Moda

Como a mãe de Elon Musk se tornou numa modelo de sucesso aos 60 anos

Maye nasceu na África do Sul, teve três filhos, estudou nutrição e explodiu na indústria da moda na última década.
Uma história de vida impressionante.

Em miúda, os pais levaram-na a viajar pelas Américas, África, Europa, Ásia e Austrália numa pequena avioneta coberta por uma lona, sem GPS nem rádio. Maye Musk e os seus quatro irmãos conheceram o mundo assim. Todos os invernos, atravessavam o deserto do Kalahari com uma bússola e reservas de água e comida suficientes para sobreviver durante três semanas à procura da cidade perdida.

Aos 72 anos, a mãe do multimilionário Elon Musk teve uma vida pouco convencional. Nasceu na cidade de Regina, no Canadá e, quando era apenas um bebé, o seu pai Joshua, quiroprata, e a mãe Winnifred, bailarina, pegaram nos miúdos e mudaram-se para Pretoria, na África do Sul.

No livro que publicou em 2020, “Woman Makes a Plan”, recorda que foi nessa nova cidade que começou a dar os primeiros passos como modelo, aos 15 anos. Mais tarde, ganhou o concurso de beleza Val Queen e tornou-se numa das finalistas do Miss África do Sul. Apesar de todos os indícios apontarem para uma carreira promissora na moda, decidiu inscrever-se na universidade para estudar Nutrição por acreditar que as oportunidades como modelo iam desaparecer quando atingisse a maioridade.

O grande balde de água fria aconteceu no dia da sua graduação. A balança dizia-lhe que pesava 93 quilos — uma situação pouco promissora para uma nutricionista apaixonada pela moda. No entanto, conta que não permitiu que a conjetura pouco favorável a abalasse. Lançou-se na sua carreira na nutrição e conseguiu garantir trabalhos esporádicos como modelo de tamanhos grandes.

maye musk
Num trabalho como modelo.

A nível pessoal a história também se adensou. Aos 16 anos, Maye começou a namorar com um homem que lhe era infiel. Pelas páginas do livro, nunca menciona o seu nome, como se quisesse apagá-lo da memória, mas sabe-se que se refere a Errol Musk.

Com 21 anos, ela estava a viver e trabalhar na Cidade do Cabo. Não tinha notícias do namorado há mais de um ano quando este reapareceu sem aviso e lhe ofereceu um anel de noivado. “Jurou-me e voltou a jurar que continuava apaixonado por mim e que nunca mais me voltaria a enganar. Prometeu-me que, se aceitasse o pedido de casamento, mudaria. A minha resposta foi um ‘não’ redondo e, por isso mesmo, não aceitei o anel”, escreveu.

Apesar da recusa de Maye, Errol visitou a sua família em Pretoria e contou-lhes que estavam noivos. Surpreendidos com a notícia, os pais começaram a organizar a cerimónia e enviaram um telegrama à filha onde a felicitaram e lhe disseram que teria de deixar o trabalho, fazer as malas e voltar para casa porque o casamento iria acontecer no mês seguinte.

“Não queria acreditar no que estava a ler”, conta. “Talvez a juventude de hoje em dia ache isto tudo muito estranho, mas não nos esqueçamos que estamos a falar da África do Sul dos anos 70, onde não podíamos fazer chamadas de telefone de longa distância porque custavam uma fortuna. A tradição dizia que o pretendente devia sempre pedir a mão da namorada ao pai. Assim, quando o meu ex-marido se apresentou em minha casa e contou ao meu pai que eu tinha aceitado casar-me com ele, não teve outro remédio se não dar a sua bênção.”

Tão depressa se casaram como começou o pesadelo de Maye. Foi forçada a abandonar todas as suas aspirações profissionais e a viver totalmente dedicada ao marido, que a submeteu a abusos físicos e psicológicos desde o primeiro dia. “A primeira vez que me bateu foi na nossa lua-de-mel, em Génova. Fiquei em choque quando percebi que não se arrependia e que não ia deixar de me bater cada vez que lhe desse na cabeça.”

