Moda

A partir de agora, a marca portuguesa Wonther só faz peças sem género

Em boa verdade, a única coisa que vai mudar é o convite aos clientes — para que todos comecem a usar as mesmas joias.
Para todas as pessoas.

Passaram-se dois anos desde que a marca de joias ética e sustentável, Wonther, foi lançada. Inicialmente, esta assumiu-se como uma etiqueta que falava sobre o empoderamento feminino e que, assim sendo, era dedicada às mulheres. No entanto, com o passar do tempo, a fundadora Olga Kassian, de 24 anos, foi percebendo que tinha cada vez mais clientes homem. Assim sendo, decidiu dar um novo passo e assumir-se, neste início de ano, como uma insígnia sem género.

“Eu acho que o feminismo está a evoluir, e acho que está a evoluir no sentido correto, que é o sentido da inclusão. Já não é só sobre dar representatividade às mulheres ou fazê-las sentirem-se incluídas seja onde for, é sobre toda a gente sentir-se incluída quando não entra dentro dos padrões que estão estabelecidos“, começa por contar a NiT.

E acrescenta: “Eu sempre achei que qualquer pessoa podia usar aquilo que bem quisesse. Mas por várias questões e por ser o convencional — a secção do feminino e do masculino — numa fase inicial, e até por inexperiência, acabei por seguir neste sentido. No entanto, se a moda é uma forma de expressão, porque é que a diversidade de expressão é logo à partida colocada em duas caixinhas? Isso só é feito por conceções da nossa sociedade. Por isso, decidi dar este passo no sentido em que qualquer pessoa que goste das nossas peças pode usá-las”

Isto não quer dizer que a Wonther vá necessariamente mudar as coleções. Como a própria nos explica: “As peças que tenho neste momento, para mim, já são sem género. A única coisa que os coloca como femininas são os nossos estereótipos, as nossas ideias pré-concebidas. Portanto, se neste momento alguém que goste delas as quiser usar, eu só quero que essa pessoa o faça e se sinta bem-vinda”.

A Wonther nasceu graças a uma paixão intensa que foi crescendo dentro de Olga Kassian. “Isto começa mais pelo mundo da moda. Eu estava a estudar em engenharia, e surgiu uma oportunidade de ir para Nova Iorque trabalhar com a marca portuguesa josefinas. Tinha 19 anos, mas decidi ir. E lá comecei a descobrir o mundo da moda como forma de expressão e como muito mais do que somente algo fútil. Porque eu na altura não tinha bem esta ideia”.

Assim que voltou a Portugal, e apesar de ter vontade em terminar o seu curso em Engenharia, a vontade de criar algo seu falou mais alto. “Fui conhecendo pessoas que me introduziram mais a esta temática e também percebi que é um excelente veículo para transmitirmos emoções. Então, a marca surge graças a todo este percurso meu”

Apesar de atualmente ser responsável pelo processo criativo das peças, na altura, não tinha qualquer tipo de experiência neste universo. Por isso, contou com a ajuda de uma designer para passar para as joias as mensagens que tinha escrito em briefing.

“Eu escrevi sobre os meus valores —  e sobre o feminismo e igualdade de género — e de certa forma eles foram transformados nestas peças. Por isso é que a Wonther começou por ser tão direcionada para mulheres. Porque estava mais ligada ao empoderamente feminino, e eu queria dar força às mulheres. Na altura era uma temática que me era bastante querida. E continua a ser. A única diferença é que agora teve um upgrade. “

Carregue na galeria e conheça algumas das peças que pode encontrar no site da marca. 

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