Moda

Portugal Fashion: Alves/Gonçalves apresentaram um desfile envolto em mistério

A dupla de criadores encerrou a segunda parte do Portugal Fashion no sofá ao início da noite deste sábado.
Foi gravado à noite.

Num momento que está a ser marcado pela pandemia de Covid-19, a indústria da moda reinventou-se. Foi isso que fez também o Portugal Fashion em 2021 — este que é um dois maiores eventos de moda do nosso País adaptou-se a um formato 100 por cento digital que foi transmitido em duas partes. A primeira leva de desfiles aconteceu entre os dias 18 e 20 de março. A segunda, ou o Take 2, como lhe chamou a organização, regressou na passada quinta-feira, 22 de abril, e terminou este sábado, 24, depois de uma apresentação de Alves/Gonçalves.

Foi pelas 20 horas que a dupla de criadores encerrou o evento com uma apresentação que foi transmitida em live streaming através da PF Digital TV, no site oficial da organização. As gravações, no entanto, aconteceram na passada quinta-feira, 15 de abril, no exterior da Alfândega do Porto — o espaço onde, habitualmente, se centra toda a ação do Portugal Fashion.

Esta linha com as propostas para o outono/inverno de 2021/22 pretende ser, segundo os criadores, uma “fuga contra a melancolia”. O desfile, gravado de noite, junto ao rio, teve uma aura de mistério que foge aos padrões do normal, um conceito que também está presente nas peças, entre as quais encontramos casacos sumptuosos construídos em camadas e modelos desconstruídos.

“Queria que o desfile tivesse um ar de videoclipe ou de filme publicitário e que fosse um bocadinho dark. Nada muito alegre ou romântico, quis cortar essas coisas todas e que a luz intensificasse isso tudo, daí haver a iluminação dos próprios carros e de luzes laterais”, explicou José Manuel Gonçalves em entrevista à NiT.

Foi tudo feito com os meios que tinham disponíveis e o conceito acabou por se formar com essa consciência. O desfile aconteceu junto ao rio e foi banhado por uma luz futurista, misteriosa, refletida da água, mas que vinha também de Gaia, do lado de lá, e dos faróis dos carros que estavam parados por detrás das modelos enquanto estas desfilavam as peças.

As peças tiveram aplicações de componentes tecno sobre os tecidos, criando jogos de luz com o negro. O corte a laser ajudou a criar padrões que desconstroem as imagens clássicas. São artes manuais que os criadores da Alves/Gonçalves herdaram dos processos que foram construindo de coleção em coleção e que os torna “únicos e emocionais”, num ambiente cromático onde joga o preto, o verde, rosas, laranjas e azuis.

Malhas de algodão, lãs, nylon, acolchoados e crepes de seda foram trabalhados de uma maneira tecnológica e futurista. No processo de criação, há sempre um trabalho posterior, carregado, que transforma as matérias-primas em algo maior, que as tira de um espaço redutor e reflete um certo brilho, uma certa carga.

Afinal, como começaram Alves/Gonçalves?

Manuel Alves nasceu em Montalegre e José Manuel Gonçalves em Abrantes. A colaboração de ambos tem início em 1984, quando decidem abrir duas lojas no Bairro Alto, em Lisboa, para comercializarem as suas coleções feminina e masculina. Um ano depois apresentam-se no Palácio do Correio Velho e, desde então, têm vindo a mostrar regularmente as suas linhas de moda.

Já conquistaram um Globo de Ouro da SIC na área de Moda, desenharam uniformes para empresas como a Vodafone e a TAP, assim como figurinos para cinema, teatro e bailado. Com o apoio do Portugal Fashion já desfilarem em São Paulo, Brasil, e Nova Iorque, EUA.

A seguir, carregue na galeria para conhecer a nova coleção da dupla.

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