Moda

A famosa criadora Vera Wang já tem 72 anos (mas parece uma miúda de 27)

Foi patinadora artística, editora de moda da "Vogue" e designer da Ralph Lauren. Só resolveu lançar a sua própria marca aos 40 e diz que a idade não deve limitar ninguém.
Chocante.

Uma passagem rápida pelas redes sociais de Vera Wang é capaz de deixar até os internautas menos impressionáveis de queixo caído. Entre as mais de 1.300 publicações da criadora de 72 anos, vê-se uma miúda que mais parece ter 27, com looks arrojados, pernas à mostra, braços fininhos como um palito e os seus longos cabelos negros, escorridos, a emoldurar um rosto sem rugas.

Já são mais de 672 mil aqueles que a seguem, atraídos pelas partilhas que faz da sua vida pessoal, uma explosão com poucos precedentes no Instagram: em 2020, tinha apenas 23 mil seguidores. 

Mistura high fashion com peças pouco trendy, naquilo que o “Wall Street Journal” descreve como uma vibe “entre adolescente e avó”. Partilha os seus mais recentes contratos publicitários, mas também imagens casuais que retratam bem a vida na pandemia, esparramada no chão, de leggings, com uma T-shirt vestida, depois de ter passado, conta, nove horas consecutivas a ver a “CNN.” Tudo são dicotomias. Tanto gosta de apreciar as refeições mais gourmet que se possa imaginar, como fast food do McDonald’s, gelados e bolos de pacote. 

“Os meus posts de Instagram são mais ‘eu’, o meu ‘eu’ relaxado”, conta ao jornal americano pelo telefone. Está de férias em Southampton, nos Estados Unidos, na casa onde passa os verões quando não está no seu impressionante apartamento com quase 700 metros quadrados em Manhattan e que herdou dos pais. “Depois a coisa da idade começou a revelar-se”, continua. “As pessoas começaram a controlar os meus aniversários.”

 
 
 
 
 
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Segundo a própria, é possível que seja a convidada mais velha da Met Gala que ainda está viva. Este ano, posou a 13 de setembro na passadeira vermelha do evento ao lado de Emily Ratajkowski, para quem desenhou um vestido vermelho, cheio de renda, com uma construção complexa no ombro direito. A peça foi inspirada na sua coleção de noivas de 2013.

Já a criadora vestiu uns calções minúsculos, de boxeur, um crop top com cauda, meias de cano alto, que subiam até às coxas macérrimas, e uns sapatos de plataforma altos. “Sou mais do que a minha idade, espero”, afirmou. “Espero que as mulheres consigam não sentir esses limites. Que poossam ter uma carreira aos 72.”

Mudou de vida aos 40 anos

Foi apenas aos 40 anos que Wang abandonou a sua posição como editora na “Vogue” e designer de acessórios na Ralph Lauren para começar o seu próprio negócio. Sem esquecer que, em miúda, foi também uma patinadora artística profissional, que quase se qualificou para os Jogos Olímpicos em 1968. Quando um repórter da “Harvard Business Review” lhe sugeriu que o havia feito tarde na carreira, Wang perguntou: “40 é tarde?”

Vera Wang é uma das poucas criadoras da sua geração que se mantém à frente da marca que criou. É diretora criativa e presidente da empresa com o mesmo nome e supervisiona um atelier relativamente pequeno, além de um conjunto complexo de licenças de marca, muitas delas relacionadas com a indústria dos casamentos.

“Ela é a gata da moda com nove vidas”, disse à mesma publicação o consultor da indústria de luxo Robert Burke. “E ainda é ela quem define a fasquia nupcial.” Na primavera passada, fechou um contrato de 10 anos para lançar a nova linha de vestidos de casamento para a Pronovias.

No seu atelier de Nova Iorque, tem várias salas que se focam em diferentes elementos da criação de vestidos, como os drapeados, cortes ou missangas. Apesar dos atrasos da pandemia, muitas mulheres vestiram Vera Wang para os seus casamentos. Ariana Grande, Gwen Stefani e Issa Rae são algumas das celebridades na lista. A sua equipa voou todas as semanas entre Nova Iorque e Los Angeles para fazer provas, de máscaras na cara.

A criadora está separada do marido, Arthur Becker, com quem teve duas filhas, de 28 e 30 anos. Nenhuma delas está casada, o que não deixa de ser uma ironia para uma mulher que dedicou grande parte da vida aos vestidos de noiva. “Eu digo-lhes, ‘é melhor despacharem-se porque eu tenho de estar viva para desenhar os vossos vestidos…’ Elas reviram os olhos e saem da sala.”

O caminho até ao sucesso não foi sempre fácil. Em 2012, desenhou uma coleção de noivas e mandou fazer 16 vestidos em preto, inspirados na sua vontade de criar peças num estilo de lingerie. “Levei com muita merda por causa disso. As pessoas disseram ‘Oh, ela está mesmo deprimida'”, desabafa irritada ao “Wall Street Journal”. “Eu achei que era muito cool. E, já agora, se virem um vestido preto na passerelle, não conseguem concluir que ele também pode ser feito em branco?”

Ao longo da carreira, conta que sempre controlou as expetativas de que nunca seria uma Prada ou Ralph Lauren. “Eu não acho que seja assim tão boa, para ser perfeitamente honesta, mas o que quer que eu tenha tido para sobreviver, foi porque mantive estes pensamentos no cérebro. Este negócio é duro.”

Durante a pandemia, começou a documentar o seu dia-a-dia em Miami, onde passou uma temporada, através do Instagram. Regressou a Nova Iorque esta primavera e, em agosto, partilhou um vídeo seu a desfilar de stilettos como se estivesse numa passerelle. 

“Eu não sou apenas este sex symbol lindíssimo aos 72. Eu não sou uma babe sensual! Eu estou no controlo. Quando tens 100 por cento de uma empresa, estás no controlo”, afirma. Mas há uma coisa que confessa que lhe escapou: um companheiro. “Quero um namorado. Isso seria bom”, comenta.

 
 
 
 
 
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