Moda

Alameda Turquesa: a marca portuguesa que conquistou celebridades de todo o mundo

Beyoncé, Kylie Jenner ou DuaLipa são alguns dos nomes da longa lista de clientes da etiqueta que chegou agora ao Harrods.
Juliana Paes com um dos colares da marca.

Alameda Turquesa faz parte de um grupo muito restrito de marcas portuguesas que conseguiram, com sucesso, internacionalizar-se. Apesar de terem surgido apenas em 2012 — como uma espécie de brincadeira — o sucesso tornou-se tal que já chegaram aos pés de dezenas de celebridades internacionais e até membros da realeza — como Charlotte Casiraghi, filha da princesa Carolina do Móncaco.

Recentemente, conquistaram mais um objetivo: juntaram-se à seletiva lista de marcas de luxo dos Harrods e da Selfridges. Para marcar esta vitória histórica, a NiT falou com uma das duas mulheres que guiam o leme da etiqueta nacional, Carolina Santos, e conhecer melhor a história da Alameda Turquesa.

A Carolina estudou arquitetura que nada tem a ver com o que faz agora. Por isso, a primeira pergunta é óbvia: como é que a moda apareceu na sua vida?
Desde pequena que adorava ter tempo para pensar nas diferentes formas de como poderia usar os meus acessórios e roupas — e até nos dos meus pais que carinhosamente ia “roubando” uma vez por outra. Sempre foi algo bastante consciente, isso de usar aquilo que queria e gostava. Isto fez com que a moda sempre estivesse presente na minha vida como uma extensão da minha personalidade. Foi sempre esta a forma com que encarei a moda na minha vida, como um prolongamento meu. Acho que foi um gosto que adquiri com os meus pais que sempre foram o melhor exemplo de estilo que poderia ter.

Por falar em pais, lançou a Alameda Turquesa com a sua mãe. Como surgiu esta ideia?
Foi tudo muito orgânico, nós não pensámos “vamos lançar uma marca”, simplesmente aconteceu numa tarde, no carro, quando criámos uma página no facebook chamada “Alameda Turquesa”. O objetivo era vender umas pulseiras com pom-pons que a minha mãe tinha feito, semelhantes a umas que já tinha feito para mim e para a minha irmã. Para além disso, na altura, publiquei-as no meu blogue “TheFrenchFries” (do qual agora só mantenho o Instagram), e recebi tantas mas tantas mensagens que resolvemos fazer uma experiência, e por cá continuamos.

Carolina Santos e Ana Domingues, mãe e filha.

E no meio disto tudo, ainda houve um tempo em que continuava a trabalhar como arquiteta. Como conseguia conciliar tudo?
Praticamente não dormia. Quando comecei não foi nada fácil porque, eu comecei o “TheFrenchFries” quando estava a fazer o estágio do mestrado num atelier de arquitetura. Entretanto o TheFrenchFries cresceu consideravelmente, e comecei a trabalhar com muitas marcas nacionais e internacionais. O “problema” era que eu nunca quis deixar a arquitetura, até porque viver da minha imagem não era um objetivo, não era algo que estava nos meus planos. Então ao mesmo tempo que trabalhava no atelier, fazia o estagio da ordem, trabalhava no blog e, achando que era pouco, ainda criámos a Alameda Turquesa. Foram cerca de três ou quatro anos a dormir cerca de 3 a 4 horas por noite. Quando percebi que tinha de tomar uma decisão, porque era humanamente impossível fazer um horário laboral normal de mais de 8h diárias, mais o blogue, mais a marca, decidi despedir-me. Desde então dedico-me a 100% à nossa marca. Nunca quis ser outra coisa que não arquiteta, e tudo isto acabou por ser muito inesperado. No entanto, penso que nunca vou deixar de ser arquiteta, porque para além de ser uma profissão muito técnica, é também muito criativa e está presente em todos os campos na nossa vida, o simples andar na rua pelos olhos de um arquiteto é diferente, não quer dizer que seja melhor ou pior, é só diferente, e isso nunca vai desaparecer.

No início faziam apenas acessórios — como as pulseiras. Como surgiu a ideia de dar o passo de criarem a linha de calçado?
Nós começamos com os colares e pulseiras maravilhosos que a minha mãe fazia, mas sempre tivemos paixão por sapatos. Eles sempre muito estiveram presentes na nossa vida, e por isso no nosso horizonte também. Um dia tirámos uma foto em que as nossas mãos cheias de pulseiras estavam nos nossos pés… A partir dai pensámos como seria inacreditável passarmos as mesmas pulseiras e colares para os nossos sapatos, e foi assim que começámos no mundo dos sapatos da Alameda Turquesa.