Envergonhada com a situação, não teve coragem de contar à família. Poucas semanas depois, vieram os enjoos matinais e percebeu que estava à espera do seu primeiro filho, Elon. Entretanto, o marido pouco se importou. No dia do parto, recusou-se a levá-la ao hospital até as contrações se sucederem de cinco em cinco minutos. Já era tão tarde que Maye não pode receber uma epidural.

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A desfilar na Semana da Moda de Nova Iorque em 2019.

Depois de Elon, seguiram-se Kimbal e Tosca. Passados três partos, três anos e três semanas, divorciou-se de Errol Musk em 1979. Tinha 31 anos quando começou do zero e mudou-se com os filhos para um apartamento minúsculo. Alimentavam-se à base de manteiga de amendoim e jantavam sopa de feijão quase todas as noites.

A pouco e pouco, Maye Musk conseguiu reconstruir a sua vida. Instalou-se com os miúdos em Joanesburgo e conseguiu abrir a sua própria clínica de nutrição, ao mesmo tempo que retomou os trabalhos esporádicos como modelo. Quando o filho mais velho fez 17 anos e apanhou um avião para ir estudar no Canadá, Maye fez as malas com os outros dois e foram atrás dele. No livro, confessa que nunca mais foi à África do sul — nem sequer de visita. 

Aterrou no país onde nasceu aos 42 anos e retomou a sua carreira de nutricionista, além de se iniciar como docente na Universidade de Toronto. Mais tarde, quando todos os filhos se mudaram para os Estados Unidos, foi para a Califórnia para estar mais próxima deles, acabando por trocá-la por Nova Iorque aos 50. Acreditava ingenuamente, recorda, que era lá que iam surgir mais oportunidades como modelo.

Seguiu-se um período doloroso em que não fechou um único trabalho em seis meses, uma fase em que assumiu que os seus tempos na indústria da moda tinham chegado ao fim. Mas, aos 59 anos, as coisas voltaram a mudar. Decidiu aceitar os cabelos brancos e esquecer de vez as tintas quando as ofertas de trabalho começaram a chover. “Jamais havia imaginado que aceitar o meu cabelo natural ia ser o segredo para me transformar numa supermodelo. Subi a uma passerelle pela primeira vez aos 15 anos e juraram-me que a minha carreira ia terminar aos 18. Não esperava continuar a trabalhar tantos anos e certamente nunca me passou pela cabeça que aos 71 me sentiria na flor da idade.”

maye musk
Com os três filhos.

Surgiram muitas oportunidades que recorda com carinho, como quando posou ao lado de Demi Moore para a “Vanity Fair”. Na última década, ganhou reputação como uma das nutricionistas mais célebres do mundo, desfilou na Semana da Moda de Nova Iorque aos 67 e foi escolhida para a nova imagem da CoverGirl aos 69. 

Diz que tentou sair com outros homens, mas que o cão a faz mais feliz do que qualquer relação que alguma vez teve. Na sua conta de Instagram (com mais de 410 mil seguidores), partilha mensagens encorajadoras sobe a idade e quer ajudar os seguidores que têm medo de envelhecer a lidarem melhor com a passagem do tempo.

“Um dos motivos por que fazer anos não me assusta é que cada década que vivi foi melhor do que a anterior. Os vintes foram uma época terrível; a única coisa boa que me aconteceu foram os meus três filhos. Os trintas também foram para esquecer. Aos quarentas não não tinha tempo para nada, só me limitei a sobreviver. Aos cinquentas mudei-me para Nova Iorque, fundei a minha própria empresa e comecei a ter as minhas redes sociais”, recorda.

“Aos sessenta encontrei finalmente a estabilidade familiar e profissional que tanto ambicionava. A minha família foi crescendo de forma exponencial e choveram ofertas profissionais. Agora, aos setenta, tenho a agenda mais preenchida do que nunca. Jamais o havia imaginado, mas confesso que me encanta.”

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