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“Casa Gucci”: como o espetacular guarda-roupa de Lady Gaga se inspirou na vida real

Janty Yates, a figurinista, criou nada menos que 500 looks para o filme. A cantora precisou de trocar de roupa 65 vezes.
Uma imagem da cena em que Patrizia conhece Maurizio.

Ridley Scott já estava a tentar concretizar um filme sobre a história da família Gucci há 20 anos, desde que a sua mulher, Giannina Facio, comprou os direitos para adaptar o livro “The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed”, de Sara Gay Forden. A 25 de novembro, o resultado do mais recente trabalho do realizador estreou nas salas de cinema portuguesas.

Um dos pontos altos de “Casa Gucci”, como já seria de esperar, é o espetacular guarda-roupa do filme, especialmente aquele que foi desenhado para Lady Gaga, que interpreta a infame Patrizia Reggiani, uma das personagens principais da história.

Os looks da produção são tão extravagantes como a família retratada, desde os fatos com um corte impecável aos vestidos de gala, passando pelas enormes joias e os cabelos tendência das décadas de 70, 80 e 90.

Janty Yates, a figurinista, contou à “Time” que criou nada menos do que 500 looks para o filme, com o objetivo de recriar um guarda-roupa digno de uma das famílias mais ricas e estilosas da indústria da moda. “Foi espetacular”, revelou. “Nunca tinha tido uma oportunidade assim na minha vida.

Yates já tinha trabalhado com o realizador antes e até venceu um Óscar em 2000 pelo seu trabalho no filme “Gladiador”. Para preparar “Casa Gucci”, pesquisou não apenas as pessoas da vida real que são nele retratadas, mas também a própria história da marca de luxo italiana. 

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O guarda-roupa do filme representa a evolução das personagens.

Depois de ler o guião, visitou o museu da Gucci em Florença, Itália, a cidade onde a empresa começou. Mais tarde, a marca acabou por lhe dar acesso aos seus arquivos, o que resultou em dois looks que acabaram por ser usados no filme — um fato com o logo de dois “G” da Gucci e uma blusa de seda no mesmo padrão, combinada com uma saia de pele.

O desenvolvimento do guarda-roupa teve em atenção a evolução das próprias personagens ao longo do filme. A personagem de Lady Gaga começa por usar modelos mais femininos, de senhora, enquanto namorava com Maurizio Gucci, um dos principais herdeiros da marca. 

“Queríamos mostrá-la num look mais naïve quando está a seduzir Maurizio”, explicou Yates à “Time”. “Parece muito querida e inocente, mas também usa aquele vestido verde espampanante com saltos altos quando vai trabalhar, e sabe o efeito que tem nos condutores de camiões no negócio do seu pai. Não é isenta de astúcia.”

Depois de estar casada com o Maurizio, as roupas de Patrizia tornam-se mais opulentas e ostentativas, reflexo da sua nova vida de luxo. Na vida real, era conhecida pelo seu estilo extravagante, especialmente por gostar de usar peças de joalharia refinadas.

“Qualquer pessoa que quisesse vestir-se como Patrizia teria de usar as joias”, reflete a figurinista. “Ela usava brincos grandes e muitos colares, em vez de optar por uma abordagem mais subtil e de bom gosto.” Na vida real, a mulher de Maurizio gostava de marcas como a Yves Saint Laurent ou fatos Chanel. A Gucci, naquela época, era mais conhecida pela sua linha de acessórios.

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Patrizia Reggiani queria entrar na elite italiana e conseguiu através do casamento.

Gaga, famosa por ser uma entusiasta da moda, pediu especificamente que os conjuntos não fossem repetidos uma única vez ao longo do filme — o resultado foram 65 trocas de looks para artista. Já Adam Driver, que interpretou o seu marido no grande ecrã, teve direito a 40 fatos diferentes, confecionados com a ajuda de um alfaiate da Savile Row e da marca italiana Zegna.

Além do guarda-roupa da família Gucci, Yates foi responsável por mostrar como a marca evoluiu no período de tempo em que se desenrola o filme, criando outfits que mostraram a estética sofisticada e convencional no início do filme até à reinvenção sexy feita com a chegada de Tom Ford.

Apesar de o filme se focar, principalmente, na queda da grande casa de moda, terminando com a saída da família da própria marca que construiu, o legado é representado pela forma como se reinventou e conseguiu prevalecer, mantendo-se popular até aos dias de hoje.

“Nunca vais ver a Billie Eilish a usar qualquer coisa além de Gucci”, remata a figurinista. “Olha para o Harry Styles, toda a gente está coberta de Gucci da cabeça aos pés.”

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A mulher de Maurizio, representada por Lady Gaga, era famosa por usar joalharia ostentativa.

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