Começaram então com as sandálias de pompons semelhantes às pulseiras e aos colares e, desde então, já apresentaram muitos mais modelos. Como é todo este processo de criação e lançamento?
Nós, até hoje, não pensamos muito nos nossos lançamentos no sentido em que não temos um calendário. Nós estamos constantemente a desenhar e criar, às vezes podemos lançar uma peça que fizemos há quatro anos atrás, outras vezes demoramos menos tempo. Para nós a criatividade não tem calendários, por isso não nos queremos tornar rígidos, até porque a Alameda Turquesa é fruto dessa mesma criatividade e experimentação imensa. Aliás, se visitassem agora o nosso atelier não conseguiam ver uma das dez mesas que nós temos para as nossas amostras e desenhos. Elas estão camufladas no meio de tanto trabalho que se sobrepõe em muitas camadas. É o caos, mas nós gostamos que assim seja, e arrisco-me dizer que precisamos que assim seja. As melhores ideias são as que surgem sem pensarmos muito nelas. Ainda hoje não temos um plano de apresentação de coleções.

A Vogue Japão foi a primeira publicação a incluir o vosso calçado. Como é que as peças chegaram até lá?
Foi através da querida Anna Della Russo e da sua equipa que nos contactou. Na altura ainda nem loja online tínhamos, mas a Anna quis as nossas peças para usar na Milan Fashion Week. Ao mesmo tempo pediu também para as usar num editorial da versão japonesa da “Vogue” fotografada pelo Walter Chin. Foi o primeiro convite que tivemos da imprensa.

Desde então, além das várias publicações onde já apareceram, já tiveram várias celebridades a usar o vosso calçado. Lembra-se das primeiras?
Além da Anna Della Russo, o primeiro grande nome a usar as nossas peças foi a Chiara Ferragni. Ela convidou-nos, em 2017, para fazermos uma coleção exclusiva com ela. Desenvolvemos cinco modelos que ela calçou, e que estiveram à venda no seu website The Blonde Salad.

Chiara Ferragni com sandálias Alameda Turquesa.

Como é aconteceu tudo isto, como é que chegarem até tantas clientes internacionais? Partia de vocês ou eram elas que comprava diretamente?
Elas compravam diretamente. Ainda me lembro de quando em 2017 estava a ver “Modern Family” e, ao mesmo tempo, falava com a nossa cliente Sofia Vergara.

Consegue indicar o nome de alguns dos vários nomes e, dentro deles, o que vos surpreendeu mais quando viram que estava a usar uma das vossas peças?
Até à data tivemos já muitas pessoas conhecidas a usar Alameda Turquesa. Desde a Beyonce à Princesa Alexandra de Hanover, à Princesa Charlotte Casiraghi, à Kylie Jenner, Kourtney Kardashian, DuaLipa, Irina Shayk, Bella e Gigi Hadid, Katy Perry, Kate Hudson, Lili Colins, Olivia Palermo, Amanda Gorman, Sofia Vergara, Chiara Ferragni, Rachel Zoe, Chrissy Tiegan, Hillary Duff, Emma Roberts, Jessica Alba, Barbara Palvin, Elsa Hosk… estes são alguns dos nomes das clientes Alameda Turquesa. Ainda assim, nós continuamos a ficar sempre surpresas quando os nossos clientes enviam ou publicam fotos com as nossas peças. Sempre que uma peça Alameda Turquesa é comprada fazemos uma pequena dança de felicidade genuína — sejam conhecidos do grande público ou não—, porque termos alguém que escolhe o que nos fazemos é sempre motivo de felicidade. Mas também não escondemos que é sempre muito gratificante quando pessoas que admiramos há muitos anos, e que fazem parte do panorama mundial — e que podem escolher qualquer marcam—, nos escolhem a nós. Ficamos sempre surpreendidos quando vemos fotografias pelo mundo das nossas peças.

Recentemente começaram a vender também em lojas como a Selfridges e os Harrods. Como é que isto aconteceu?
Fomos contactados por ambas as lojas, tanto pela Harrods como pela a Selfridges, porque quiseram comprar as nossas peças para os seus clientes poderem usar Alameda Turquesa. Eles são bastante seletivos. São muito poucos os designers a nível mundial que conseguem estar à venda nestas duas lojas, e sermos um deles é inacreditável. Estamos muito felizes, e é um marco muito importante para nós estarmos nos maiores armazéns de luxo do mundo.

Alameda Turquesa no Shoe Heaven do Harrods.

Além do calçado, joias e carteiras, criaram algumas peças de vestuário e de swimwear. Porque é que decidiram fazê-lo?
Nós sentimos que a Alameda Turquesa é um modo de vida, uma forma de estar, para nós fez todo o sentido entrar nesse caminho e as nossas clientes felizmente pensam o mesmo que nós.

Tornar a Alameda Turquesa numa marca de moda, com todo o tipo de peças, é uma vontade vossa?
Nós temos uma forma muito própria de pensar a marca, e uma das coisas que fazemos conscientemente é nunca contar os nossos planos. Mas podemos dizer que iremos sempre até onde achamos que faz sentido como marca estarmos presentes.

Qual é o grande sonho para a marca?
Que continuemos sempre a crescer como tem acontecido até aqui. Para nós o mais importante é continuarmos com a mesma alegria e paixão fazer crescer a nossa marca no mundo.

Carregue na galeria para ver algumas das celebridades que já usaram peças da Alameda Turquesa. 

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