« 7 tatuadores que vai querer experimentar

Fontinha (Bad Bones)

Fontinha não nos revela a idade, justificando que "a idade física não corresponde à idade mental", mas tatua há mais de 25 anos, no estúdio que mantém no Bairro Alto, e é, provavelmente, o nome mais conhecido das tatuagens em Portugal. E isso ninguém lhe tira.

Designer gráfico de formação, estudou na ARCO e trabalhou em publicidade. A tatuagem veio como uma brincadeira que rapidamente se tornou numa paixão. A passagem foi natural: antigamente, o desenho ainda acontecia no papel – não no ecrã do computador — pelo que a passagem para a pele foi natural. “Sempre achei a tatuagem um desafio maior”.

Não recorda a sua primeira tatuagem, mas conta que há clientes que voltam 15 anos depois, e não relembrando o rosto, consegue reconhecer o trabalho.

“Um tatuador tem obrigação de fazer um pouco de tudo”

No entanto, considera normal que cada tatuador se defina melhor por um determinado tipo de tatuagem. E, hoje em dia, e porque as tatuagens estão na moda, há muitos estilos de tatuagens. O seu estilo define-o "pelo que gosto de fazer".

Com uma loja aberta há duas décadas e meio, a todo o tipo de cliente, diz-se no direito de selecionar trabalhos. Não renuncia um cliente, mas por vezes, sente que os deve aconselhar: "Chegam clientes com desenhos da internet aos quais eu tenho de explicar que aquilo não vai resultar". Dá o exemplo das tatuagens nas mãos ou partes dos dedos — que está na moda — um dos principais trabalhos que tem rejeitado fazer. Para bem do cliente.

Ainda assim, discorda com algum estrelismo da atual geração de tatuadores, considerando que afinal, a arte que praticam não deixa de ser "uma prestação de serviço”.

Quisemos saber quantas tatuagens já fez, uma vez que estamos perante o tatuador mais "velha guarda" do panorama nacional. Ele ri-se e diz que não faz ideia: "Tatuo todos os dias da semana, descanso ao domingo e à segunda. Nos tempos mortos estou a desenhar, não a beber copos no café do lado".

Um frango nas costas, um desenho da autoria do artista que um cliente quis fazer, foi dos trabalhos mais marcantes – “pela positiva”, ressalva. Fotografias de entes queridos que faleceram, são os pedidos que mais o emocionam, mas, mais forte que isso, Fontinha nomeia as nove pessoas paraplégicas que já tatuou.

Uma vez que anda de mota com frequência, este tipo de trabalhos deixam-no a pensar o quão aterrorizante é essa hipotética situação e diz que a gratificação sentida no final de cada um desses trabalhos, é única.

Grande percentagem das pessoas tatuam-se, porque está na moda, e o sexo feminino é o que mais procura. No entanto, gostaria que não se banalizasse, pois perde o seu valor: “Uma tatuagem não é como uma peça de roupa que se deita fora, é algo que fica”.

Na sua lista de tatuadores de referência estão Tin-tin em Paris, ou Bugs em Londres.

Bad Bones
Morada: R. do Norte 85, Lisboa


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