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Madalena Abecasis: “Ainda não me vejo como influencer. As pessoas que me seguem querem rir”

O que mais a chateia é dizerem que vive às custas do marido. Leia a entrevista da influencer com mais de 325 mil seguidores à NiT.
Faz 40 anos em dezembro.

Criou uma conta de Instagram em 2012 sem qualquer objetivo. Se algum houvesse, era de partilhar fotografias com a família e os amigos. Aliás, na altura nem fazia ideia que como era esta rede social, do sucesso que viria a ter. Hoje, com 39 anos, Madalena Abecasis é uma das maiores criadoras de conteúdos do nosso País — já são mais de 325 mil as pessoas que a acompanham diariamente.

Estudou Design Industrial e trabalhou durante vários anos no ramo do packaging. A Sonae foi a empresa onde esteve mais tempo, como coordenadora da equipa de packaging e design da marca Continente, uma altura da sua vida que recorda com carinho e saudades.

A transição para as redes sociais, conta à NiT, foi “uma coisa muito gradual e orgânica”. Ainda estava a trabalhar na Sonae quando se apercebeu que recebia cada vez mais mensagens de desconhecidos, que queriam saber onde tinha comprado a roupa ou uma peça de decoração. “Quando comecei a fazer alguns vídeos da sátira a este nosso mundo digital, a coisa pegou”, revela.

Abdicou de um full-time para estar mais tempo com os filhos e se dedicar às redes sociais. O que mais a chateia é que usem as suas escolhas para dizerem que vive às custas do marido. A verdade é que essa opção lhe trouxe mais qualidade de vida e tempo para os miúdos. Faz 40 anos em dezembro e, garante, sente-se melhor agora do que há 10 anos.

Para ela, o termo “influencer ” é alvo de crítica fácil por uma associação errada a uma vida sem esforço ou problemas. Ainda assim, confessa que muitas vezes ainda lhe é difícil aceitar esse rótulo. Leia a entrevista completa de Madalena Abecasis à NiT.

Quando criou a sua conta de Instagram, contava alguma vez chegar a mais de 300 mil seguidores?
Não, mesmo! Quando abri a minha conta de Instagram não tinha qualquer objetivo. Aliás, em 2012 penso que ninguém fazia ideia de como era esta rede social e no sucesso que iria ter, surgindo até esta nova profissão de criador de conteúdos digitais, goste-se ou não. Se quisermos falar de um objetivo, este passava por ser apenas mais uma forma de partilhar imagens com familiares e amigos, como um álbum de fotografias digital.

 
 
 
 
 
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Houve algum post ou momento a partir do qual tenha percebido que as redes sociais podiam ser um caminho a seguir?
Foi uma coisa muito gradual e orgânica. Não foi, de todo, do dia para a noite. Lembro-me de começar a ter mais mensagens de desconhecidos na altura em que ainda estava a trabalhar como coordenadora da equipa de packaging da marca própria do Continente. As perguntas e mensagens que recebia eram muito sobre onde comprar alguma coisa, roupa, decoração. Quando comecei a fazer alguns vídeos de sátira a este nosso mundo digital, a coisa pegou. Houve um vídeo, que até o recuperei e voltei a postar há pouco tempo, que fiz na quarentena em que fazia um “tutorial” de exercícios de workout, mas em vez de fazer mesmo o dito exercício, estava ao som de uma música de ginásio a fazer bodypainting de uns abdominais maravilhosos! Foi um vídeo muito comentado e partilhado.

Muitos influencers parecem não gostar do termo “influencer”.
O termo “influencer” é alvo de crítica fácil. Parece que a pessoa em questão tem uma vida fácil, sempre a receber produtos grátis e a comunicá-los. Toda a gente sabe fazer. Mas não é só isso. Há todo um trabalho por trás. Penso que o meu background em design — e principalmente design de packaging — me ajudou e ajuda na forma como olho para um produto e como faço a sua comunicação para torná-lo apelativo para as pessoas que me seguem. Mas até eu brinco com o termo “influencer”, pois em todas as profissões há os bons e os menos bons. E com os menos bons conseguimos apanhar coisas e jeitos que são muito engraçadas para caricaturar. Mas confesso que muitas vezes ainda não me vejo como uma influencer.

