Moda

Governo mexicano acusa Zara de apropriação cultural por causa de um vestido bordado

O modelo da super empresa espanhola é idêntico aos utilizados pela população indígena da região de Oaxaca.
A marca da Inditex já não tem o vestido disponível.

Em março deste ano, houve uma polémica enorme por causa de uma camisola dos pescadores da Póvoa de Varzim, depois de uma estilista e designer norte-americana ter lançado um conjunto de modelos semelhantes ao design português. Desta vez, é do México que surgem mais três acusações de apropriação cultural, uma delas recai sobre a grande marca do Grupo Inditex, a Zara. As outras duas etiquetas são a Anthropologie e a Patowl.

O governo mexicano acusa as empresas de moda de utilizaram um estilo nas suas peças que foi criado pela população indígena da região de Oaxaca. Após uma troca de correspondência à data de 13 de maio, o Ministério da Cultura daquele país exigiu um esclarecimento público sobre o tema e que fossem devolvidos os lucros das vendas às comunidades que idealizaram e produziram esta técnica de bordados e traços ilustrativos. 

Quanto à denúncia feita em relação peça da Zara, trata-se de um vestido midi bordado azul, cuja cópia se traduz nos símbolos ancestrais e nos vestidos tradicionais huipil produzidos pelo povo Mixtec de San Juan Colorado. A peça da marca espanhola já não se encontra disponível. Citada pela CNN, a Inditex afirma que tem o maior respeito pelas comunidades do México e que o design da peça não foi copiado ou influenciado pelo estilo e indumentárias do povo mexicano. Tudo terá sido uma mera coincidência, defendem os espanhóis.

A empresa americana Anthropologie foi indicada como exemplo de apropriação da cultura mexicana devido a uns calções com bordados. Este modelo apresenta símbolos idênticos aos que são utilizados pela comunidade Mixe, de Santa Maria Tlahuitoltepec. Contrariamente à marca da Inditex, estes shorts ainda estão à venda nas lojas da marca.

Finalmente, o Ministério considerou que a camisa floral da marca americana Patowl foi inspirada nos típicos bordados da comunidade zapoteca de San Antonino Castillo Velasco. Os responsáveis mexicanos alegam que esta técnica é uma clara imitação de um método mais complexo conhecido como “hazme si puedes” (“faça-me se puder”).

A Patowl e a Anthropologie ainda não se pronunciaram sobre o tema.

Estes são os três modelos em causa.

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