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Temu é acusada de práticas ilegais e violação da legislação europeia

Lançada em 2022, aposta no marketing agressivo e é a aplicação mais popular em Portugal. Uma das queixosas é a DECO.
A empresa investe milhões em publicidade.

A Temu é uma das aplicações mais populares do mundo e uma das favoritas dos portugueses. Contudo, o sucesso da plataforma é diretamente proporcional ao número de processos. A plataforma já foi considerada suspeita de duplicar cartões de crédito e é alvo de desacreditação. Agora é acusada pela DECO desrespeitar os direitos dos consumidores ao violar o Regulamento Serviços Digitais da União Europeia (EU).

A associação portuguesa juntou-se a outras 16 organizações europeias de apoio ao consumidor para apresentarem uma queixa contra o marketplace Temu. A queixa foi apresentada à União Europeia, na passada quinta-feira, 16 de maio, pela Federação de Associações de Consumidores da UE, que representa 45 organizações de diferentes países.

A denúncia aponta a ausência de informação sobre os produtos e preços, bem como a falta de transparência da plataforma relativamente aos fornecedores que vendem através da aplicação. As associações queixam-se de “falhas na proteção aos consumidores” e da utilização de “práticas ilegais de manipulação”, numa clara violação da legislação europeia dos Serviços Digitais.

“A Temu não conhece os comerciantes que vendem na sua plataforma e não está em condições de garantir que todos os produtos vendidos por esses comerciantes cumprem as normas da UE”, sublinha o documento entregue à ANACOM, que em Portugal é o coordenador dos serviços digitais.

As associações apoiam-se no Regulamento de Serviços Digitais da UE, em vigor desde fevereiro de 2024, que realça as novas obrigações às plataformas de comércio. As regras obrigam que as empresas sejam mais transparentes sobre os algoritmos que utilizam para chegar aos consumidores, assim como o controlo de identidade dos vendedores nas plataformas, tudo para conseguir excluir sites fraudulentos e bots. Quem não cumprir habilita-se a uma coima.

A Temu já respondeu à queixa e garante que vai analisá-la com cuidado. “Esperamos continuar o nosso diálogo com as partes interessadas relevantes para melhorar o serviço prestado pela Temu aos consumidores”, admitiu um representante da empresa chinesa à agência France Press.

Quando surgiu a Temu?

Apesar da plataforma referir que foi fundada em Boston, nos EUA, o negócio é uma filial do grupo PDD Holdings, grupo comercial criado em 2015 com sede em Xangai, na China. Embora esteja sediada na América do Norte, permite compras diretamente a fábricas chinesas. Sempre a preços muito baixos, claro.

O foco inicial era o vestuário feminino, mas a sua elevada capacidade de produção permitiu o alargamento da oferta a outro tipo de produtos, como itens para a casa ou para o dia a dia. A estratégiafoi também uma forma da Temu se diferenciar da sua competição direta.

Ainda assim, a plataforma perde, em média, 28 euros por encomenda devido aos custos de envio reduzidos, afirma a “Wired” britânica. A escolha é consciente: segundo os especialistas, a empresa opta por perder dinheiro para fazer com que a quota no mercado internacional cresça.

A Temu cresceu de forma exponencial devido ao marketing agressivo baseado num investimento elevado em anúncios nas redes sociais. Devido à ascensão meteórica, a empresa chinesa já supera a popularidade global conquistada pelas rivais.

A NiT reuniu algumas das propostas que vai encontrar na plataforma, das mais bizarras às banais. Carregue na galeria para conhecer algumas — os preços começam nos 47 cêntimos.

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