Muitos dos seus conteúdos são precisamente uma sátira a esse mundo. Acha que é isso que atrai os seguidores?
Acho que atrai o tom leve e humorístico, mas frontal, com que encaro o dia a dia. As pessoas que me seguem querem rir. Querem ser surpreendidas. Querem o ridículo misturado com o glamour, salpicado com piadas e palavras que todos pensam mas que ninguém escreve. Ser a vizinha do lado. Acho que é isso que encanta as pessoas.

A Madalena é mãe e partilha conteúdos dos seus filhos, como tantas outras mães. Como é que lida com a “polícia do Instagram”, que parece ter tantas opiniões sobre a maternidade?
Acho que em todo lado há polícias de coisas variadas. Nos treinos de futebol dos miúdos há os polícias de bancada, nos bairros há sempre também aqueles polícias do bairro e no Instagram é igual. Passo só à frente, não é nada que me tire o sono. Que já é pouco, diga-se de passagem.

Houve algum episódio negativo em que tenha precisado de intervir?
Não posso dizer que tenha sido um episódio negativo, mas o que mais me chateia é algumas vezes dizerem que vivo às custas do meu marido. Ainda há muito esta coisa de se achar que uma mulher que abdica de uma carreira das 9 às 19 horas para ter mais tempo para os filhos fica a depender do pobre coitado do marido. Mas a verdade é que essa opção me trouxe mais tempo útil para os miúdos, mais qualidade de vida, como também conseguir trabalhar a partir de casa nisto de criar conteúdos digitais.

 
 
 
 
 
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A Madalena já tem 40 anos?
Só faço 40 anos em dezembro! Não me ponham mais velha do que sou! Eu brinco muito com isso de estar a ficar velha, mas a verdade é que me sinto melhor hoje do que há 10 anos. Muito mais consciente, preenchida e feliz.

A sua maneira de ser tão confiante e honesta é uma inspiração para muitos. É uma escolha consciente que faz, ou sempre foi algo natural na sua personalidade?
A confiança e a honestidade para com os outros, mas principalmente para nós próprios, vem com a experiência, com as nossas vivências, com a idade. Se calhar, quando era mais nova, era mais insegura, mas hoje em dia pegar nessas inseguranças e partilhá-las com as pessoas torna-me mais forte.

A sua vida hoje está exposta a um número muito grande de pessoas. De que maneiras é que precisou (ou não) de se adaptar com o passar do tempo para proteger a sua privacidade?
Houve, claro, uma adaptação. Tem de haver. Uma coisa são os nossos familiares, amigos e amigos afastados. Outra coisa são pessoas que nunca nos viram na vida, que não fazem ideia do registo da pessoa, que caem de para-quedas numa página de Instagram e não entendem o fio condutor que levou até àquele momento. E isso começa a ser pensado e repensado para não ferir suscetibilidades. E para me proteger também. A vontade de ser tão honesta e com o coração na boca tem tendência a ser mais regrada. Acho que é normal. Quem me segue desde o início tem toda a legitimidade em dizer que já não é igual. Não que seja para melhor ou para pior. É só diferente. Mas também penso que compreendem o porquê.

Os seus conteúdos são planeados?
Os únicos conteúdos planeados que existem são as parcerias pagas, uma pequena parte do meu perfil. Na grande maioria, são posts de fotografias ou pequenos vídeos acompanhados das minhas dissertações sobre os mais variados temas. Sempre em tom humorístico, a desconstruir preconceitos, num discurso sempre muito cru, que as pessoas já reconhecem e que me dá um grande prazer escrever. Volta e meia tenho uma ideia de uma parvoíce qualquer e aí já faço um guião com pontos-chave do que pretendo dizer, mas também não perco muito tempo com isso, o primeiro take é o que fica. O enganar-me, o cair ou escorregar sem querer, o palavrão que escapa, isso tudo torna as minhas publicações mais reais e relatable.

Entre a vida pessoal e o trabalho, como consegue equilibrar uma rotina tão preenchida?
A minha família está sempre em primeiro lugar. O resto, faço quando posso.

Qual foi a melhor coisa que esta experiência nas redes sociais lhe trouxe?
A melhor coisa foi poder desenvolver a minha criatividade, ter a possibilidade de poder escrever os meus textos como quero, poder trabalhar lado a lado com marcas que sempre admirei, poder conhecer pessoas espetaculares. E isso tudo aliado ao tempo de qualidade que ganhei com os meus filhos. O saldo é muito positivo.

 
 
 
 
 
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