Moda

Fugiu da guerra civil libanesa, tem 56 anos e é influencer — o estilo não tem idade

Chegou ao Canadá nos anos 1990 e trabalhou como personal trainer. Tornou-se ícone de moda e tem mais de 680 mil seguidores.
Diz que o seu estilo quase não mudou desde que estava nos trintas.

Tudo começou como uma brincadeira. Foi a filha de Grece Ghanem, habituada a que a mãe lhe pedisse o telemóvel emprestado para fazer pesquisas sobre looks no Instagram, que a convenceu a criar uma conta na rede social. Quando viajavam juntas, tinham o costume de tirar fotografias uma à outra para mostrar os outfits aos amigos. A premissa base para criar um perfil de influencer já lá estava.

Hoje, aos 56 anos, Ghanem é uma das criadoras de conteúdos com mais pinta do mundo e é seguida por 687 mil pessoas . No entanto, tornar-se influencer nunca foi um objetivo, garantiu à “Vogue“. A ideia, que partiu da filha, acabou por se transformar numa paixão que centenas de milhares de pessoas começaram a acompanhar de forma orgânica.

Originalmente, era técnica de laboratório num hospital no Líbano, o país onde nasceu e de onde fugiu no final da guerra civil, em 1990. Chegada a Montreal, no Canadá, formou-se como personal trainer e foi essa a sua ocupação principal até há cinco anos, quando Cheyenne, a filha, lhe criou a conta no Instagram. O resto é história.

Desde então, trabalhou com várias marcas e fotógrafos de street style. Assume os cabelos brancos com um bob curto, que se tornou na sua imagem de marca. O seu estilo sem idade é um desafio ao idadismo — o preconceito ou descriminação feitos com base na data de nascimento — e à ideia de que, a partir dos 50, as mulheres devem esconder-se dentro de casaquinhos de malha.

Aliás, a diferença entre as roupas que veste agora e as que vestia quando estava nos trintas não é assim tão drástica. “Gostei sempre de básicos, cores fortes e prints poderosos”, afirma Ghanem. “Ainda sou curiosa e aventureira no que toca às novas tendências, mas estou a construir uma base sólida.”

 
 
 
 
 
Ver esta publicação no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação partilhada por Grece Ghanem (@greceghanem)

Um casaco acolchoado de vinil da Stand Studio; um body justo com padrão de leopardo da Dolce & Gabanna, uma carteira Cassette da Bottega Veneta; umas calças de ganga da Levi’s que tem desde que tinha 20 anos. São estas as peças de roupa que diz que salvava de um incêndio. Para ela, a tal base que construiu é composta de peças de qualidade, intemporais.

Ainda se sente mais personal trainer do que influencer, mas recorda-se do um momento que alavancou a sua carreira como divulgadora de tendências. Aconteceu durante a Semana da Moda de Nova Iorque, quando o fundador da revista “Advanced Style”, Ari Seth Cohen, a fotografou num vestido cor-de-rosa. “Sinto que foi aí que as pessoas começaram a perceber que a idade não é deve ser um fator determinante da forma como escolhemos vestir-nos.”

As coisas estão a mudar, mas a indústria da moda ainda não conseguiu desistir completamente de venerar a juventude. Ghanem acredita que tem havido pouco progresso na representatividade de pessoas mais velhas na indústria da moda, em comparação com as outras formas de diversidade.

“Houve uma melhoria mas as mudanças não acontecem de um dia para o outro. Quando uma marca defende a beleza de mulheres de todas as idades na sua identidade e filosofia, incluir mulheres mais velhas em campanhas não parece uma tendência ou um ‘momento'”, considera.

“Mas ainda existe idadismo na moda. Muitas vezes vestem-me num look mais conservador do que vestiriam às jovens modelos, só porque sou mais velha. Mas ser mais madura não significa que tenha um estilo clássico”, acrescenta.

A sua designer favorita é Phoebe Philo, especialmente durante a era em que trabalhou na Céline. “Sinto que os seus designs acompanham as mulheres em diferentes fases da vida”, explica. Mas também gosta de Daniel Lee como diretor-criativo da Bottega Veneta, da sua atenção ao detalhe.

A sua maior inspiração vem da mãe e da avó, duas mulheres com um estilo “impecável”, nas suas palavras. “Brincava com as roupas do guarda-roupa da minha avó e experimentava os seus acessórios”, recorda.

Sobre o conselho que daria às mulheres que se esforçam para se manterem confiantes durante a meia-idade, Grece Ghanem diz que é importante que continuem a divertir-se com as roupas. “Recomendo que se foquem em si mesmas e que não deixem que a opinião da sociedade mude a forma como se vestem”, aconselha.

“A minha regra de estilo aplica-se a mulheres em todas as fases da vida: comprem uma peça, não porque alguém vos diz que é a tendência da estação, mas porque vos empodera. As roupas devem fazer-vos sentirem-se mais bonitas. Devem dar-vos força e alegria”, conclui.

Carregue na galeria para conhecer alguns dos looks mais marcantes de Grece Ghanem.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT