Moda

Em lágrimas, as influencers na Rússia despedem-se do Instagram — o principal ganha pão

O bloqueio da rede social pelo regulador russo de telecomunicações causou indignação e tentativas de contornar a proibição.
As reações foram imediatas.

O Instagram juntou-se esta segunda-feira, 14 de março, a redes sociais como o Facebook, o Twitter e o TikTok que constam da lista de plataformas que passaram a ter acesso restrito na Rússia. A decisão do governo liderado por Vladimir Putin gerou uma onda de vídeos de despedida por parte de criadores de conteúdos russos para quem a aplicação era a principal forma de sustento.

“Isto [o Instagram] é a minha vida, isto é a minha alma. É com ele que tenho acordado e adormecido nos últimos cinco anos”. As palavras são de Karina Nigay, uma influencer de moda que conta com quase 3 milhões de seguidores no Instagram e que se despediu da plataforma em lágrimas. “Estou num estado de ressentimento — e não estou sequer perto de um estado de aceitação”, escreveu.

Porém, a publicação já foi eliminada e Nigay continua ativa na rede social. Para contornar a proibição,a  instagrammer passou a usar um serviço de VPN (ou seja, uma rede privada virtual que mascara a identidade e localização do utilizador). Esta forma de estabelecerem uma ligação protegida à internet tem sido fundamental para as influencers que foram afetadas pela decisão da Roskomnadzo, o regulador russo de telecomunicações. Outras criadoras de conteúdos optaram por sair do país e algumas mudaram-se para o Telegram — um serviço russo de mensagens instantâneas baseado na nuvem — e e que se mantém ativo no país.

“Imaginem serem despedidos do vosso trabalho e deixarem de receber dinheiro. E ao mesmo tempo têm despesas com a família, com a vossa equipa (se a tiverem — e, de repente, não terem com que lhes pagar)”, explicou Nigay a chorar num dos vídeos que publicou.

Casos como o dela, existem vários e, de acordo com o jornal “Washington Post”, o anúncio do bloqueio russo foi seguido de inúmeras publicações de despedida do Instagram, a par com tentativas de publicitar os novos canais de Telegram.

Uma estrela da televisão russa, Olga Buzova, também partilhou um vídeo onde que as emoções falaram mais alto. “Estou a escrever isto e a chorar”, disse, agradecendo o apoio dos seguidores e fazendo um apelo para que continuem a acompanhá-la.

Karina Istomina, uma DJ que conta com mais de 400 mil seguidores, também desabafou sobre a situação: “Aproximadamente metade de todos os meus os rendimentos vêm da publicidade no Instagram. Estou absolutamente devastada por estar a perder a minha conta. Muito provavelmente terei que encontrar novas fontes de rendimento e terei que me redescobrir [profissionalmente].”

No entanto, não são só as influencers que têm nas páginas desta aplicação a sua principal forma de sustento a manifestaram-se. Várias organizações, como o Husky Help, um abrigo para cães situado em Moscovo, alertou para o facto de o Instagram representar mais do que fotografias. Está também na origem de “um grande número de empregos” e é “uma oportunidade de nos envolvermos em boas ações”.

O bloqueio da rede social na Rússia foi justificada pelo governo como uma forma de condenação aos apelos à violência contra a população russa no seguimento da invasão à Ucrânia permitidos nas publicações da Meta (empresa à qual também pertence o Facebook). Após o ter sido implementado o acesso restrito ao Instagram as pesquisas por serviços VPN na Rússia apresentaram o dobro dos resultados no espaço de uma semana, de acordo com a companhia britânica TOP10VPN. 

Entre as influencers que ainda não aceitam a ideia de largar a plataforma e as que tentam instalar-se em novos canais de comunicação, o mundo das produtoras de conteúdos digitais russas está dividido.

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