Moda

Já existem camisolas feitas com cabelo humano (e parecem feitas de lã)

A Human Material Loop transforma os fios recuperados do chão dos salões em tecido. Usa-o em roupas, cortinas, tapetes e móveis.
São propostas discretas.

Já alguma vez pensou no que acontece ao seu cabelo depois de o cortar? Segundo a marca neerlandesa Human Material Loop, 72 milhões de quilos de resíduos de fios capilares humanos acabam em aterros europeus todos os anos, ou seja, uma quantidade equivalente ao peso de sete Torres Eiffel. A pensar nisso, a etiqueta quis dar um novo e invulgar destino a esta fibra produzida pelo nosso organismo: transformá-la em roupas.

“Sempre tive um fascínio pelo cabelo humano. É considerado precioso enquanto está na nossa cabeça, mas, depois de cortado, é repulsivo para muitas pessoas”, revela a fundadora da startup Zsofia Kollar, citada pelo “Público”. 

Em 2021, a designer lançou um projeto que transforma os restos varridos do chão dos salões e barbearias em tecido para cortinas, tapetes, móveis. No entanto, não se ficou por aí. Embora a indústria das perucas já use longas madeixas de cabelo há largos anos, a empresa dos Países Baixos é uma das primeiras a assumir este upcycling no mundo da moda, usando-o para camisolas.

Até pode parecer um têxtil demasiado frágil, mas consegue ser tão forte como o aço e pode suspender até dois elefantes no ar, segundo a responsável. Além disso, tem outras características que se revelam muito vantajosas, uma vez que retém o calor e o óleo e liberta a água. De um ponto de vista ambiental, diminui os gases com efeito de estufa e evita as consequências do cultivo do algodão na terra.

O tecido criado é semelhante ao da lã e todos os fios capilares podem ser utilizados, independentemente de qual seja a cor ou o comprimento. O processo de produção passa pelo tratamento com produtos químicos, que não representam um perigo para a saúde humana ou dos animais. Além disso, explica Kollar, pode ser tingido com quase todas as tonalidades, exceto o branco.

A primeira camisola feita de cabelo.

“Muitas vezes, quando as pessoas ouvem que é feito de cabelo humano, ficam um pouco enojadas. Mas se eu lhes mostrar uma amostra e disser: ‘O que achas disto?’, elas dizem: ‘Oh, é fixe.’ Quando a seguir digo do que é feito, a reação é muito diferente”, acrescenta. “Por isso mesmo tento que todas as peças parecessem o mais normais possível.”

É o que acontece com esta proposta: se não contar a ninguém que é uma sugestão diferente das vemos nos centros comerciais, ninguém vai suspeitar. Trata-se do primeiro protótipo da marca e foi também a peça escolhida para agradar ao maior número de pessoas possível. Criada em parceria com a marca de cuidados capilares Schwarzkopf Professional, tem um tom tijolo, uma gola redonda e uma textura espessa.

Até ao momento, os designs não estão disponíveis para venda, embora o seu custo de produção seja equivalente ao que lã, algodão ou poliéster. O objetivo da marca é divulgar e fornecer o material para ser trabalhado por outros criativos e marcas Se os planos de Kollar se concretizarem, serão produzidos cerca de 550 mil toneladas de tecido de cabelo humano por ano, até 2034. Para que isso aconteça é necessário transformar em tecido um quarto de todos os resíduos dos salões de beleza do mundo.

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