“Eu não sou perfeito”. Não é preciso ir mais além do título da nova coleção de Dino Alves para entender a mensagem do criador. O “enfant-terrible da moda portuguesa” encerrou o segundo dia de desfiles da ModaLisboa, este sábado, 14 de março, no Pátio da Galé..
“Esta coleção nasce da aceitação das falhas e imperfeições como identidade e carisma”, sobretudo “numa época em que todos procuram a perfeição” num mundo cada vez mais digital, “através de filtros, algoritmos e padrões de beleza irreais”, descreve a organização do evento.
Dividida em dois momentos, a apresentação começou com uma coleção-cápsula que Dino Alves desenvolveu com a Humana. Estas peças reinterpretadas surgem como mais um manifesto do criador a favor do upcyling, através de uma “uma ascensão de peças descartáveis a peças desejáveis”, como o próprio já havia explicado.
Nesta secção, as silhuetas surgem fragmentadas e experimentais, com camadas, sobreposições e volumes que evocam a própria ideia de roupa em trânsito. Camisas masculinas, saias plissadas e denim aparecem reinterpretadas, frequentemente cintadas ou reconstruídas, criando assim uma estética híbrida entre o utilitário e o performativo.
Ao apresentar esta coleção, o designer “pretende simbolizar uma certa mudança de paradigma: a moda como ferramenta de transformação, onde a criatividade e a sustentabilidade podem caminhar lado a lado, e onde o luxo contemporâneo pode surgir da reutilização e do compromisso ético, sem comprometer o impacto estético e a originalidade artística”, acrescenta o ModaLisboa.
Já na segunda parte, o discurso torna-se mais introspetivo. A ideia de imperfeição como linguagem estética dá lugar a cortes assimétricos, proporções inesperadas e uma tensão constante entre estrutura e fluidez. Não faltou o tule tão característico da marca, presente sobretudo através de saias amplas e semitransparentes.
As cores tornam-se também progressivamente mais definidas e dramáticas. A música, agora mais intensa, dá lugar a coordenados em tons de preto profundo e deixa que sejam criados momentos de teatralidade que lembram o gosto por silhuetas marcantes por aquele que é um dos designers mais acarinhados pelo público.

Como começou a carreira
Dino Alves nasceu em 1967, na Anadia. Ganhou cedo a alcunha de “enfant-terrible da moda portuguesa” por apresentar coleções capazes de representar conceitos que “pretendem tocar de alguma forma na consciência humana”, como o próprio afirmou.
É formado em Pintura na Escola Superior Artística do Porto e fez um curso profissional de fotografia no INEF. Ainda assim, só depois de passar pela Cinemateca Portuguesa é que percebeu que a sua grande paixão é a moda.
O primeiro desfile aconteceu em 1994, num evento já extinto chamado “Manobras de Maio”, em Lisboa. Só a partir de 1997 é que começou a apresentar as suas criações na ModaLisboa. A par das coleções sazonais, o designer tem criado figurinos para vários espetáculos de dança e teatro, bem como guarda-roupas para publicidade, eventos de moda e lançamentos de produtos.
Em 2006, por exemplo, Dino Alves foi o responsável pelo styling e produção da imagem dos participantes do Festival da Canção. Em 2011, abriu o seu atelier na Baixa de Lisboa, mais precisamente no número 91 da Rua da Madalena.
Carregue na galeria para ver as imagens do desfile apresentado por Dino Alves nesta edição da ModaLisboa.

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