Moda

A estreia triunfante do português Miguel Castro Freitas à frente da Mugler em Paris

O estilista apresentou-se na Paris Fashion Week esta quinta-feira, 2 de outubro. Misturou o rigor sartorial com alguma sensualidade.

Quando a primeira modelo apareceu na passarela improvisada, num estacionamento subterrâneo brutalista em Paris, o público já identificava a icónica silhueta da Mugler. As peças dramáticas, com proporções exageradas nos ombros, na cintura e nos quadris, apresentavam-se sob a forma de alfaiataria clássica, dando início ao espetáculo.

Assim arrancou o primeiro desfile do português Miguel Castro Freitas à frente da maison francesa, esta quinta-feira, 2 de outubro, na Semana da Moda de Paris, substituindo Casey Cadwallader. Com várias estrelas na plateia, como Pamela Anderson, o designer misturou o seu ADN com os códigos da famosa casa de moda.

Ao primeiro casaco bege, seguiram-se mais coordenados monocromáticos que apostavam numa paleta de cores neutra, com o castanho, o preto e o creme em destaque. Pelo meio, alguns apontamentos em laranja claro, verde limão ou turquesa marcaram a viagem pelas influências de Castro Freitas.

No meio de looks com ombros estruturados e cinturas marcadas, houve também espaço para brincar com texturas através de franjas, pelo e até plumas. Algumas mais oversized, outras a contornar as silhuetas esculpidas. Da sensualidade do látex aos tecidos brilhantes, deu a conhecer a nova musa Mugler.

Dias antes da estreia, o designer explicou à “Vogue” que as imagens do moodboard “evocam o clima da coleção tanto quanto as imagens”. “Para mim, são muito sensoriais”, destacou o artista, de 45 anos, que juntou palavras como glamour kitsch, poesia estelar, campo poético, noturno e maximalismo purista.

 “Essa coleção terá uma expressão bem única, no sentido de que vai fazer parte de uma trilogia — uma trilogia de clichés glorificados”, acrescentou. “Essas obsessões universais têm se repetido ao longo dos anos: o power dressing, o glamour, a femme fatale e o retrofuturismo. No início dessa jornada, quis ser quase arqueológico — essa descoberta dos códigos da casa encontrados nos arquivos.” 

Castro Freitas foi anunciado como diretor criativo da marca de luxo francesa em março. “Como um dos grandes costureiros do século XX, Mugler reimaginou o poder e os limites da moda. Estou ansioso por trazer a minha própria visão, história e emoção para este património monumental”, disse, na altura, o criativo.

Até então pouco conhecido do grande público, tem desenvolvido o seu trabalho nos bastidores. Antes da Mugler, foi escolhido por John Galliano para trabalhar na Dior, após ter-se licenciado na Central Saint Martin, em 2004, e passado por outros cargos na Yves Saint Laurent e na Lanvin.

Durante este percurso, foi ainda chefe de alfaiataria da Christian Dior, liderada por Raf Simons, chefe de moda feminina da Dries Van Noten e diretor criativo da Sportmarx, tendo liderado as coleções entre primavera-verão 2021 e 2024.

“O Miguel vive e respira o espírito Mugler. O seu profundo conhecimento do ADN da Mugler e a sua vasta criatividade e talento fizeram dele uma escolha natural”, afirmou Danièle Lahana-Aidenbaum, presidente global da marca Mugler Fashion & Fragrances.

Casey Cadwallader, que assumiu o comando da etiqueta como diretor criativo em 2018, anunciou que se ia afastar das funções no final de março. Foi por volta dessa altura, mais precisamente dia 17, que vários meios da imprensa internacional, como a “WWD”, avançaram o nome do português.

 
 
 
 
 
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