Moda

Houve moda portuguesa em palco na passagem de Bad Bunny por Lisboa

O guarda-roupa da banda porto-riquenha Chuwi, que abriu o espetáculo, foi criado pela marca Behén, da criadora Joana Duarte.

Antes de Bad Bunny levar perreo, salsa e fogo de artifício para o Estádio da Luz, em Lisboa, a passagem do artista por Portugal arrancou — como aconteceu em outras paragens da digressão — com um concerto de abertura da banda porto-riquenha Chuwi, que atuou nas duas datas, a 26 e 27 de maio.

Em palco, os irmãos Lorén, Willy e Wester Aldarondo e o amigo Adrián López, os elementos do grupo, não só levaram alguns dos seus melhores temas, mas também um guarda-roupa escolhido a dedo para a ocasião. Todos tinham propostas assinadas pela marca Behén Studio, da designer de moda portuguesa Joana Duarte.

A estilista foi contactada uns dias antes do espetáculo pela stylist da banda, Kathia A. Sánchez Ruiz, que visitou o atelier em Lisboa e escolheu várias peças.

“Sabíamos que havia a possibilidade de serem usadas, mas não era garantido, nem sabíamos quais as peças que iria escolher pois experimentaram várias opções”, contou à SIC.

Lorén Aldarondo, por exemplo, usou duas versões do vestido Starry Night Mini Dress, em preto e em branco, respetivamente. O design é inspirado em desenhos de arquivo da região de Viana do Castelo e conta com bordados manuais com vidrilhos que refletem o trabalho artesanal da marca.

Este modelo foi incluído na coleção de primavera-verão 2025 da Behén, batizada “You Are Mean”, e tornou-se uma das mais icónicas da marca. “O desenho do bordado foi desenvolvido por nós em atelier, com base em motivos antigos desta técnica tradicional, e foi bordado por mim. Foram muitas horas de trabalho”, continuou a artista de 30 anos.

 
 
 
 
 
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Porém, não foi apenas Lorén que usou peças assinadas pela Behén Studio. Os restantes membros optaram por camisas com bordados feitas à mão, refletindo o apreço que a criadora minhota tem pelo trabalho artesanal. Também surgiram com camisas da Otherwise e T-shirts da Gandaia e da It’s Okay, todas elas portuguesas.

““É incrível ver tantas pessoas a reconhecerem o vestido como sendo da Béhen durante o concerto”, agradeceu Joana, após ter sido inundada por mensagens e partilhas nas redes sociais por causa da atuação dos Chuwi.

A história da Behén

A sabedoria dos mais antigos é um dos mote da marca fundada por Joana Duarte. No início da Behén, a artista criava peças de roupa com têxteis velhos que encontrava no baú da avó — de colchas e edredões a toalhas e cortinas. A paixão pela tradição também esteve presente no desfile através dos bordados típicos da Madeira, da tecelagem de São Jorge e da chita de Alcobaça.

A marca foi fundada em 2019. Antes, a criadora estudou em Londres, na Kingston University, após a licenciatura na Faculdade de Arquitetura, em Lisboa. Aprofundou o seu interesse pela produção ética e trabalho com comunidades de artesãos, que a levou até à Índia para estagiar numa marca Fair Trade.

A portuguesa apresentou-se, pela primeira vez, na ModaLisboa em março 2020. Um ano depois, ganhou o primeiro prémio de Empreendedorismo Feminino AWE, atribuído pela Embaixada dos EUA e, em 2022, o Globo de Ouro na Categoria de “Personalidade de Moda do Ano”. Desde então, tem vindo a desenvolver um trabalho apoiado por artesãos e técnicas ancestrais.

Carregue na galeria para ver as melhores imagens do primeiro concerto de Bad Bunny no Estádio da Luz.

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