Moda

Boxe, Virgem Maria e soutiens em cone. Os melhores looks da digressão de Madonna

Cantora traz a “Celebration Tour" a Portugal nos dias 6 e 7 de novembro. Espectáculo revisita 17 visuais icónicos da sua carreira.
A cantora voltou aos palcos.

Transgressor, desobediente e pecador. Três adjetivos que descrevem na perfeição o rol de figurinos memoráveis de Madonna. A artista norte-americana, de 65 anos, prepara-se para trazer a sua “Celebration Tour” à Altice Arena (em Lisboa), nos dias 6 e 7 de novembro, naquela que será uma “viagem documental através da sua vasta carreira”. O alinhamento dos espetáculos explora quatro décadas de gravações e inclui mais de 40 canções, imagens de arquivo e muitas (mas mesmo muitas) peças de roupa.

Tudo começou com o figurino do videoclipe de “Like a Virgin”, em 1984, onde Madonna surgiu encarnando a figura de uma noiva rebelde. O vestido que entrou para os anais da história da moda ostentava a expressão”Boy Toy” e foi criado pelo designer Fernando Sánchez, conhecido pelas peças de lingerie ousadas e provocadoras — muitas vezes usadas “à vista de todos”.

Volvidos seis anos, durante a digressão “The Blonde Ambition”, em 1990, usou aquele que seria um dos looks mais marcantes da sua carreira. Graças ao icónico vestido-corpete com soutien em cone criado por Jean Paul Gaultier, com o qual desenvolveu uma relação de amizade que perdura até hoje.

Seguiram-se centenas de figurinos que nunca mais foram esquecidos, todos com um denominador comum: geram tanta controvérsia como fascínio em torno da sua imagem. Cada concerto é mais do que uma coleção de êxitos, é também um desfile pela história da moda e pelas últimas décadas da cultura pop.

“Um mundo totalmente novo”

A maioria dos figurinos da digressão que passará por Portugal foram desenhados pelos figurinistas Eyob Yohannes e Rita Melssen. Porém, também recorreram a nomes consagrados, como Donatella Versace, Dilara Findikoglu e Jean Paul Gaultier, para dar vida às histórias contadas e cantadas por Madonna em palco.

O objetivo é simples: revisitar os elementos-chave dois looks mais icónicos da cantora de “Material Girl”, com muito tule, cruzes, luvas e lábios vermelhos à mistura, claro.

“Queríamos fazer referência a tudo o que ela [Madonna] fez e criar algo original a partir disso. Criámos um mundo totalmente novo”, contou a dupla à revista “Vogue”, acrescentando que “a moda sempre fez parte da sua narrativa”. “Inspirámo-nos no seu passado estilístico e mantivemos esses temas.”

Do Virgem Maria à liberação sexual

Logo que sobe ao palco, Madonna começa a percorrer o seu legado de sucessos com “Nothing Really Matters”, vestindo um quimono preto esvoaçante e volumoso. O impressionante adereço em forma de auréola que usa na cabeça, criado pela House of Malakai, marca o compasso para uma noite dedicada aos mais nostálgicos.

Trata-se de uma das faixas mais pessoas da artista, onde reflete sobre a insignificância da sua carreira em comparação com o nascimento da primeira filha, Lourdes. Nesta aparição inicial, surge resplandecente e destacando uma das dezenas de facetas que lhe conhecemos. Uma “madonna” (ou seja, uma representação da Virgem Maria) enquanto mãe e mulher pura.

O começo triunfal.

Os primeiros atos retratam a sua ascensão ao estrelato nos anos 80, marcados pelo punk, pelo grunge ou pelos sons dançantes do New Romantics. O público é levado até aos bares nova-iorquinos onde se misturavam estas culturas. E fá-lo com canções como “Burning Up” ou “Everybody”.

Madonna entoa estes temas vestindo um casaco punk, assinado pela turco-britânica Findikoglu, inspirado num blazer que já tinha usado ao atuar no Japão, naquela época. “Era um casaco de homem que comprou numa loja vintage. Adaptámo-lo e acrescentámos-lhe recordações e pins”, acrescenta Yohannes, à mesma publicação.

Com a entrada nas canções do álbum “Erotica”, de 1992, a liberação sexual torna-se protagonista. Com os bailarinos todos vestidos com roupas de boxe, a estrela aparece com um quimono a condizer, revelando um slip dress sensual, com as copas e as cuecas de renda preta em destaque.

Houve tempo para boxe e sensualidade.

Segue-se o momento em que a equipa de figurinos recorreu a Gaultier para uma versão moderna do seu icónico soutien em forma de cone, com a qual canta “Vogue”. O francês criou um minivestido preto com o peito incrustado de cristais. “Ele conhece o corpo dela e sabe como ela se quer sentir. A Madonna não se imaginaria a fazer isto sem ele.”

Uma menção especial para Bob The Drag Queen, a convidada especial, que apresenta este número com um look inspirado na rainha Maria o visual de Madonna para os VMAs, de 1990, inspirado na rainha Maria Antonieta. Nesse ano, atuou o mesmo tema.

O famoso soutien em cone.

As trocas de roupas constantes

Na terceira parte, a cantora inspira-se no estilo western que inspirou temas como “Don’t Tell Me”, levando o público até à década de 2010. No entanto, com um toque mais futurista. O look final é um corpete de couro e uma camisa feitos pela própria, pontuado com um chapéu de cowboy assinado por Ruslan Baginskiy e texanas até ao joelho personalizadas pela Miu Miu.

No entanto, numa atuação ao vivo, a estética não é tudo. A funcionalidade das peças e o movimento são fatores importantes a considerar no momento da construção do guarda-roupa. Afinal, as trocas de figurino são constantes — e representam a divisão entre as várias eras da sua carreira, todas tão distintas.

Mais uma das mudanças de visual.

“Há fechos centrais nas costas em quase todos os fatos, por isso ela pode entrar e sair muito rapidamente”, acrescentam os stylists. “Também há muita roupa interior. Veste os fatos [um por baixo do outro] para o número seguinte.”

É graças a esta estratégia que, em segundos, a diva leva os fãs até ao futuro com a ajuda da Versace. Donatella criou um catsuit cinzento completo e justo ao corpo, uma silhueta pouco usual em Madonna, feito a partir de vidro partido. Quando a luz atinge a peça, parece uma armadura.

O look mais futurista da tour.

O fim remete para o passado

A viagem termina da única forma a que Madonna nos habitou: com muito drama. Enquanto os bailarinos vestem vários looks que retratam estéticas que já conhecidas do universo da artista— desde capas de álbuns a visuais de passadeiras vermelhas ou videoclipes —, reinterpretados com novos tecidos ou bordados.

É no meio deste livro de memórias ao vivo que a artista aparece com um corpete de renda azul e preta, inspirado em lingerie, que combinou com calções e fios de correntes. Por trás do look, está o diretor criativo da Vetements, Guram Gvasalia, com quem tem colaborado em inúmeros looks.

As mudanças de visual fazem jus à magnitude da nova digressão de Madonna — a norte-americana irá atuar 78 dias em 16 países. A cada espectáculo, os fãs podem contar com cerca de 17 mudas de roupa.

A visão da cantora está presente em todos os detalhes, nomeadamente na idealização dos figurinos. “Olha para todos os tecidos, esboços e botões. Preocupa-se com quem são as personagens. Espero que as pessoas percebam o quanto ela é uma artista.”

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