Moda

Jordan Trent: a mulher que cria looks de luxo com peças da Asos e da Zara

Falámos com a stylist britânica de 56 anos que se tornou num nome obrigatório para seguir no Instagram.
A stylist não tem medo de ousar nos seus looks.

Se existe um aspeto positivo que podemos apontar a marcas de moda como a Zara, a Mango, a Modalfa ou a Primark, é que todas vieram democratizar o sistema de moda. Graças a estas etiquetas, pessoas de todo o mundo conseguiram passar a vestir — e acompanhar — as tendências da indústria através de peças com qualidade. Isto é de tal forma verdade verdade que, hoje em dia, até mesmo editores, stylists e profissionais de moda usam looks das marcas de fast fashion.

Jordan Trent tem 56 anos, é britânica e faz parte desse grupo de pessoas. Através das fotos que publica no Instagram, é capaz de deixar qualquer mulher espantada com os seus coordenados. No seu dia a dia, Trent trabalha como stylist. Uma paixão que começou bastante cedo.

“Quando era pequena, adorava ler livros de desenhos animados (não existia Internet naquela época). O meu favorito chamava-se “Bunty”. Gostava muito dele porque na última página tinha a imagem de uma jovem — a Bunty — e ela estava rodeada de roupas com as quais podíamos criar um look inteira para ela usar”, conta à NiT.

E acrescenta: “Ela tinha vestidos, casacos, sapatos e uma bolsa que recortávamos e prendíamos no seu corpo. Ela era aquilo que se chamava de boneca de papel. Eu ficava hipnotizada com isto, e costumava comprar o livro todas as semanas e guardava as roupas todas. Depois, eu misturava e combinava os itens com peças das semanas anteriores para criar as minhas próprias ideias. Foi aí que o meu amor pela moda começou.”

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Jordan Trent (@theelegantstylist)

A influência da boneca na sua infância foi de tal forma significante que acabou por fazer uma carreira a partir daquela brincadeira: “Tudo começou com o meu estilo. A minha família era muito pobre, por isso não havia dinheiro para comprar roupas bonitas, e eu queria desesperadamente parecer-me com a Bunty. Quando não tens muito dinheiro, aprendes a ser muito criativo com as roupas”, explica. “Como stylist, tens que mostrar o teu trabalho e a melhor forma de o fazer é através de nós. Conjugando o que combina com nosso corpo e personalidade.” 

“Não me lembro do momento exato em que se tornou uma decisão real. Comecei com amigos que elogiavam o meu estilo e pediam conselhos para um evento especial. Depois, como trabalhava freelance como assistente pessoal, costumava trabalhar na casa dos meus clientes – e eles comentavam as roupas que eu usava. Gradualmente, isso mudou e eles passaram a pedir dicas sobre onde comprar certos itens e como costurar peças. Certo dia, percebi que estava a passar mais tempo a trabalhar com eles como stylist do que como assistente.”

Atualmente, além do seu trabalho, Jordan partilha no Instagram @theelegantstylist alguns dos seus looks. Uma rotina que nasceu durante a pandemia.

“Não era algo que eu tivesse realmente feito da forma adequada até a pandemia — altura em que, para muitos de nós, foi um momento que nos recordamos da fragilidade da vida — então decidi focar-me mais nisso e criei a minha página de Instagram. A um nível pessoal, eu queria poder passar mais tempo a fazer algo que amo, e que já fazia de qualquer maneira, com ou sem a redes sociais.”

 
 
 
 
 
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Esta decisão foi também influenciada pela sua idade, um tópico sobre o qual não tem medo de falar. “Hoje, as mulheres com mais de cinquenta anos ainda não são vistas como vibrantes e elegantes e carecem de representação. Mas está a mudar  gradualmente e eu queria fazer parte disso – mostrar às mulheres que o estilo não tem idade e que não precisam de parar de ser vistas porque tem uma certa idade. Só quando comecei a receber mensagens de outras mulheres que me seguem é que percebi como isso seria tão empoderador. Há tantas mulheres no mundo que procuram por outras, mais velhas, com as quais se possam identificar e fazê-las sentirem-se empoderdas, para que vivam da forma que desejam.”

Esta questão é de facto importante. Este sentimento de identificação, de nos revermos no outro, pode por vezes ajudar mesmo outras pessoas.

“No outro dia recebi uma mensagem de uma mulher que recuperava de uma situação de violência doméstica, que estava a aprender a reencontrar-se. Ela contou-me como achou a minha página inspiradora e fiquei muito emocionado a ler, porque também passei por uma situação de violência doméstico e consigo saber exatamente como ela se sente. São estas mensagens que me lembram que representatividade como a minha é importante — eu sinto isso ainda mais como uma mulher afro-descendente — e que moda e estilo não são apenas um absurdo fofo – mas fazem parte integrante da nossa identidade.”

Num dos vários looks que tem partilhado, Jordan Trent revelou uma carteira da marca portuguesa Entrudo. “Ah, foi a minha primeira compra de Portugal. Adorei aquela carteira no momento em que a vi na Pilar De Arce, no Instagram. Eu sabia que precisava dela, por isso, mandei uma mensagem para Maria, da Entrudo. Eles fazem a mala sob encomenda e houve algumas dificuldades, porque eu estou no Reino Unido e não fazemos mais parte da União Europeia. O transporte não foi tão fácil como esperamos. Mas o atendimento ao cliente foi incrível, a Maria foi maravilhosa e eu recomendo-os.”

Jordan conclui: “Se eu decidir comprar um item instantaneamente, é porque ele falou comigo. Esta carteira dizia individualidade, exclusividade e não tinha vergonha de se destacar da multidão. Gosto de pensar que isso me descreve nos meus melhores dias”

Carregue na galeria para conhecer alguns dos looks da stylist, todos com marcas low-cost. 

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