Moda

Estilo retro ou mau gosto? Os vestidos babydoll de Olivia Rodrigo estão a dividir opiniões

A estrela pop, de 23 anos, está a ser acusada de “infantilizar a sua imagem”. A NiT explica a escolha.

Para comemorar o marco de ter nove faixas a alcançar mil milhões de streams, Olivia Rodrigo subiu ao palco do Billions Club Live do Spotify em Barcelona, Espanha, a 8 de maio, para um concerto especial. A cantora juntou os vários sucessos de “Sour” e “Guts” com o seu novo single, “Drop Dead”. 

O momento era de celebração, mas a artista de 23 anos tem sido alvo de comentários negativos devido à indignação com o estilo babydoll que adotou para o espetáculo. Apareceu com um vestido curto e bordado à mão, com muitos folhos e mangas bufantes. Combinou a proposta da marca Génération78 com umas ousadas Dr. Martens de cano alto.

Este visual levou Rodrigo a ser acusada de “infantilizar a sua imagem” e de sexualizar essa estética infantil. Misturar delicadeza com um toque punk tem sido, desde o início, uma das imagens de marca da superestrela nas suas apresentações ao vivo.

Enquanto fãs apontam para o facto de a artista se inspirar na história da moda riot grrrl [movimento punk feminista], numa referência aos ícones dos anos 90, outros criticam o facto de, alegadamente, estar a fetichizar estes elementos. Sobretudo por Rodrigo recorrer a vários gestos aparentemente sexuais durante o evento.

“Será que a Olivia Rodrigo pode se vestir como uma estrela pop normal e parar de tentar se vestir como uma criança pequena?”, escreveu um utilizador na rede social X. Não foi o único a partilhar a mesma reflexão.

A escolha, no entanto, precisa de algum contexto histórico. A história do vestido babydoll surgiu nos anos 40, graças à designer norte-americana Sylvia Pedlar, da marca Iris Lingerie, que encurtou o tecido das camisas de noite para responder à escassez de tecidos nos tempos de guerra. 

Embora a criadora não gostasse particularmente do termo babydoll, foi o filme de 1956 com o mesmo nome, protagonizado por Caroll Baker, que contribuiu para a sua popularidade. Na obra de Tenessee Williams, a protagonista é uma musa de 19 anos que usava este estilo de peças para simbolizar a liberdade sexual das jovens. O estilo entrou na linguagem popular e continuou a reinventar-se ao longo dos anos, tornando-se uma peça fundamental no armário feminino. 

Desde então, fez parte de vários movimentos. Amodelo Twiggy usava-os com pestanas de boneca nos anos 60, enquanto a atriz Courtney Love preferia conjugá-los com meias rasgadas e lábios vermelhos nos anos 90.  os poucos, tornou-se um símbolo da emancipação feminina enraizado nas políticas de género, numa altura em que o “The New Look”, de Christian Dior, voltava a fazer as mulheres aparecerem com espartilhos.

Atualmente, os vestidos babydoll voltaram a ser um lugar-comum no mundo da moda. Apesar do nome pouco convidativo, continuam a ser conhecidos pelas silhuetas divertidas e femininas com mangas bufantes, saias curtas e alguns laços, folhas ou golas à mistura.  Tal como os de Olivia Rodrigo.

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