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ModaLisboa: Nuno Gama fez o chão tremer e ganhou o prémio da noite

O desfile começou com caretos e acabou com o músico Xande a cantar "Homem do Leme". Nada faltou na apresentação da coleção do criador.

Foi um desfile surpreendente.

“Assim que puderem vão para a sala de desfiles, por favor. Há mesmo muitas pessoas para sentar”. O aviso foi feito por volta das 22h30, a hora marcada para o desfile de Nuno Gama. O cenário comprovou-se logo à entrada, com a fila de convidados a aumentar cada vez mais. 

Houvesse mais três filas de cada lado e nenhum lugar teria ficado por ocupar. Afinal, Nuno Gama nunca prepara um desfile, mas sim um espetáculo. E foi mesmo isso que começou, perto das 23 horas.

Luzes apagadas, muito pouco barulho na sala. Ouve-se o som de chocalhos cada vez mais perto. Não se percebe de onde vêm até que entram na passerelle vários caretos de cara tapada. Não soubéssemos nós onde estávamos e acharíamos que estava a dar-se início a uma peça de teatro.

De repente, vários manequins sentados na primeira fila põem-se em pé em cima da bancada e um miúdo entra na passerelle. É sobrinho de Nuno Gama e traz ao peito uma faixa com a data de 1993, ano em que o criador começou a sua marca.

Ouve-se muita gente a comentar a ideia catita de Nuno Gama, quando entra na passerelle o primeiro manequim com roupa da coleção outono/inverno. Traz um fato preto cheio de penas pretas e, logo atrás dele, segue-se outro modelo com propostas mais descontraídas. 

Ao longo do desfile, cuja inspiração o criador foi buscar a Miranda do Douro, os estilos vão-se alternando. Uns trazem fatos mais clássicos, outros camisas com decotes acentuados e leggings bem justas. Há ainda espaço para gabardinas e blusões — quase todos com pelo por dentro, um dos pormenores mais notados durante o desfile.

Ao início são os tons escuros que predominam, que mais para o fim são trocados por camisolas às riscas, tecidos floridos, muitos castanhos conjugados com brancos.

De repente, ouve-se um assobio na sala, mas poucos são os que percebem porquê. Só quando alguém se aproxima mais é que fica tudo explicado. É José Fidalgo, o ator da SIC, que vem terminar o desfile.

Terminar pode não ser o termo mais correto. Afinal, quando muitos se preparavam para se levantar, entra um músico, Xande, a cantar bem alto “Homem do Leme”, em género de homenagem a Zé Pedro de os “Xutos e Pontapés”. 

Telemóveis ao alto porque o momento assim o merecia. Quem também mereceu o forte aplauso em pé foi Nuno Gama, que fez questão de vir agradecer a todos, percorrendo toda a passerelle. Terminou assim o segundo dia da 50.ª edição da ModaLisboa, da melhor maneira possível.

Afinal, como é que o criador começou?

Nuno Gama nasceu a 22 de abril de 1966 e viveu até à adolescência em Azeitão. Nessa altura, mudou-se para o Porto com o objetivo de fazer o curso de moda no Centro de Formação Profissional da Indústria Têxtil, mais conhecido por CITEX. Concluiu os estudos em 1991, data em que criou a própria marca: Nuno Gama Têxtil.

Ainda nesse ano, o criador apresentou a sua primeira coleção na ModaLisboa. Dois anos mais tarde, em 1993, ganhou o concurso para a criação das fardas dos funcionários dos museus portugueses — prémio que lhe deu algum nome. Seguiram-se as presenças em mais eventos nacionais (inclusive o Portugal Fashion) e em feiras pelo mundo, como a Nouvel Espace, em Paris, ou Gaudí, em Barcelona. 

Em 1996, abriu em Lisboa a primeira de nove lojas. Hoje, vende para todo o mundo: Estados Unidos, Japão, China e Angola, por exemplo. No mesmo ano ganhou um Globo de Ouro, na categoria de Personalidade do Ano, e a 9 de junho de 2015 foi reconhecido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2016, completou 50 anos e assinalou a data com a 50.ª coleção. A NiT aproveitou a celebração para entrevistar o sobrinho do escritor Sebastião da Gama, que até nos confidenciou que, se não fosse estilista, teria sido cozinheiro.

Recorde a entrevista e carregue na imagem para ver o desfile de Nuno Gama.

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