei a não gostar daquilo que fazia e a pensar o que é que eu poderia fazer fora do mundo corporativo”, recorda o fundador da Sul Ceramic. Um dia, decidiu experimentar a roda de oleiro e a reação foi imediata. “Gostei tanto que nesse dia à tarde comprei uma roda”.

Durante mais de um ano, a roda ficou em casa, enquanto Miguel, de 63 anos, aperfeiçoava a técnica e descobria esta nova paixão. “Nunca tive nada a ver com a cerâmica”, admite. Ainda assim, percebeu que queria transformar aquele interesse numa nova profissão.

Deixou a empresa onde trabalhava e inscreveu-se no CENCAL, nas Caldas da Rainha, onde estudou cerâmica durante um ano e meio. Quando regressou a Lisboa, depois de uma breve passagem por outro atelier, encontrou o espaço onde daria início a uma nova etapa.

A Sul Ceramic abriu em outubro de 2023 e não é um projeto apenas do Miguel. Os dois filhos, ambos designers, e a mulher também estão envolvidos na criação do conceito e no desenvolvimento do espaço, no número 17 da Rua Frei Carlos, em Lisboa. “Este projeto interessou também à família, portanto, os quatro, eu, a minha mulher e os meus dois filhos, acabámos por imaginar o espaço e aquilo que iríamos fazer”, conta à NiT.

Inicialmente, a ideia passava pela criação de pequenas séries feitas manualmente, destinadas a quem valoriza o trabalho artesanal, mas também a projetos ligados à hotelaria e à restauração.

Hoje, continuam a produzir peças utilitárias, como vasos escultóricos, candeeiros e objetos que combinam cerâmica e madeira. Na parceria com os hotéis e chefs, o atelier desenvolve um projeto pensado de acordo com a apresentação pretendida para o espaço ou prato. “Fazemos de acordo com as necessidades do chef, e na forma como quer apresentar”, explica Miguel.

Esta vertente comercial foi apenas o ponto de partida. Pouco tempo depois de abrirem, começaram a surgir pedidos para experimentar aquilo que ali faziam.

Os primeiros workshops não estavam nos planos para o espaço. “No início tivemos algumas pessoas que, nos conhecendo, perguntaram se podiam fazer um workshop connosco. Acabámos por aceitar e depois o boca a boca acabou por trazer mais gente”, conta à NiT. 

A procura cresceu de forma natural, mas ganhou outra dimensão através da visibilidade nas redes sociais. E supreendentemente, foi o público estrangeiro que mais adesão mostrou ao projeto, em especial visitantes do Estados Unidos da América, que chegavam a Lisboa com a Sul Ceramic já incluída nos planos da viagem.

Algumas famílias procuravam uma atividade para fazerem em conjunto durante as férias. Noutro caso, começaram a aparecer pessoas que vinham à procura do Miguel. Mais tarde, o fundador percebeu que muitas conheceram o espaço através das avaliações deixadas no Google por outros participantes. “Fui lá ver e fiquei um pouco surpreendido porque as reviews são muito personalizadas e falam muito de mim e da forma que dou os workshops.”

A relação próxima com quem participa tornou-se, assim, uma das marcas do atelier. “O que procuro principalmente é a satisfação final das pessoas que me procuram”.

 
 
 
 
 
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Da pequena sala com duas rodas a um espaço aberto todos os dias

No início, tudo funcionava de forma bastante simples: duas rodas, uma mesa de trabalho e experiências de pintura de azulejos. A procura levou a Sul Ceramic a crescer e, atualmente, os workshops são conduzidos por Miguel e pela mulher.

Existem experiências de cerâmica de mesa e de roda, ambas com versões de iniciação (70€) e intensivas (250€), além da pintura de azulejos e de outras propostas que combinam a atividade com vinho e queijo (85€).

O atelier está aberto todos os dias e disponibiliza diferentes horários para os workshops. As peças criadas pelos participantes passam depois pelo processo de secagem, cozedura e acabamento, podendo também ser pintadas com engobes. O processo completo demora, em média, entre uma semana e meia e duas semanas.

Para Miguel, mais do que ensinar uma série de técnicas, o objetivo é garantir que cada pessoa consegue viver  a experiência. “Procuro que a pessoa, efetivamente, perceba e sinta o que é realizar uma peça”.

Foi a evolução dos workshops que acabou por originar uma das mudanças mais importantes no projeto: a abertura de um segundo espaço, dedicado ao desenvolvimento criativo de crianças e adolescentes. Durante os meses de verão, Miguel começou a receber vários contactos de pais que procuravam atividades para entreter os filhos. No entanto, o atelier original tinha assumido uma dinâmica diferente.

Por isso, misturar esse ambiente com atividades para miúdos não parecia fazer sentido. “Ter crianças e adultos no mesmo espaço, a vibe não é a mesma.” A solução surgiu a poucos metros de distância. A família alugou um segundo espaço, na mesma rua, e transferiu para lá os fornos e criou uma estrutura preparada para receber grupos maiores.

A nova vertente não fica limitada às famílias, também está destinada às escolas, recebendo grupos de miúdos e adolescentes. Por exemplo, o Colégio Real de Portugal foi um dos primeiros clientes.

Miguel explicou à NiT que esta ideia acompanhou a vontade dos pais, mas também a sua percepção de que existem poucos espaços dedicados ao desenvolvimento da criatividade através deste tipo de prática. “Olhámos para o espaço do mercado, que não dá resposta a desenvolver a parte criativa das crianças.”

O novo atelier, inaugurado em outubro de 2025, na mesma rua, tem capacidade para cerca de 20 pessoas, uma sala de exposição e uma área que pode ser utilizada para o desenvolvimento de projetos próprios. Sendo assim, o espaço passou a receber ceramistas residentes e artistas que procuram um local para desenvolver os próprios projetos. Atualmente, conta com cerca de 26 residentes permanentes.

Três anos depois da abertura, o Sul Ceramic é um negócio familiar, uma comunidade de ceramistas e um ponto de passagem para visitantes de diferentes partes do mundo, incluindo muitos que chegam a Lisboa já com uma paragem específica marcada na agenda.

Carregue na galeria para conhecer o atelier e ambiente dos workshops. 

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Frei Carlos 17
    1600-095 Lisboa
  • HORÁRIO
  • De segunda-feira a sábado das 11h às 20h.

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