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Deprimida e “brutalmente desfigurada”: a vida de Linda Evangelista após as plásticas

Viveu os últimos anos “como uma reclusa” depois de um tratamento para remover gorduras ter provocado o efeito contrário.
Evangelista na Vogue italiana em 1989

A supermodelo de elite nunca inundou o seu Instagram de selfies. Porém, desde 2015 que as suas fotos começaram a ser cada vez mais raras. no seu lugar, partilhava fotos de cenários, de viagens, de sessões antigas do tempo em que, ao lado de nomes como Naomi Campbell ou Claudia Schiffer, dominava as passereles.

Uma das suas últimas aparições aconteceu numa gala em Nova Iorque, no Metropolitan Museum, em 2015. De lá para cá, a vida da modelo aconteceu nas sombras, longe das câmaras e dos eventos. Esta quinta-feira, 23 de setembro, Evangelista decidiu explicar o porquê de se ter escondido durante “os últimos cinco anos”.

“A todos os meus seguidores que se têm perguntado porque é que não tenho trabalhado enquanto a carreira dos meus colegas tem prosperado, a verdade é que fui brutalmente desfigurada”, escreveu no Instagram, onde é seguida por quase um milhão de pessoas.

A mudança radical na manequim canadiana, hoje com 56 anos, já havia sido notada em 2016, quando várias fotos suas, nas ruas de Nova Iorque, foram captadas por fotógrafos. Nelas, era possível ver uma face mais inchada e radicalmente diferente da que Evangelista carregava nas últimas aparições públicas, dois anos antes.

O momento foi particularmente revelador: dias antes das fotos, as antigas colegas que cunharam o termo supermodelo — Schiffer, Campbell e Cindy Crawford — subiam juntas à passerele. Evangelista manteve-se escondida.

À época, a modelo revelou que não tinha sido submetida a quaisquer intervenções cirúrgicas e atribuiu as mudanças ao facto de ter sido apanhada sem maquilhagem. “Provavelmente farei cirurgias, não agora, mas estará perto. É importante para mim que as faça e já o revelei.”7

Segundo a própria, avançou mesmo para uma cirurgia, neste caso a CoolSculpting, um método não-invasivo de redesenhar o rosto, através de um processo a frio que elimina células adiposas. A técnica, criada pela Zeltiq Aesthetics, é, segundo Evangelista, a responsável por ter ficado “permanentemente deformada”.

“A operação fez precisamente o oposto do que prometia. Ao invés de diminuir o número de células adiposas, aumentou-o e deixou-me permanentemente deformada.” A modelo terá tentado corrigir o desastre através de “duas dolorosas e mal-sucedidas cirurgias”. “Fiquei, como os media descrevem, ‘irreconhecível’.”

Nas fotos mais recentes da modelo, surge com a face inchada, uma deformidade que atribui a uma condição rara provocada pelo tratamento de CoolSculpting, a Hiperplasia Paradoxal Adiposa (HPA). Trata-se de um dos riscos das cirurgias assentes na criolipólise, que destroem as células adiposas através da congelação.

Em casos raros, revelam os mais recentes estudos, o tratamento pode provocar precisamente o efeito contrário daquele que é pretendido: não só a área gorda não desaparece, como se torna mais aumentada, firme e particularmente visível.

Antes e depois do tratamento

Já em 2014, vários estudos apontavam para a HPA como um dos possíveis efeitos adversos destes tratamentos, com uma incidência rara, que rondaria os 0.0051 por cento. Outros estudos apontam para incidências superiores que poderiam chegar aos 0,72 por cento.

Na sua defesa, Linda Evangelista sublinha que este foi um risco para o qual nunca foi avisada. “A HPA não destruiu apenas o meu sustento. Atirou-me para um ciclo de depressões graves, uma tristeza imensa e a mais profunda autoaversão.” “Durante este processo”, nota, tornou-se “numa reclusa”.

Além de tornar público o drama que tem vivido longe das câmaras, Linda Evangelista usou a publicação para anunciar um processo em tribunal que irá interpor contra a empresa que fez o tratamento.

“Com este processo, quero seguir em frente e deixar para trás a vergonha, quero tornar a minha história pública.” O desabafo continua: “Estou cansada de viver desta forma. Gostava de poder sair da porta de casa com a minha cabeça erguida, apesar de já não estar igual a mim própria.”

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