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Que loucura é esta? A febre das pulseiras da amizade de Taylor Swift chegou a Portugal

Lia já fez mais de 120 para trocar. É uma das swifties que preparam a loucura que se avizinha com a passagem da artista por Portugal.
Tudo começou com a The Eras Tour.

Se cresceu nos anos 2000, é quase certo que se recorda de um elemento indispensável nas festas do pijama. E não, não estamos a falar do pijama. As famosas pulseiras da amizade, feitas por amigos reunidos à volta de uma mesa cheia de cores e fios, eram partilhadas como pequenos tesouros — ora nos clássicas noites em casa dos amigos, ora no recreio da escola.

Há quem acredite que as origens destes acessórios remetem para as comunidades indígenas da América Central e do Sul. As criações em macramé tornaram-se comuns entre os hippies nos anos 70, regressaram na década de 90 e consolidaram o estatuto no início do milénio, onde surgiram com uma variedade de padrões de nós. A verdade é que a nostalgia voltou a fazer das suas. Se há peça que se tornou um sinónimo de Taylor Swift e da Eras Tour são, precisamente, as coloridas pulseiras da amizade.

Os fãs têm regressado ao passado para fazer dezenas (ou até mesmo centenas) delas para trocar com outras pessoas nos espetáculos ao vivo. Em Lisboa, o cenário não será diferente.

Antes da passagem da cantora pelo Estádio da Luz — marcada para 24 e 25 de maio —, há quem passe todos os dias à volta de fios e nós. É o caso de Lia Moura, de 26 anos, que encomendou duas caixas com duas mil missangas para embarcar nesta missão no início do ano.

“Tenho acompanhado a tour desde que começou nos Estados Unidos. Via muitos livestreams e vídeos no Twitter ou no TikTok e reparei que os fãs começaram a fazer esta trend”, explica à NiT, reforçando que a troca tem um elemento de regresso à infância.

@liahrtsfolkmore

105 feitas, muitas mais para fazer <3 #taylorswift #theerastourlisboa #swiftiesportugal #friendshipbracelets

♬ som original – Lia (Taylor’s Version)

É também “uma forma de conhecer novas pessoas, interagir com outros swifties [nome dado aos fãs da artista] e aproveitar o momento” com outras pessoas que partilham o mesmo gosto”, acrescenta. Estas pulseiras são utilizadas numa variedade de cores para soletrar diferentes palavras e frases. Podem ser letras de músicas, títulos de álbuns, nomes de pessoas ou piadas internas. Até os nomes dos gatos da artista fazem parte da lista: Meredith Grey, Olivia Benson e Benjamin Button.

“As que mais gosto são as das minhas músicas favoritas, como a ‘New Year’s Day’. Tem muito significado porque é a data em que comecei a relação com o meu namorado”, recorda. Há outras mais engraçadas, como a expressão “real slow” com vários E, em referência ao sotaque da cantora, característico do sul dos EUA, na canção “Our Song”, que se tornou uma piada entre os entusiastas da estrela pop.

O início do fenómeno

E como é que começou esta loucura? É difícil precisar a ligação das pulseiras a Taylor Swift, mas a teoria mais comum aponta que a canção “You’re on Your Own, Kid” do álbum “Midnights”, foi a principal responsável. “Tudo o que perdes é um passo que dás. Então, faz as pulseiras da amizade, aproveita o momento e saboreia-o”, ouve-se no tema. E os fãs decidiram seguir o conselho.

O projeto foi lançado em outubro de 2022 e, algumas semanas mais tarde, foi anunciada a digressão que atravessa toda a carreira de Swift. Foi aí que muitos fanáticos sugeriram que se fizessem friendship bracelets para trocarem entre si no espetáculo. A febre espalhou-se um pouco por todos os continentes.

Em muitos casos, a tradição começou antes da digressão. Sofia Baltazar, de 19 anos, lembra-se quando fez as primeiras num acampamento de verão com as melhores amigas, Marta e Carolina, sentadas à volta da fogueira. Desde então que se tornou numa espécie de ritual que repetem todos os verões, à medida que vão crescendo juntas.

“Hoje, enquanto fazemos mais algumas para o concerto da Taylor, estamos a relembrar todas as aventuras que partilhámos”, explica a jovem. “Desde as noites de filmes até as viagens de férias, cada pulseira tem um pedacinho dessas memórias. E agora, estamos a adicionar a emoção do concerto de uma cantora que se tornou a banda sonora destes momentos.”

