Moda

Chegaram os workshops para criar biquínis personalizados

A tendência DIY está a invadir os areais. As aulas, presenciais ou online, ajudam a criar modelos para todos os corpos.
As participantes querem peças personalizadas.

“Fiz um curso na Maria Modista durante as férias.” A frase é repetida por dezenas de mulheres que decidiram começar a fazer os seus próprios biquínis — algumas juntaram as técnicas para lançar marcas de swimwear, outra usam estas criações nos areais. Assim começa um passa-palavra que leva cada vez mais mulheres a estes workshops.

A tendência do DIY (do it yourself ou faça você mesmo) está cada vez mais em voga no mundo da roupa de banho. As pessoas querem escolher os seus próprios tecidos, fazer os seus próprios padrões e pensar em cada pormenor. Assim, não há dúvida: ninguém vai ter um modelo idêntico em qualquer praia deste País.

Ainda assim, a principal vantagem é que pode criar fatos de banho que lhe sirvam perfeitamente e com os quais se sinta confortável. Embora muitas marcas vendam discursos de inclusão, nem sempre é fácil encontrar propostas abaixo ou acima das medidas padrão.

Foi esta a necessidade que levou Filipa Bibe a abrir um atelier de costura na Alameda, em Lisboa, em 2012, após se ter formado em Gestão. Depois da abertura, várias interessadas — as chamadas franchisadas — levaram a ideia da Maria Modista para outras zonas do País, como o Porto, Leiria ou Coimbra, por exemplo.

“Era um conceito que não existia em Portugal e foi implementado nesse ano”, conta a fundadora, de 45 anos, que sempre gostou de moda. “Quem mais nos procura são pessoas com vontade de ter um guarda-roupa diferente, futuras ou recém-mamãs e alguém cujo objetivo é criar uma marca.”

 

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Apesar de as aulas livres abrangerem várias áreas, como modelagem, corte e costura ou tricot, são as propostas de swimwear que levam mais mulheres até ao atelier nos dias mais quentes do ano. É um sucesso por haver vários horários disponíveis — manhã, tarde, pós-laboral e sábados.

Para este verão, as formações certificadas dividem-se entre os cursos mensais (com preços entre os 45€ avulso e os 210€ por duas aulas semanais) e os cursos de um dia — iniciação à costura, my first bikini e curso temático avançado — por 75€. Pode consultar as informações no site da marca.

E se não quiser sair de casa?

Uma das criativas mais requisitadas pelas formações online é Filipa Castilho, 51 anos, que fez da sua missão provar que costurar roupas “é fácil e divertido”. Neta e sobrinha de modistas, nasceu entre tecidos, agulhas e máquinas de costura, mas durante a infância ainda não se interessava pelo ofício.

Ao crescer, começou a ter interesse em misturar roupas e já usava as peças que as tias criavam. Quando chegava à escola, sabia que não existiam outras iguais e respondia com um orgulhoso “fui eu que fiz” quando alguém perguntou de onde era o novo vestido cheio de pinta.

Licenciada em design de moda, especializou-se em modelagem em confeção e trabalhou para várias marcas e criadores nacionais. Ao longo de 15 anos, ainda foi professora em vários ateliers e escolas de design, além de ter desenvolvido vestuário de época e figurinos para peças de teatro.

Em junho de 2020, lançou a primeira versão do curso “Fui Eu Que Fiz os Meus Biquínis e Fatos de Banho”, que ganhou uma nova versão em 2022. Desde então, mais de 500 pessoas já concluíram estas lições onde todos podem aprender a criar swimwear sem máquina de corte e cose.

“Na altura, não havia cursos online em Portugal e, mesmo hoje em dia, deixou de haver. Fui a única que se continuou a dedicar em exclusivo a esta vertente”, explica à NiT. “A roupa de banho era muito procurada a partir de março e tinha pessoas, que me conheciam através das redes sociais, a pedirem-me para ir até às suas localizações. Mas era impossível.”

Em quatro semanas, as participantes podem criar duas cuecas, dois tops e dois fatos de banho personalizados, com moldes do XS ao 5XL. A inscrição custa 145€ online e inclui técnicas “descomplicadas e simplificadas” em 55 aulas, divididas por três horas de conteúdo de vídeo.

“Há pessoas que gostam de costurar como hobby e querem fazer os biquínis que gostam. Outras querem dar continuidade e recebem pedidos de conhecidas para fazerem modelos para elas, como amigas ou colegas de trabalho”, acrescenta. “Há ainda as que já têm o objetivo de criar um negócio.”

Numa das histórias que mais a marcaram, Filipa começou por ser abordada por uma funcionária quando entrou numa loja de sapatos. Ao contrário do que estava à espera, a jovem reconheceu-a das aulas de costura de biquínis e fatos de banho que tinha feito uns meses antes.

“Perguntei-lhe se continuava a fazer e disse-me que gostou tanto que estava a tirar uma licenciatura em design de marca. Queria criar uma marca e mudar de percurso”, recorda. Histórias como estas acumulam-se e, em muitos casos, já deram origens a negócios.

A maior dificuldade, explica a formadora, está em fazer as pessoas acreditarem que podem criar um modelo. “Quando decidem entrar no curso, começam a fazer tudo de forma autónoma através dos vídeos. Normalmente, já sei em que fase, onde e por que motivo a máquina vai engasgar. Acompanho esses problemas.”

Filipa tem a certeza que quer continuar pelas aulas online. “Permite-me focar e ser o melhor possível numa só coisa. Quando são dois métodos de ensino, tenho de dispersar o foco”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer alguns fatos de banho que não ultrapassam os 25€.

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