Se Sofia e as amigas fizeram 30 versões, Lia soma um número bem maior. Até ao momento já conta com 120 das 150 pulseiras que tem previstas terminar até às datas do espetáculos em Lisboa. “Vou aos dois concertos e o meu objetivo é ir abordando as pessoas e trocar o máximo que conseguir.”

Se vir alguém que não tem, quer oferecer. “Muitos de nós estamos a fazer para quem não consegue, porque ainda fica caro e consome muito tempo”, refere. Entre letras, fios e missangas, a criadora de conteúdos já gastou cerca de 30 euros no passatempo.

As dicas para fazer pulseiras

Na estreia do filme que leva a “The Eras Tour” ao cinema, até a mãe da Taylor, Andrea Swift, foi vista a trocar pulseiras com fãs. Já no início do ano, foi a própria cantora quem utilizou uma versão feita diamantes e pingentes de ouro, numa aparição da cantora num jogo de futebol americano. Como resultado, as vendas no site da Wove aumentaram 477 por cento, revelou a diretora da empresa, Simone Kendle.

Seguindo o exemplo de Taylor, muitos swifties compram estes amuletos pré-fabricados em sites ou a produtores de artesanato. Mas a maioria são feitas à mão, podendo ser confecionadas com fio de bordar ou até fitas de plástico. Não é invulgar que grupos de amigos se encontrem antes dos espetáculos para as criarem em conjunto. “Uma dica importante é não cortar o fio antes de começar a fazer porque nunca se sabe a quantidade que vamos usar”, reforça Lia, que afirma que deve ficar um pouco mais larga que o punho para facilitar as trocas. “De resto, basta colocar verniz no nó para ficar mais resistente e não se desfazer.”

A jovem tornou-se fã no início da carreira de Swift. “Adorava Hannah Montana e ela tem uma música que aparece no filme, chamada ‘Crazier’. Conheci a partir daí e continuei a acompanhar estes anos todos”, nota. Segue motivada pela escrita das letras que, explica, considera bastante transparentes quanto aos sentimentos que transmitem, dos mais positivos aos mais negativos.

Entretanto, começou a partilhar covers das canções de Taylor no TikTok. Bailaria, atriz e cantora, notou que a sua arte estava a chamar à atenção da comunidade de fãs e decidiu partilhar outras coisas relacionadas com este universo. Foi então que começou a mostrar o processo de criação das pulseiras.

Há cada vez mais portugueses a dedicar conteúdos a este fenómeno. Uma conta, intitulada Front Row Vibes, tem feito workshops para ensinar os interessados a fazerem as suas próprias pulseiras. E as opções são vastas, desde o nylon ao latex, um fio de silicone de alta resistência.

@frontrow_vibes

O primeiro workshop de pulseiras em lisboa 🥰 obrigada a todos os participantes ✨ #taylorswift #oliviarodrigo #erastour #gutstour #friendshipbracelets #friendshipbracelets #pulseiras #parati #taylorsversion #taylorswifttok #missangas #taylorswifttour #theerastourlisboa

♬ Taylor Swift megamix lyrics and song titles part 7 – Silvy | Taylor Nederland

Sofia é uma das muitas seguidoras de tutoriais online, onde encontra inspiração para as peças. “O processo tem sido uma verdadeira montanha-russa de emoções. Às vezes, estamos a rir tanto que mal conseguimos segurar os fios, outras vezes estamos a partilhar segredos enquanto os tecemos”, confessa.

E não há regras sobre o design que pode criar e levar para o concerto.  “No meu caso, não tenho feito nada complexo e demoro cerca de dois minutos. Mas há pessoas que têm feito coisas muito bonitas com dois ou três fios entrelaçados”, acrescenta Lia, que aproveita todo o tempo livre para se dedicar a este hobby. Em alguns casos, uma só peça pode levar meia hora até estar finalizada.

Quanto à razão do sucesso, está o amor da geração Z pelas tendências mais nostálgicas dos anos 2000. Já vimos o regresso de várias das modas da década, algumas mais controversas do que outras, mas poucas criam um sentido de comunidade tão grande como as friendship bracelets.

A verdade é que o sentimento de nostalgia da digressão, que revisita todos os álbuns que marcaram a vida e o amadurecimento de Swift, é um dos principais motores para esta celebração. Muitos fãs cresceram junto com aquela que é uma das maiores estrelas pop da atualidade. E é por isso que, enquanto criam as suas peças, ecoa o resto da letra de “You’re On Your Own, Kid”: “Não há motivos para teres medo.”

 

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